Desenvolvido na Universidade Estadual do Colorado, o brinquedo sensorial responde aos movimentos limitados do adolescente por meio de um sensor preso ao braço. O equipamento controla porta, luzes, músicas e gravações, foi adaptado à cadeira de rodas e busca ampliar independência, comunicação e escolhas durante as brincadeiras diárias de Lamar.
Um brinquedo sensorial personalizado foi desenvolvido por quatro estudantes de engenharia da Universidade Estadual do Colorado para Lamar Jenkins, adolescente de 13 anos de Denver com paralisia cerebral e mobilidade reduzida. Apresentado em abril de 2026, o dispositivo permite que ele controle luzes, músicas, gravações e uma pequena porta com movimentos do braço.
As informações foram publicadas pela 9NEWS em 28 de abril de 2026 e também apresentadas pela Universidade Estadual do Colorado. O projeto, chamado “Lamar’s Wish”, nasceu de uma parceria com a Make-A-Wish Colorado e integrou o trabalho de conclusão de curso dos estudantes de engenharia mecânica.
Pedido da família buscava mais autonomia para Lamar

Lamar não fala e se comunica principalmente por movimentos limitados dos braços e por um dispositivo de rastreamento ocular. Nascido prematuramente, ele também convive com insuficiência respiratória crônica e depende de ventilador, sonda de alimentação e outros equipamentos médicos em sua rotina.
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A mãe, Jamie Jenkins, procurava uma forma de oferecer ao filho mais oportunidades para fazer escolhas e interagir com o ambiente durante as brincadeiras. A preocupação não era criar apenas um objeto divertido, mas desenvolver algo que respondesse às capacidades específicas de Lamar.
Mercado oferecia poucas opções compatíveis com seus movimentos
Brinquedos convencionais costumam exigir pressão em botões pequenos, coordenação das mãos, força muscular ou deslocamentos difíceis para pessoas com mobilidade reduzida. Essas características limitavam a possibilidade de Lamar utilizar equipamentos disponíveis comercialmente sem auxílio constante.
A ausência de alternativas adequadas levou a família a buscar uma solução personalizada. O brinquedo sensorial precisaria reconhecer um movimento que Lamar já conseguia realizar, em vez de exigir que o adolescente se adaptasse a controles incompatíveis com suas condições físicas.
Quatro estudantes transformaram necessidades em projeto técnico
Nick Olmsted, Ella Olander, Ian Haaf e Tyler Nordengren assumiram o desafio dentro do projeto final de engenharia da universidade. A equipe trabalhou com a família e com a Make-A-Wish Colorado para compreender os interesses, os movimentos disponíveis e as limitações que deveriam orientar o desenvolvimento.
Os estudantes decidiram incorporar elementos de que Lamar gostava, incluindo música, luzes, basquete e portas. Cada recurso foi escolhido para oferecer uma resposta visível ou sonora imediata, permitindo que ele percebesse a relação entre o movimento do braço e a ação produzida pelo equipamento.
Sensor preso ao braço tornou-se o principal comando
O sistema utiliza um sensor conectado ao braço de Lamar para identificar seus movimentos. Quando o adolescente realiza o gesto programado, o sinal é enviado aos componentes responsáveis por ativar as funções instaladas no brinquedo sensorial.
A escolha desse tipo de controle evitou a necessidade de botões pequenos ou movimentos precisos das mãos. A tecnologia foi ajustada ao movimento existente, transformando uma ação limitada do braço em um comando capaz de controlar diferentes experiências.
Pequena porta passou a abrir com um movimento
Entre as funções desenvolvidas está uma porta em miniatura que pode ser aberta e fechada pelo adolescente. Durante um dos primeiros testes, Lamar movimentou o braço, o sensor reconheceu a ação e o mecanismo respondeu pela primeira vez.
O funcionamento da porta demonstrou que a integração entre sensor, programação e estrutura mecânica havia alcançado o resultado esperado. A abertura não representava somente um teste técnico bem-sucedido, mas uma escolha executada diretamente por Lamar sem que outra pessoa acionasse o mecanismo.
