1. Início
  2. / Construção
  3. / Estado brasileiro entra no centro da corrida global por minerais críticos ao iniciar construção da maior mina subterrânea de níquel da América Latina, mineral essencial para baterias de carros elétricos que o mundo inteiro disputa neste momento
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 2 comentários

Estado brasileiro entra no centro da corrida global por minerais críticos ao iniciar construção da maior mina subterrânea de níquel da América Latina, mineral essencial para baterias de carros elétricos que o mundo inteiro disputa neste momento

Publicado em 29/03/2026 às 15:46
Atualizado em 29/03/2026 às 15:48
Bahia inicia a maior mina subterrânea de níquel da América Latina, mineral essencial para baterias. Projeto reforça o Brasil na corrida por minerais críticos.
Bahia inicia a maior mina subterrânea de níquel da América Latina, mineral essencial para baterias. Projeto reforça o Brasil na corrida por minerais críticos.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
10 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A Bahia começou a construir a maior mina subterrânea de níquel da América Latina com a abertura do Portal Sul da Mina Santa Rita, no sul do estado, em projeto que vai estender a vida útil da operação por mais 30 anos e posiciona o Brasil no centro da disputa global por minerais críticos usados em baterias de veículos elétricos e tecnologias de transição energética.

A Bahia acaba de entrar no centro de uma das disputas mais acirradas da economia global. A construção da maior mina subterrânea de níquel da América Latina teve início nesta semana com a abertura do Portal Sul da Mina Santa Rita, no sul do estado. O projeto é desenvolvido pela Appian Capital Brazil e pela Atlantic Nickel, em parceria com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). O níquel extraído ali é o mesmo mineral que o mundo inteiro disputa neste momento para fabricar baterias de carros elétricos, sistemas de armazenamento de energia e outras tecnologias ligadas à transição energética.

O momento é estratégico. A operação a céu aberto da Mina Santa Rita já se aproximava da exaustão de suas reservas, o que colocava em risco milhares de empregos diretos e toda a cadeia produtiva que depende da mineração na região. Com a nova fase subterrânea, esse cenário se reverte: o projeto deve ampliar a produção e estender a vida útil da mina por, no mínimo, mais 30 anos. A Bahia não apenas preserva uma operação que já existia ela a transforma na maior mina subterrânea de níquel do continente, entrando de vez na corrida por minerais críticos.

Por que o níquel se tornou um dos minerais mais disputados do planeta

(Imagem: Jidil/Shutterstock)

O níquel não é um mineral novo, mas seu papel na economia global mudou radicalmente nos últimos anos. Ele é considerado estratégico para a transição energética porque é componente essencial na fabricação de baterias de alta densidade as mesmas que alimentam veículos elétricos, sistemas de armazenamento em rede e dispositivos de energia limpa.

Sem níquel de qualidade, a revolução dos carros elétricos simplesmente não acontece no ritmo necessário.

A demanda explodiu. Montadoras como Tesla, BYD e Volkswagen disputam contratos de fornecimento de longo prazo com mineradoras, e governos de países produtores como Indonésia, Filipinas e Austrália passaram a tratar o níquel como ativo de segurança nacional.

Nesse contexto, o Brasil ter a maior mina subterrânea de níquel da América Latina em operação na Bahia coloca o país em uma posição privilegiada dentro de uma cadeia produtiva que só tende a crescer.

O níquel também é classificado como mineral crítico por governos e organismos internacionais. A União Europeia e os Estados Unidos incluíram o metal em suas listas de minerais críticos essenciais, reconhecendo que a dependência de poucos fornecedores cria vulnerabilidades geopolíticas.

A Mina Santa Rita, na Bahia, oferece ao mercado global uma fonte confiável e diversificada em um momento em que diversificação é sinônimo de segurança.

O que é a Mina Santa Rita e por que ela quase fechou

A Mina Santa Rita já operava como mina a céu aberto no sul da Bahia, extraindo níquel para o mercado internacional. Mas toda mina a céu aberto tem um limite: quando as reservas acessíveis pela superfície se esgotam, a operação precisa mudar ou encerrar.

A Santa Rita estava exatamente nesse ponto as reservas superficiais se aproximavam da exaustão, e o encerramento da lavra colocaria em risco não apenas os empregos diretos, mas toda a economia local que gira em torno da mineração.

A solução veio com a decisão de transformar a operação em mina subterrânea. A abertura do Portal Sul, marcada por um desmonte de rochas, é o primeiro passo físico dessa transição. O projeto desenvolvido pela Appian Capital Brazil e pela Atlantic Nickel, com parceria da CBPM, vai acessar reservas de níquel que ficam abaixo do que a mina a céu aberto conseguia alcançar garantindo continuidade operacional por pelo menos três décadas.

Segundo Henrique Carballal, presidente da CBPM, houve atuação direta do governo estadual para viabilizar a nova fase.

