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Entre o Alasca e a Sibéria há um abismo no fundo mar, uma fenda submarina de 2.600 metros que supera o Grand Canyon em escala vertical e abriga um dos ecossistemas mais raros do planeta

Publicado em 17/05/2026 às 21:20
Atualizado em 17/05/2026 às 21:23
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Imagem: Ilustração artística
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Com 2.600 metros de profundidade entre o Alasca e a Sibéria, o Cânion de Zhemchug supera o Grand Canyon em escala vertical e revela um ecossistema submerso raro no Mar de Bering

O Cânion de Zhemchug, entre o Alasca e a Sibéria, despenca cerca de 2.600 metros, supera verticalmente o Grand Canyon e revela uma das paisagens submersas mais extremas do planeta.

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A fenda submarina que passa o Grand Canyon

O Cânion de Zhemchug recebe esse nome de uma palavra russa que significa “pérola”. A formação fica sob águas turbulentas, como uma gigantesca fenda submarina.

Sua profundidade vertical absoluta chega a 2.600 metros, enquanto o Grand Canyon, no Arizona, alcança 1.857 metros em sua profundidade máxima.

A comparação mostra por que a formação chama atenção. Menos visível que a atração turística dos Estados Unidos, o Cânion de Zhemchug supera o desfiladeiro americano na escala vertical.

Além da profundidade, a depressão aquática engloba área total de 11.350 km². O volume de água gélida associado à formação é estimado em aproximadamente 5.800 km³.

As medidas que definem o recorde da fenda submarina

O título de maior do mundo depende de critérios diferentes, pois outros vales submarinos lideram categorias específicas. O Cânion de Zhemchug se destaca nas métricas de profundidade vertical e área de drenagem.

O Kroenke Canyon, no Pacífico Ocidental, vence em extensão linear, com cerca de 700 km. Já o Cânion de Bering disputa a liderança em volume total, com 4.300 km³ de retenção hídrica.

Pelos dados comparativos, o Cânion de Zhemchug tem 2.600 metros de profundidade máxima e 160 km de comprimento linear. O Grand Canyon tem 1.857 metros de profundidade máxima e 446 km de extensão.

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Como o rio Yukon ajudou a abrir o abismo

A origem da fratura remonta ao último período glacial. Naquele momento, os oceanos estavam entre 100 e 120 metros abaixo do nível atual, deixando exposta a plataforma continental onde a fenda se encontra hoje.

Com a área em terra firme, o rio Yukon fluía muito mais a sudoeste do que em seu curso regular atual. Esse antigo caminho ajudou a esculpir a base da trincheira.

Depois da glaciação, a alta do nível marítimo afundou completamente o terreno. A partir daí, correntes de turbidez, carregadas por sedimentos e rochas, passaram a raspar as paredes e aplainar a topografia abrupta.

Esse processo contínuo moldou a depressão. A erosão milenar, associada à mudança do nível dos oceanos, explica a paisagem profunda escondida sob o Mar de Bering.

Ressurgência sustenta vida no fundo do mar

Apesar da escuridão e da profudidade, o Cânion de Zhemchug não é descrito como deserto sem vida. Sua topografia acidentada cria um fenômeno conhecido como upwelling, ou ressurgência profunda.

Essa dinâmica leva água gelada e rica em minerais vitais para a superfície. O movimento forma o Cinturão Verde do Mar de Bering, associado a nutrientes em suspensão.

O resultado é um ecossistema grande e complexo, com habitat tridimensional. Entre os organismos citados estão colônias bioluminescentes de corais de água fria, instaladas em paredões rochosos da formação.

Também aparecem esponjas gigantes multicelulares, que filtram fortes correntes oceânicas profundas. O ambiente ainda abriga espécies pesqueiras comerciais, como o bacalhau-do-Pacífico, e populações abundantes e reprodutivas de halibute-do-Pacífico.

Exploração humana e mapas do vale oculto

A exploração presencial dessa trincheira exige grande capacidade técnica. Em 2016, a ecologista marinha do Alasca Michelle Ridgway comandou sozinha um submarino de 2,4 metros e alcançou 536 metros de profundidade.

O mergulho ocorreu dentro do limite suportado pelos cascos de pressão. A missão mostrou como o acesso direto ao Cânion de Zhemchug é restrito, arriscado e dependente de equipamentos preparados para águas profundas.

O pesquisador Dan O’Neill, do Geophysical Institute da University of Alaska, destacou que a superfície lisa da água esconde a real face da depressão submarina.

Por isso, a geografia do vale oculto ganha forma por mapeamentos batimétricos computadorizados. Esses levantamentos permitem visualizar contornos que não aparecem para quem observa apenas a superfície do mar.

As fendas submersas continuam entre os territórios mais inóspitos e menos compreendidos. A evolução dos radares acústicos de alta frequência deverá entregar, na próxima década, mapas tridimensionais definitivos dessas áreas.

O domínio técnico dessas informações cartográficas pode redefinir estratégias globais de preservação da biodiversidade extrema marítima.

A proteção dessas trincheiras também é apresentada como essencial para manter o equilíbrio biológico pesqueiro e marihno.

Com informações de BMC News.

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Romário Pereira de Carvalho

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