Trabalhadores nordestinos denunciam falta de pagamento após obra suspensa em hospital de Franca (SP) e relatam abandono em alojamentos sem condições básicas, aguardando salários e passagens para retornar às cidades de origem.
Ao menos 12 trabalhadores vindos do Nordeste afirmam ter sido deixados sem salário e sem verbas rescisórias após a interrupção das obras de um hospital particular em Franca (SP).
De acordo com informações do portal G1, eles foram contratados por uma terceirizada e trabalharam cerca de 40 dias no canteiro.
Com o rompimento do acordo entre as empresas envolvidas, o grupo diz ter ficado sem pagamento e sem condições de retorno para casa, abrigado em alojamentos insalubres.
-
Lã ficou tão barata que não pagava nem a tosquia, então criadores da Espanha buscaram outro negócio: transformar 160 quilos do material em guarda-sóis térmicos para piscina, criando uma saída curiosa para valorizar um produto rural que virou problema no campo
-
Navio brasileiro recebe 400 toneladas de combustível com 30% renovável em Roterdã: Transpetro testa B30 pela primeira vez na frota, mira emissões menores no transporte marítimo e mostra como petroleiros podem virar vitrine de uma transição silenciosa nos portos mais estratégicos do mundo
-
Fileiras de “bolas de pedra” aparecem só na maré baixa em praia da Califórnia, com concreções de até 1,5 metro alinhadas como se alguém tivesse montado uma pista de boliche no Pacífico
-
Homem faz gambiarra genial e transforma airfryer em caixa de som funcional com rádio, alto-falantes e usa botões de temperatura como controle de volume
Rompimento de contrato deixa equipe sem salário
De acordo com os relatos, a contratante principal encerrou a parceria com a terceirizada por “problemas na execução da obra”.
A decisão interrompeu o serviço em andamento e, segundo os trabalhadores, também suspendeu o pagamento dos dias trabalhados e das verbas de desligamento.
A equipe afirma que aguarda uma definição para receber o que é devido e conseguir voltar ao Nordeste, onde mantém residência e família.
Enquanto a situação não se resolve, os trabalhadores permanecem em moradias improvisadas. Há falta de itens básicos e de estrutura mínima para higiene e cozinha.
Um dos pedreiros, José Eudis Alves da Silva, que saiu de Pernambuco para o emprego, descreveu as condições ao relatar que o grupo está sem insumos essenciais e arcando com gastos do próprio bolso, apesar de não ter recebido.
“Está precisando de tudo, porque não tem, não tem para a gente fazer uma limpeza na casa adequada, papel higiênico não tem, tudo a gente está tendo que comprar do bolso, sem receber dinheiro. (…) Nós estamos jogados, porque nosso patrão desapareceu”, afirmou.

Alojamento sem padrão de segurança e higiene
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Menisa Pilar, declarou que a empresa principal não deveria ter permitido a permanência dos operários em alojamentos nessas condições.
Segundo ela, havia laudo que classificava o espaço como inadequado às normas regulamentadoras, ainda assim os trabalhadores foram mantidos na obra.
“O alojamento não está adequado nas normas regulamentadoras. A empresa principal tem um laudo que estava inadequado o uso do alojamento, mas, mesmo assim, eles deixaram os trabalhadores entrarem na obra”, disse.
A descrição feita pelos trabalhadores inclui ausência de móveis suficientes, falta de produtos de limpeza, precariedade de banheiros e necessidade de comprar materiais por conta própria.
Em meio a esse cenário, a alimentação também se tornou um desafio, já que não há confirmação de fornecimento regular de mantimentos por parte das empresas responsáveis.
Impacto humano e incerteza sobre retorno
A dificuldade para quitar despesas cotidianas e enviar dinheiro à família pesa sobre o grupo, que se deslocou centenas de quilômetros para trabalhar.
Muitos saíram do Nordeste contando com remuneração pactuada e com as condições de hospedagem previstas para esse tipo de contratação.
Sem pagamento, relatam atrasos em compromissos pessoais e impossibilidade de custear as passagens para voltar às suas cidades de origem.
Além do desgaste financeiro, os trabalhadores relatam insegurança quanto ao futuro.
A expectativa é receber salários e verbas rescisórias referentes ao período trabalhado, além de orientações claras sobre os próximos passos.
Enquanto esperam, continuam em alojamentos apontados como impróprios, o que, segundo o sindicato, contraria regras de saúde e segurança do trabalho.
O que dizem as empresas responsáveis
Procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, a Maximo Aldana Construtora, responsável principal pela obra, garantiu que vai assumir os pagamentos de todos os funcionários afetados.
A empresa também informou que custeará as passagens de volta para as cidades de origem, compromisso aguardado pelos trabalhadores para encerrar a permanência em Franca.
A Monte Carmelo Engenharia, terceirizada que contratou os operários para atuar no hospital, foi buscada para comentar a situação. Até a última atualização, não houve retorno.
O silêncio mantém em aberto pontos essenciais para os trabalhadores, como prazos para quitação das pendências e esclarecimentos sobre a responsabilidade pelas condições do alojamento.
Acompanhamento sindical e próximos passos
O sindicato afirma acompanhar o caso e cobrar soluções imediatas, principalmente em relação ao pagamento dos salários, férias proporcionais, 13º proporcional e demais verbas previstas em desligamentos.
A entidade também aponta a necessidade de regularizar o alojamento, ainda que temporariamente, até que todos possam retornar às suas casas.
A definição sobre quem responde pela adequação do alojamento é considerada central para evitar que situações semelhantes se repitam.
Segundo o sindicato, cabe à contratante principal fiscalizar as condições de trabalho fornecidas pela terceirizada e impedir que equipes atuem em locais fora das normas.
A entidade reforça que a existência de um laudo de inadequação indicaria que a estrutura não atendia às exigências mínimas de conforto e segurança.
Trabalhadores aguardam solução para deixar Franca
Sem uma data confirmada para o pagamento, os trabalhadores permanecem no interior paulista. Alguns buscam ajuda de familiares para adquirir itens básicos de higiene e alimentação.
Outros relatam ter vendido pertences para cobrir despesas imediatas. A ausência do empregador direto na comunicação cotidiana amplia a sensação de abandono narrada pelos operários.
A regularização dos salários e das verbas rescisórias é vista como condição para que todos retornem ao Nordeste.
A promessa da empresa principal de arcar com as passagens e assumir as pendências financeiras é, até aqui, o principal vetor de expectativa do grupo. A efetivação desse compromisso é aguardada para que a situação seja resolvida e para que os trabalhadores possam reorganizar a vida em suas cidades.

Questões legais e responsabilidade no canteiro
Especialistas consultados pelo sindicato costumam destacar que, em obras com múltiplas empresas, a contratante principal tem dever de vigilância sobre as condições oferecidas por terceirizadas.
Também lembram que alojamentos devem seguir normas regulamentadoras que preveem requisitos mínimos de higiene, segurança e conforto, como disponibilidade de banheiros, condições adequadas de limpeza e mobiliário básico.
Nesse caso, a existência de um laudo de inadequação, citada pela liderança sindical, reforça a necessidade de medidas imediatas para corrigir irregularidades.
A fiscalização e o cumprimento de responsabilidades contratuais são apontados como caminhos para evitar a repetição de episódios que expõem trabalhadores a riscos e a desamparo.
