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Enquanto mundo abre o olho para o PIX inventado no Brasil, Eduardo Bolsonaro se une aos EUA e sugere trocar sistema usado por mais de 170 milhões de brasileiros; Trump acusa o PIX de prejudicar gigantes como Visa e Mastercard.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/06/2026 às 14:09
Atualizado em 04/06/2026 às 14:19
Assista o vídeoEduardo Bolsonaro compara Pix ao Zelle em meio à pressão dos EUA sobre pagamentos digitais e possível tarifa contra produtos brasileiros.
Eduardo Bolsonaro compara Pix ao Zelle em meio à pressão dos EUA sobre pagamentos digitais e possível tarifa contra produtos brasileiros.
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Pressão dos Estados Unidos sobre pagamentos digitais reacende debate sobre o Pix, coloca Eduardo Bolsonaro no centro da polêmica e expõe diferenças entre o sistema brasileiro e o Zelle, modelo privado usado por bancos norte-americanos em transferências entre contas.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que o Brasil leve o Pix para uma negociação com os Estados Unidos, em meio à pressão comercial do governo Donald Trump contra políticas brasileiras de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico.

A declaração foi dada na quarta-feira (4/6), dois dias depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, anunciar que considera acionáveis, pela Seção 301 da legislação comercial norte-americana, práticas atribuídas ao Brasil nessa área.

Em entrevista ao portal TMC News, Eduardo comparou o sistema brasileiro ao Zelle, plataforma privada usada nos Estados Unidos para transferências entre contas bancárias integradas a instituições financeiras participantes.

“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, afirmou.

A fala ganhou repercussão porque o Pix, criado e operado pelo Banco Central, se tornou um dos principais meios de pagamento do país e alcança mais de 170 milhões de pessoas físicas, segundo dados oficiais da autoridade monetária.

Esse número equivale a cerca de 80% da população brasileira, enquanto as estatísticas do BC mostram mais de 7 bilhões de transações em janeiro de 2026 e recorde diário de 313,3 milhões de operações em 5 de dezembro de 2025.

Pix entra no centro da disputa comercial com os EUA

A pressão norte-americana sobre o Brasil avançou em 1º de junho de 2026, quando o USTR informou ter concluído que determinadas políticas brasileiras são “irracionais ou discriminatórias” e restringem o comércio dos Estados Unidos.

No comunicado, o órgão cita comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal entre os temas analisados na investigação comercial aberta contra o Brasil.

Na parte relacionada a pagamentos, o USTR afirma que o Brasil teria desfavorecido empresas norte-americanas que competem no setor de serviços eletrônicos, inclusive por políticas que, segundo o órgão, favoreceriam um “campeão nacional”.

O comunicado oficial não cita nominalmente Visa e Mastercard, mas enquadra o sistema brasileiro de pagamentos dentro de uma disputa mais ampla envolvendo empresas dos Estados Unidos no mercado digital.

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Como resposta à investigação, o governo Trump propôs uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, medida ainda sujeita a consulta pública antes de decisão final.

Segundo a Reuters, a proposta teria exceções para itens como carne bovina, café, terras raras, energia, metais e componentes aeronáuticos, enquanto integrantes do governo brasileiro contestaram as justificativas apresentadas por Washington.

O calendário divulgado pelo USTR prevê prazo para comentários escritos até 1º de julho de 2026, audiência pública em 6 de julho e decisão final até 15 de julho.

Aberta em 15 de julho de 2025, a investigação ocorreu sob a Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos e recebeu mais de 295 comentários e manifestações durante a fase de consulta.

Eduardo Bolsonaro cita terras raras e manganês em negociação

Além de aproximar Pix e Zelle no debate com os Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro afirmou que o Brasil poderia incluir recursos minerais estratégicos nas conversas bilaterais com o governo norte-americano.

“Dá botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação sobre qualquer meio de pagamento que a gente utiliza aqui”, disse, ao mencionar terras raras e manganês.

