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Estudantes brasileiros criam sistema barato para filtrar água de comunidades ribeirinhas do Pantanal e invenção chega a uma das principais feiras científicas do país

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 13/08/2026 às 06:42 Atualizado em 13/08/2026 às 06:43
Descubra o projeto Águas Pantaneiras e como ele enfrenta a dificuldade de acesso à água tratada na região do Pantanal.
Descubra o projeto Águas Pantaneiras e como ele enfrenta a dificuldade de acesso à água tratada na região do Pantanal.
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Águas Pantaneiras nasceu de um problema observado no próprio Pantanal, evoluiu a partir de uma solução usada pela família de Lorenzo Guizardi e agora integra a lista oficial de projetos selecionados na área de Engenharias.

Um projeto desenvolvido por estudantes de Mato Grosso para enfrentar dificuldades no acesso à água tratada em comunidades ribeirinhas do Pantanal acaba de alcançar uma nova etapa. O Águas Pantaneiras foi selecionado para a fase presencial da FIciências 2026, uma feira dedicada a projetos científicos e de engenharia.

Na relação oficial divulgada pela organização, o trabalho aparece como o projeto número 173, de Mato Grosso, na área de Engenharias. Seu título completo é “Águas Pantaneiras: desenvolvimento e avaliação de um sistema de multi-filtragem de baixo custo para tratamento de água em comunidades ribeirinhas”.

Os estudantes ligados ao projeto são Lorenzo Guizardi e Luiz Scheffer, identificados pelo Colégio Ibero Americano como alunos da instituição e integrantes da iniciativa.

Mais do que um trabalho criado apenas para uma feira científica, o Águas Pantaneiras tem uma história ligada diretamente à realidade encontrada por Lorenzo no Pantanal e a uma solução que já havia sido utilizada por sua própria família.

Águas Pantaneiras está entre os projetos escolhidos para a fase presencial

A seleção aparece no documento oficial da FIciências 2026, publicado com a relação dos projetos aprovados na categoria Jovem.

O Comitê Organizador informa no documento que os trabalhos listados foram selecionados para apresentação na fase presencial. O Águas Pantaneiras aparece no número 173, identificado pela sigla MT e classificado em Engenharias.

A escolha não significa, neste momento, que o projeto tenha vencido a competição. Trata-se da aprovação para avançar à etapa presencial de avaliação.

Segundo as regras divulgadas juntamente com o resultado, os selecionados ainda precisam confirmar a participação entre 21 de agosto e 10 de setembro de 2026. A ausência dessa confirmação pode resultar na desclassificação do trabalho.

A primeira lista dos projetos com participação confirmada está prevista para 15 de setembro. Dessa forma, a conquista atual dos estudantes é a seleção oficial para a próxima etapa da feira, e não uma premiação final.

Ideia começou com um problema encontrado dentro da própria família

A história que levou ao desenvolvimento do projeto começou antes da seleção para a FIciências.

Em novembro de 2024, uma reportagem da Gazeta Digital apresentou Lorenzo Grunwald Guizardi, então com 15 anos, e descreveu a origem da iniciativa.

Segundo a publicação, Lorenzo passava parte de sua vida em uma propriedade da família no Pantanal e acompanhava os avós, Geraldo Grunwald e Neili Ayoub, em ações de doação realizadas para comunidades da região.

Foi durante esse contato que o estudante percebeu uma dificuldade básica enfrentada por moradores ribeirinhos: o acesso à água adequada para consumo.

O problema não era completamente desconhecido pela família. Na propriedade dos avós, também havia dificuldades com a água proveniente de um poço artesiano.

De acordo com a Gazeta Digital, Geraldo desenvolveu uma solução formada por três caixas d’água, utilizada para tratar a água disponível na propriedade. O funcionamento dessa estrutura acabou servindo como ponto de partida para a ideia que Lorenzo levaria adiante.

Solução da fazenda virou uma iniciativa voltada às comunidades

Depois de observar o resultado obtido na propriedade familiar, Lorenzo decidiu levar a ideia para além da fazenda.

A reportagem publicada em 2024 relata que foi a partir desse movimento que nasceu o projeto Águas Pantaneiras, com a intenção de adaptar o sistema às necessidades das comunidades ribeirinhas.

Naquele estágio da iniciativa, os filtros eram apresentados como uma solução econômica destinada à retirada de ferro e manganês presentes na água.

A publicação também relata que as ações associadas ao projeto não se limitavam aos filtros. Por meio de doações, eram destinados ainda brinquedos, garrafas e itens de saúde às comunidades atendidas.

Lorenzo declarou à época que pretendia ampliar o alcance da iniciativa e transformar o trabalho desenvolvido com o avô em um projeto de impacto social maior.

Esse histórico ajuda a explicar a evolução vista agora na denominação apresentada à FIciências.

Projeto chega à feira com foco em desenvolvimento e avaliação

No documento da FIciências, o trabalho não é descrito simplesmente como um filtro pronto.

O próprio título apresentado pelos estudantes fala em “desenvolvimento e avaliação” de um sistema de multi-filtragem de baixo custo.

Essa diferença é importante porque coloca o trabalho dentro de uma proposta de pesquisa e engenharia: desenvolver uma solução e avaliar seu funcionamento para tratamento de água em comunidades ribeirinhas.

O documento oficial, entretanto, não apresenta naquela lista detalhes como preço do equipamento, capacidade em litros, percentual de remoção de contaminantes ou resultados laboratoriais.

Por isso, não é possível estabelecer, a partir do resultado da feira, um valor em reais para o sistema nem afirmar índices específicos de eficiência.

O que está oficialmente registrado é que o projeto busca desenvolver e avaliar uma solução de baixo custo para tratamento de água.

Lorenzo passou a dividir o projeto com Luiz Scheffer

A iniciativa apresentada em 2024 tinha Lorenzo como personagem central e estava diretamente ligada à solução originalmente desenvolvida pelo avô.

Na etapa escolar atual, porém, o Águas Pantaneiras aparece associado também a Luiz Scheffer.

O próprio Colégio Ibero Americano identifica Lorenzo e Luiz como seus alunos ao divulgar o projeto Águas Pantaneiras, mostrando que a iniciativa passou a ser desenvolvida no ambiente educacional pelos dois estudantes.

Assim, a história reúne duas etapas diferentes: a origem social e familiar da ideia e sua transformação em um projeto escolar de ciência e engenharia.

De uma necessidade no Pantanal para uma feira científica

O caminho percorrido pelo Águas Pantaneiras começou com um problema concreto observado na região: comunidades enfrentando dificuldades relacionadas à água para consumo.

Uma solução utilizada inicialmente na propriedade dos avós de Lorenzo inspirou a criação de um projeto voltado às comunidades ribeirinhas. Em seguida, a ideia evoluiu e passou a integrar a formação científica dos estudantes.

Agora, com Lorenzo Guizardi e Luiz Scheffer ligados ao desenvolvimento do trabalho, o projeto aparece entre os selecionados de Mato Grosso para a fase presencial da FIciências 2026.

A próxima etapa ainda depende da confirmação formal da participação prevista no cronograma da feira.

Até aqui, porém, o avanço já está documentado: o Águas Pantaneiras, nascido de uma experiência relacionada às condições encontradas no Pantanal, tornou-se um projeto de engenharia voltado ao desenvolvimento e à avaliação de um sistema de multi-filtragem de baixo custo para comunidades ribeirinhas.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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