“A produção de níquel no estado caminhava para se exaurir com o fim da lavra a céu aberto, e houve uma atuação firme do governador Jerônimo Rodrigues, por meio da CBPM, para garantir a continuidade da operação”, afirmou. A prioridade, segundo ele, foi proteger empregos e assegurar oportunidades dentro de um modelo de mineração sustentável.

A maior mina subterrânea de níquel da América Latina em números

A escala do projeto é o que justifica o título de maior mina subterrânea de níquel da América Latina. A operação subterrânea vai acessar reservas profundas que prolongam a vida útil da Mina Santa Rita por no mínimo 30 anos, um horizonte que dá estabilidade tanto para investidores quanto para a comunidade que depende da atividade.

A cerimônia de abertura do Portal Sul contou com a presença de representantes da CBPM, incluindo o presidente Henrique Carballal, o vice-presidente Carlos Borel, o diretor administrativo Luís Otávio Borges e gerentes das áreas de geologia e administração.

A presença institucional reforça que o projeto não é apenas uma iniciativa privada é uma operação com respaldo e interesse direto do poder público estadual.

Milson Mundim, country manager da Appian Capital Brazil, destacou a parceria com a CBPM como fator estratégico. “Essa colaboração contribui para o desenvolvimento do projeto na Bahia, alinhando mineração responsável com preservação ambiental”, declarou.

O projeto incorpora protocolos de segurança rigorosos e práticas alinhadas aos padrões internacionais de sustentabilidade condições cada vez mais exigidas pelo mercado comprador de minerais críticos.

Como a Bahia se posiciona na corrida global por minerais críticos

A abertura da maior mina subterrânea de níquel da América Latina não é um evento isolado. Ela insere a Bahia em um mapa geopolítico que envolve as maiores economias do mundo.

China, Estados Unidos, União Europeia e Japão travam uma disputa intensa por acesso a minerais críticos como níquel, lítio, cobalto e terras raras todos essenciais para a fabricação de baterias e tecnologias de energia limpa.

O Brasil já possui reservas significativas de vários desses minerais, mas historicamente exportou matéria-prima bruta sem capturar o valor agregado das cadeias industriais a jusante.

A Mina Santa Rita tem potencial para mudar essa lógica: ao ampliar a produção de níquel com padrões de sustentabilidade reconhecidos internacionalmente, a Bahia pode atrair investimentos em beneficiamento e industrialização do mineral no próprio estado.

Carballal, da CBPM, resumiu a ambição ao afirmar que o empreendimento “posiciona a Bahia no centro das discussões globais sobre minerais críticos e transição energética”.

Não é exagero: com a maior mina subterrânea de níquel da América Latina operando no sul do estado, a Bahia passa a ter voz em conversas que antes aconteciam apenas entre Indonésia, Austrália, Canadá e Rússia.

O impacto para quem vive no entorno da Mina Santa Rita

Além da relevância geopolítica, o projeto tem impacto direto e imediato na vida de milhares de pessoas. A mineração é a principal atividade econômica de vários municípios do sul da Bahia, e o possível encerramento da mina a céu aberto ameaçava gerar uma crise socioeconômica regional.

Com a nova fase subterrânea, empregos diretos e indiretos estão garantidos por pelo menos mais 30 anos um horizonte que permite planejamento de longo prazo para famílias e negócios locais.

A CBPM destacou que a iniciativa impulsiona o desenvolvimento socioeconômico da Bahia com geração de empregos, dinamização da economia local e fortalecimento de políticas de responsabilidade social. Os fornecedores da cadeia produtiva empresas de logística, alimentação, equipamentos e serviços técnicos também ganham previsibilidade. Quando uma mina tem vida útil de 30 anos, toda a rede de negócios ao redor pode investir e crescer com segurança.

O desafio agora é garantir que a operação subterrânea se desenvolva dentro dos padrões prometidos. Minas subterrâneas são mais complexas e exigem controles de segurança mais rigorosos do que operações a céu aberto.

A Appian Capital Brazil e a Atlantic Nickel afirmam que o projeto segue protocolos internacionais, mas a fiscalização constante será fundamental para que a maior mina subterrânea de níquel da América Latina entregue não apenas produção, mas também segurança para quem trabalha dentro dela.

Com informações do portal Minera Brasil.

O que você acha: a Bahia está no caminho certo ao investir na mineração de níquel para baterias, ou o Brasil deveria ir além e industrializar o mineral no próprio estado? Deixe sua opinião nos comentários o debate sobre minerais críticos e o futuro energético do país precisa da sua participação.

Inscreva-se
Notificar de
guest
2 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Veiga, William
Veiga, William
30/03/2026 08:43

Madeira Plástica?

Ou e Madeira, ou e plástico!!!!

Agora, se quiser chamar de plástico com aparência de madeira, é até aceitável… Mas, madeira Plástica não existe…

F.C.CBrasil
F.C.CBrasil
29/03/2026 19:22

Industrializar o produto

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
2
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x