A referência aos minerais aparece em um contexto de disputa internacional por insumos usados em cadeias de alta tecnologia, energia e defesa, áreas nas quais terras raras e outros recursos estratégicos têm peso comercial e geopolítico.

Apesar da fala, não há registro de proposta formal do governo brasileiro para substituir o Pix pelo Zelle nem de plano público para negociar o sistema brasileiro de pagamentos com os Estados Unidos.

Atualmente, Eduardo Bolsonaro aparece no portal da Câmara como filiado ao PL de São Paulo, mas sem exercício parlamentar em 2026, após decisão da Mesa Diretora da Casa.

A perda de mandato foi declarada em 18 de dezembro de 2025, conforme registro oficial da Câmara dos Deputados, o que corrige a referência a ele como deputado federal em exercício.

Pix e Zelle têm estruturas diferentes

Embora Eduardo Bolsonaro tenha comparado os dois sistemas, Pix e Zelle funcionam com estruturas diferentes, tanto no modelo de operação quanto no alcance entre usuários e instituições participantes.

O Pix é uma infraestrutura pública criada pelo Banco Central, aberta a instituições financeiras e de pagamento no Brasil, usada por pessoas físicas, empresas e órgãos públicos em transferências, cobranças e pagamentos comerciais.

As transações pelo Pix ficam disponíveis 24 horas por dia, todos os dias da semana, e são concluídas em poucos segundos, conforme as regras e informações divulgadas pelo Banco Central.

Já o Zelle funciona como uma rede privada integrada a aplicativos de bancos e cooperativas de crédito dos Estados Unidos, com uso condicionado à participação das instituições financeiras e à elegibilidade das contas envolvidas.

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De acordo com a própria plataforma, o serviço está disponível em mais de 2.400 aplicativos financeiros e costuma concluir transferências em minutos quando o destinatário já está cadastrado no sistema.

A comparação entre os dois modelos exige observar essas diferenças operacionais, já que o Pix opera como infraestrutura nacional padronizada, enquanto o Zelle se concentra em transferências entre usuários vinculados a bancos participantes.

A Gazeta do Povo registrou que a fala de Eduardo foi interpretada nas redes como defesa da troca do Pix pelo Zelle, embora a proposta de substituição não tenha sido apresentada de forma direta pelo ex-deputado.

A publicação também destacou que o Pix é administrado pelo Banco Central, enquanto o Zelle é controlado por uma rede privada ligada a grandes bancos norte-americanos.

Sistema brasileiro ganhou escala e atenção internacional

Desde o lançamento, o Pix passou a integrar a rotina de pagamentos no Brasil, com uso amplo em transferências entre pessoas, compras em estabelecimentos comerciais, cobranças por QR Code e operações de empresas.

O alcance do sistema também passou a ser observado fora do país, especialmente porque ele se consolidou em um mercado no qual cartões, maquininhas e bandeiras internacionais tinham participação relevante.

Em março de 2026, o Banco do Brasil lançou uma funcionalidade que permitiu a brasileiros usarem Pix em compras na Argentina, por meio de parceria com o Banco Patagonia.

A Reuters informou que a iniciativa marcou a primeira expansão do uso do Pix fora do território brasileiro, com pagamento em reais pelo consumidor e recebimento em pesos pelo comerciante argentino.

A disputa com os Estados Unidos ocorre no momento em que o sistema brasileiro combina ampla adesão doméstica, novas funcionalidades e interesse internacional por modelos de pagamento instantâneo.

Para Washington, a discussão aparece dentro de um pacote de queixas comerciais envolvendo práticas brasileiras em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico e outros setores econômicos.

No Brasil, o tema envolve uma infraestrutura pública de pagamento administrada pelo Banco Central e utilizada diariamente por pessoas físicas, empresas, instituições financeiras e órgãos públicos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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