Pesquisa da CNT de 2023 revela quais são as vias com as melhores condições de pavimento, sinalização e infraestrutura do país; veja o ranking e os motivos da hegemonia paulista.
A pesquisa avaliou 111.502 quilômetros de rodovias e os resultados mostram um domínio absoluto das estradas concedidas à iniciativa privada, com um destaque especial para o estado de São Paulo. Conhecer as melhores rodovias do Brasil ajuda a entender o padrão de qualidade que pode ser alcançado com investimentos contínuos e uma gestão eficiente.
De acordo com a 26ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada em 29 de novembro de 2023, a qualidade das estradas brasileiras ainda é um grande desafio, mas alguns trechos se destacam como exemplos de excelência. O estudo, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com o SEST SENAT, é a mais ampla análise sobre a infraestrutura rodoviária do país e serve como um termômetro para a segurança e a eficiência logística nacional.
O que define uma rodovia de excelência?
Para classificar as estradas, a Pesquisa CNT de Rodovias analisa três grandes variáveis: pavimento, sinalização e geometria da via. No quesito pavimento, são observadas as condições da superfície, como a presença de trincas, remendos e buracos. A sinalização avalia a legibilidade e a visibilidade de placas de limite de velocidade e indicação, além das condições das faixas pintadas na pista. Por fim, a geometria da via leva em conta características como o tipo de rodovia (pista simples ou dupla), a presença de acostamento e a existência de curvas perigosas.
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O estudo de 2023 apontou que 67,5% da malha rodoviária avaliada apresentou alguma deficiência, sendo classificada como regular, ruim ou péssima. Em contraste, as rodovias concedidas, que representam 25,3% do total pesquisado, receberam a classificação de “ótimas” ou “boas” em 84,4% de seus trechos.
O ranking das 5 melhores rodovias do Brasil em 2023
A hegemonia paulista no ranking das melhores rodovias do Brasil é um reflexo direto do programa de concessões do estado, iniciado na década de 1990. Todas as cinco primeiras colocadas estão em São Paulo e são administradas pela iniciativa privada.
Rodovia dos Bandeirantes (SP-348): principal ligação entre a cidade de São Paulo e o município de Cordeirópolis.
Rodovia Governador Carvalho Pinto (SP-070): parte do complexo Ayrton Senna/Carvalho Pinto, que liga a capital ao Vale do Paraíba.
Rodovia Brigadeiro Faria Lima (SP-326): importante via que atravessa a região de Ribeirão Preto.
Rodovia D. Pedro I (SP-065): forma o anel viário da Região Metropolitana de Campinas.
Rodovia dos Imigrantes (SP-160): principal ligação entre São Paulo e o litoral sul, famosa por sua moderna infraestrutura.

Um olhar detalhado sobre as campeãs de São Paulo

A liderança no ranking não é por acaso. A Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), administrada pela concessionária CCR AutoBAn, é frequentemente citada como um modelo de gestão. A via conta com pavimento de alta qualidade, sinalização exemplar e um robusto sistema de monitoramento com câmeras e sensores que garantem atendimento rápido em caso de incidentes.
Da mesma forma, a Rodovia Governador Carvalho Pinto (SP-070), sob gestão da Ecopistas, se destaca pelos investimentos em tecnologia. A concessionária utiliza painéis de mensagens variáveis e sistemas de análise de tráfego em tempo real para garantir maior fluidez e segurança aos usuários, especialmente durante feriados e temporadas de alta demanda.
O desafio das estradas públicas
Enquanto as rodovias concedidas de São Paulo apresentam um padrão de excelência, a realidade em grande parte do país é desafiadora. A pesquisa da CNT apontou que, nas rodovias sob gestão pública, 77,1% dos trechos foram classificados como regulares, ruins ou péssimos.
A falta de investimentos contínuos em manutenção é o principal fator para a degradação. Em 2023, o investimento federal em infraestrutura de transporte foi de R$ 13,22 bilhões, valor considerado insuficiente pela CNT para reverter o quadro. Estradas de má qualidade não apenas aumentam o risco de acidentes, mas também geram prejuízos econômicos. Segundo a CNT, o custo operacional do transporte é 33,1% maior nos trechos com pavimento em estado péssimo, impactando o preço final dos produtos.
A aposta em novas concessões
Para reverter o cenário de degradação e expandir a qualidade vista nas melhores rodovias do Brasil para outras regiões, a aposta continua sendo o modelo de concessões. O Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes, e diversos governos estaduais têm planos para leiloar novos trechos nos próximos anos.
A expectativa é que a injeção de capital privado possa acelerar a recuperação e modernização da infraestrutura. A melhoria das estradas é um projeto de longo prazo que exige planejamento, segurança jurídica para atrair investidores e fiscalização eficiente dos contratos para garantir que a segurança e a eficiência se tornem a regra, e não a exceção, nas rodovias brasileiras.

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