Águas Pantaneiras nasceu de um problema observado no próprio Pantanal, evoluiu a partir de uma solução usada pela família de Lorenzo Guizardi e agora integra a lista oficial de projetos selecionados na área de Engenharias.
Um projeto desenvolvido por estudantes de Mato Grosso para enfrentar dificuldades no acesso à água tratada em comunidades ribeirinhas do Pantanal acaba de alcançar uma nova etapa. O Águas Pantaneiras foi selecionado para a fase presencial da FIciências 2026, uma feira dedicada a projetos científicos e de engenharia.
Na relação oficial divulgada pela organização, o trabalho aparece como o projeto número 173, de Mato Grosso, na área de Engenharias. Seu título completo é “Águas Pantaneiras: desenvolvimento e avaliação de um sistema de multi-filtragem de baixo custo para tratamento de água em comunidades ribeirinhas”.
Os estudantes ligados ao projeto são Lorenzo Guizardi e Luiz Scheffer, identificados pelo Colégio Ibero Americano como alunos da instituição e integrantes da iniciativa.
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Mais do que um trabalho criado apenas para uma feira científica, o Águas Pantaneiras tem uma história ligada diretamente à realidade encontrada por Lorenzo no Pantanal e a uma solução que já havia sido utilizada por sua própria família.
Águas Pantaneiras está entre os projetos escolhidos para a fase presencial
A seleção aparece no documento oficial da FIciências 2026, publicado com a relação dos projetos aprovados na categoria Jovem.
O Comitê Organizador informa no documento que os trabalhos listados foram selecionados para apresentação na fase presencial. O Águas Pantaneiras aparece no número 173, identificado pela sigla MT e classificado em Engenharias.
A escolha não significa, neste momento, que o projeto tenha vencido a competição. Trata-se da aprovação para avançar à etapa presencial de avaliação.
Segundo as regras divulgadas juntamente com o resultado, os selecionados ainda precisam confirmar a participação entre 21 de agosto e 10 de setembro de 2026. A ausência dessa confirmação pode resultar na desclassificação do trabalho.
A primeira lista dos projetos com participação confirmada está prevista para 15 de setembro. Dessa forma, a conquista atual dos estudantes é a seleção oficial para a próxima etapa da feira, e não uma premiação final.
Ideia começou com um problema encontrado dentro da própria família
A história que levou ao desenvolvimento do projeto começou antes da seleção para a FIciências.
Em novembro de 2024, uma reportagem da Gazeta Digital apresentou Lorenzo Grunwald Guizardi, então com 15 anos, e descreveu a origem da iniciativa.
Segundo a publicação, Lorenzo passava parte de sua vida em uma propriedade da família no Pantanal e acompanhava os avós, Geraldo Grunwald e Neili Ayoub, em ações de doação realizadas para comunidades da região.
Foi durante esse contato que o estudante percebeu uma dificuldade básica enfrentada por moradores ribeirinhos: o acesso à água adequada para consumo.
O problema não era completamente desconhecido pela família. Na propriedade dos avós, também havia dificuldades com a água proveniente de um poço artesiano.
De acordo com a Gazeta Digital, Geraldo desenvolveu uma solução formada por três caixas d’água, utilizada para tratar a água disponível na propriedade. O funcionamento dessa estrutura acabou servindo como ponto de partida para a ideia que Lorenzo levaria adiante.
Solução da fazenda virou uma iniciativa voltada às comunidades
Depois de observar o resultado obtido na propriedade familiar, Lorenzo decidiu levar a ideia para além da fazenda.
A reportagem publicada em 2024 relata que foi a partir desse movimento que nasceu o projeto Águas Pantaneiras, com a intenção de adaptar o sistema às necessidades das comunidades ribeirinhas.
Naquele estágio da iniciativa, os filtros eram apresentados como uma solução econômica destinada à retirada de ferro e manganês presentes na água.
A publicação também relata que as ações associadas ao projeto não se limitavam aos filtros. Por meio de doações, eram destinados ainda brinquedos, garrafas e itens de saúde às comunidades atendidas.
Lorenzo declarou à época que pretendia ampliar o alcance da iniciativa e transformar o trabalho desenvolvido com o avô em um projeto de impacto social maior.
Esse histórico ajuda a explicar a evolução vista agora na denominação apresentada à FIciências.
Projeto chega à feira com foco em desenvolvimento e avaliação
No documento da FIciências, o trabalho não é descrito simplesmente como um filtro pronto.
O próprio título apresentado pelos estudantes fala em “desenvolvimento e avaliação” de um sistema de multi-filtragem de baixo custo.
Essa diferença é importante porque coloca o trabalho dentro de uma proposta de pesquisa e engenharia: desenvolver uma solução e avaliar seu funcionamento para tratamento de água em comunidades ribeirinhas.
O documento oficial, entretanto, não apresenta naquela lista detalhes como preço do equipamento, capacidade em litros, percentual de remoção de contaminantes ou resultados laboratoriais.
Por isso, não é possível estabelecer, a partir do resultado da feira, um valor em reais para o sistema nem afirmar índices específicos de eficiência.
O que está oficialmente registrado é que o projeto busca desenvolver e avaliar uma solução de baixo custo para tratamento de água.
Lorenzo passou a dividir o projeto com Luiz Scheffer
A iniciativa apresentada em 2024 tinha Lorenzo como personagem central e estava diretamente ligada à solução originalmente desenvolvida pelo avô.
Na etapa escolar atual, porém, o Águas Pantaneiras aparece associado também a Luiz Scheffer.
O próprio Colégio Ibero Americano identifica Lorenzo e Luiz como seus alunos ao divulgar o projeto Águas Pantaneiras, mostrando que a iniciativa passou a ser desenvolvida no ambiente educacional pelos dois estudantes.
Assim, a história reúne duas etapas diferentes: a origem social e familiar da ideia e sua transformação em um projeto escolar de ciência e engenharia.
De uma necessidade no Pantanal para uma feira científica
O caminho percorrido pelo Águas Pantaneiras começou com um problema concreto observado na região: comunidades enfrentando dificuldades relacionadas à água para consumo.
Uma solução utilizada inicialmente na propriedade dos avós de Lorenzo inspirou a criação de um projeto voltado às comunidades ribeirinhas. Em seguida, a ideia evoluiu e passou a integrar a formação científica dos estudantes.
Agora, com Lorenzo Guizardi e Luiz Scheffer ligados ao desenvolvimento do trabalho, o projeto aparece entre os selecionados de Mato Grosso para a fase presencial da FIciências 2026.
A próxima etapa ainda depende da confirmação formal da participação prevista no cronograma da feira.
Até aqui, porém, o avanço já está documentado: o Águas Pantaneiras, nascido de uma experiência relacionada às condições encontradas no Pantanal, tornou-se um projeto de engenharia voltado ao desenvolvimento e à avaliação de um sistema de multi-filtragem de baixo custo para comunidades ribeirinhas.
