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Estados Unidos dominam todo o petróleo do mundo? Pesquisa aponta controle geopolítico que expõe riscos sérios 

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 15/01/2026 às 13:35
Relatório revela que 81% das reservas globais de petróleo estão em países sob influência dos EUA, ampliando riscos geopolíticos, instabilidade no mercado e pressões sobre a segurança energética mundial.
Relatório revela que 81% das reservas globais de petróleo estão em países sob influência dos EUA, ampliando riscos geopolíticos, instabilidade no mercado e pressões sobre a segurança energética mundial.
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Relatório revela que 81% das reservas globais de petróleo estão em países sob influência dos EUA, ampliando riscos geopolíticos, instabilidade no mercado e pressões sobre a segurança energética mundial.

Um novo levantamento internacional reacende o debate sobre a centralidade do petróleo na geopolítica global. De acordo com uma análise divulgada pela organização ambiental 350.org em parceria com a Zero Carbon Analytics, 81% das reservas globais de petróleo estão localizadas em países inseridos na esfera de influência política, econômica ou militar dos Estados Unidos. 

Além disso, esses mesmos países concentram cerca de 68% da produção mundial da commodity.

O estudo aponta que essa concentração amplia riscos sistêmicos para o mercado energético internacional, uma vez que decisões políticas, sanções e conflitos armados passam a ter impacto direto sobre o fornecimento e os preços do petróleo. 

Assim, a dependência de combustíveis fósseis permanece como um fator estrutural de instabilidade econômica e diplomática.

Produção global também segue a lógica dos blocos de poder

Além das reservas, o relatório destaca que 53% da produção mundial de gás natural e 52% das reservas comprovadas dessa fonte também estão em países alinhados aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. 

Nesse contexto, América do Norte, América Central e América do Sul são tratadas como parte direta da esfera de influência norte-americana, reforçando uma estratégia de controle regional sobre recursos energéticos.

Segundo a análise, essa configuração consolida um cenário no qual o acesso ao petróleo e ao gás passa a ser mediado por grandes blocos geopolíticos rivais. Atualmente, 79% da produção global de petróleo está concentrada em países sob influência direta dos Estados Unidos ou da Rússia, o que intensifica disputas e eleva o grau de incerteza no mercado internacional.

Venezuela volta ao centro do tabuleiro energético

A divulgação do relatório ocorre em um momento sensível da política internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara-se para receber em Washington a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel, María Corina Machado. A Venezuela detém cerca de 20% das reservas globais de petróleo bruto, sendo um dos países mais estratégicos do planeta nesse setor.

Após a invasão americana e a captura de Nicolás Maduro, o país voltou ao centro das atenções globais, diante de sinais de reconfiguração econômica e pressões geopolíticas relacionadas ao setor energético. Nesse cenário, o petróleo venezuelano surge novamente como peça-chave na tentativa de Washington de reafirmar sua influência no hemisfério.

Doutrina de segurança amplia alcance estratégico dos EUA

O relatório associa essa concentração de petróleo à mais recente Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump, descrita por analistas como uma releitura da Doutrina Monroe. Batizada por críticos de “Doutrina Donroe”, a política explicita a intenção de ampliar a influência política, econômica e militar dos Estados Unidos, sobretudo em regiões ricas em recursos naturais.

Dentro dessa lógica, o controle indireto sobre reservas e produção de petróleo passa a ser visto como um instrumento central de poder. Países produtores, mesmo sem sofrerem ameaças diretas, acabam integrados aos sistemas financeiro e militar norte-americanos, como ocorre com Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Escalada de tensões amplia volatilidade do petróleo

Para Andreas Sieber, chefe de Estratégia Política da 350.org, a atual dependência global do petróleo cria um ambiente permanente de risco. “Hoje, mais de dois terços do petróleo disponível no mercado global vêm de países onde o governo Trump projeta influência agressiva ou ameaça fazê-lo. 

Cada escalada militar, sanção ou tensão geopolítica se traduz em volatilidade de preços, interrupções no fornecimento e choques econômicos que governos não conseguem controlar”, afirma.

O estudo relembra que, apenas no último ano, os Estados Unidos realizaram bombardeios ou intervenções militares na Venezuela, no Irã e no Iraque, além de emitir ameaças explícitas contra outros países e territórios estratégicos. Esse histórico reforça a percepção de que o petróleo segue diretamente vinculado à instabilidade internacional.

Dependência do petróleo expõe fragilidades econômicas

Na avaliação de Bridget Woodman, chefe de Política e Finanças da Zero Carbon Analytics, o cenário atual representa um alerta para governos que ainda priorizam combustíveis fósseis. “O controle dos combustíveis fósseis está se concentrando em blocos cada vez mais rivais, com impactos inevitáveis sobre a segurança global e os custos do fornecimento de energia”, destaca.

Segundo ela, a exposição a cadeias globais altamente politizadas torna países importadores mais vulneráveis a choques externos, inflação energética e crises de abastecimento. Assim, a centralidade do petróleo deixa de ser apenas uma questão econômica e passa a ser um fator direto de segurança nacional.

Transição energética ganha dimensão estratégica

Embora o relatório tenha como foco o petróleo, ele também aponta caminhos para reduzir a dependência desse modelo. Para os autores, a transição energética deve ser encarada não apenas como resposta à crise climática, mas como uma estratégia de segurança de longo prazo.

Fontes renováveis, como solar e eólica, além de sistemas de armazenamento em baterias e eletrificação, reduzem a exposição a conflitos geopolíticos e diminuem a dependência de rotas internacionais instáveis. 

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a capacidade global de geração renovável deve crescer cerca de 4.600 gigawatts entre 2025 e 2030, o dobro do registrado nos cinco anos anteriores.

Energia local como resposta à instabilidade global

O relatório defende que sistemas energéticos locais, descentralizados e geridos por comunidades oferecem maior previsibilidade econômica e segurança energética. Ao reduzir a centralidade do petróleo, esses modelos limitam o impacto de disputas internacionais sobre o custo e a disponibilidade de energia.

A análise foi elaborada com base em dados públicos do Statistical Review of World Energy 2025, do Energy Institute, e reforça que, enquanto o petróleo permanecer concentrado em poucos polos de poder, a instabilidade seguirá como elemento estrutural do sistema energético global.

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Vera Lúcia
Vera Lúcia
16/01/2026 10:26

Trump O PRESIDENTE MAIS INTELIGENTE DO MUNDO SALVE TRUMP SALVE BEJAMIN

Vera Lúcia
Vera Lúcia
16/01/2026 10:24

EUA E PODEROSO VIA ISRAEL SEMPREEEEEEEEE

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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