Luzes e músicas ampliaram as possibilidades de interação
O equipamento também permite acender e apagar luzes, além de reproduzir músicas e gravações. As respostas sonoras e visuais tornam a experiência mais variada e ajudam Lamar a reconhecer rapidamente o efeito produzido por cada comando.
Esses recursos transformam o brinquedo sensorial em uma plataforma com diferentes formas de estímulo. Em vez de repetir sempre a mesma atividade, o adolescente pode explorar ações distintas e participar de brincadeiras ligadas aos próprios interesses.
Estrutura foi instalada junto à cadeira de rodas
As telas e os componentes foram posicionados de maneira compatível com a cadeira de rodas de Lamar. Essa configuração aproximou os elementos interativos do campo de visão e do alcance disponível, sem exigir que ele fosse transferido para outro assento durante o uso.
A adaptação física foi tão importante quanto os circuitos e a programação. Um sistema tecnologicamente funcional poderia perder utilidade caso os controles, telas ou mecanismos fossem instalados em posições desconfortáveis ou incompatíveis com a rotina do adolescente.
Engenharia precisou combinar eletrônica e acessibilidade
O projeto exigiu conhecimentos de mecânica, sensores, programação e integração de sistemas. Ao mesmo tempo, os estudantes precisaram observar como cada decisão técnica afetaria a segurança, o conforto e a capacidade de Lamar utilizar o dispositivo de forma independente.
Essa combinação diferencia o equipamento de um protótipo criado apenas para demonstrar tecnologia. O resultado dependia menos da quantidade de recursos instalados e mais da capacidade de cada componente responder corretamente aos movimentos do usuário.
Primeiro acionamento provocou comemoração da equipe
Quando Lamar movimentou o braço e conseguiu abrir a porta, os estudantes perceberam que o sistema estava funcionando em uma situação real. O momento foi acompanhado por aplausos e comemoração das pessoas envolvidas no desenvolvimento.
A reação refletiu meses de trabalho orientado por uma necessidade concreta. O sucesso não estava apenas em concluir o brinquedo sensorial, mas em comprovar que Lamar poderia provocar uma ação no ambiente a partir de uma decisão própria.
Projeto produziu duas cópias adicionais
Além da unidade personalizada para Lamar, os estudantes construíram outras duas cópias do dispositivo. A produção de versões adicionais mostra que parte da solução pode ser reproduzida ou adaptada para atender crianças e adolescentes com necessidades semelhantes.
Ainda assim, cada usuário pode apresentar movimentos, preferências e limitações diferentes. A principal contribuição do projeto não é oferecer um modelo universal pronto, mas demonstrar que sensores e brinquedos podem ser configurados de acordo com as habilidades reais de cada pessoa.
Trabalho foi apresentado em mostra de engenharia
O dispositivo participou do E-Days, evento no qual estudantes da Universidade Estadual do Colorado apresentam projetos desenvolvidos durante o curso. A exposição permitiu demonstrar como conteúdos acadêmicos podem ser aplicados a desafios encontrados fora dos laboratórios.
Projetos desse tipo também aproximam futuros engenheiros de usuários reais antes do ingresso no mercado profissional. A equipe precisou ouvir a família, testar hipóteses e avaliar o impacto humano de cada escolha, competências que ultrapassam cálculos, desenhos e montagem de peças.
Brinquedo sensorial transformou movimento em escolha
Para Lamar, o ganho mais importante está na possibilidade de acionar funções sem depender de outra pessoa para iniciar cada brincadeira. Abrir uma porta, escolher uma música ou controlar uma luz são ações simples, mas representam novas formas de participação e autonomia.
Você acredita que escolas e universidades deveriam desenvolver mais equipamentos personalizados para pessoas que não encontram produtos adequados no mercado? Deixe sua opinião nos comentários e conte qual outra função poderia ser acrescentada ao brinquedo sensorial de Lamar.

