Kelly começou há 10 anos, quando uma criança sob seus cuidados pegou piolho, e hoje atende de duas a três por dia com um óleo extrator de lêndeas de fabricação própria. A briga do ex-casal repercutiu tanto que a prefeitura do Rio de Janeiro divulgou um alerta sobre o parasita
A discussão pública entre a atriz Luana Piovani e o surfista Pedro Scooby sobre onde a filha de 11 anos teria pegado piolho reacendeu a atenção para um parasita de cerca de 2 milímetros que não pula, mas se move rápido pelos fios de cabelo. Enquanto o ex-casal trocava acusações nas redes sociais, uma ex-babá chamada Kelly seguia fazendo do combate ao piolho a profissão que sustenta sua família.
As informações são de reportagem de TV publicada no YouTube, que ouviu Kelly, uma cliente dela e um profissional de saúde sobre o tratamento, e reproduziu as postagens do ex-casal.
Luana disse que a filha voltou com piolho da casa do pai

Luana Piovani mostrou nas redes sociais que estava catando os bichos do cabelo da filha e criticou o ex-marido. Segundo a atriz, a menina começou a coçar a cabeça uma semana depois de passar dias com o pai, no Brasil.
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Ela contou ainda com o apoio de Cintia Dicker, que havia anunciado o término com Scooby nos dias anteriores. Na mensagem reproduzida por Luana, Cintia escreveu: “Foi uma semana depois, ela pegou piolho no Brasil com você. Nós temos problemas de piolho em Portugal, mas eu sou sempre muito atenta”.
Scooby rebateu: “É uma coisa recorrente em Portugal”
Pedro Scooby afirmou que a filha voltou contaminada da viagem com a mãe, em Portugal, e que a família cuidou do problema no Brasil.
“A gente tava limpando, tirando os piolhos. Normal, deve ter alguns ainda. Tanto que a Aurora nunca teve piolho aqui, o Dom nunca teve piolho, estando aqui no Brasil, e é uma coisa recorrente em Portugal”, disse o surfista. A troca de acusações foi acalorada e virou assunto na internet.
Repercussão fez a prefeitura do Rio emitir alerta
A discussão ganhou tanta repercussão que a prefeitura do Rio de Janeiro divulgou um alerta sobre o piolho, segundo a reportagem.
O episódio, que começou como briga de ex-casal famoso, acabou funcionando como campanha involuntária de saúde pública sobre um parasita comum e pouco falado.
Piolho mede 2 milímetros e a fêmea põe até 300 ovos em um mês

O piolho mede por volta de 2 milímetros, gruda no cabelo, usa os fios para se locomover e suga o sangue do couro cabeludo. Apesar do tamanho, se multiplica com rapidez.
As fêmeas podem colocar até 10 ovos por dia, e um piolho vive até um mês; nesse período, uma fêmea pode botar até 300 ovos. Esses ovos são as lêndeas, que se transformam em novos piolhos. Segundo a reportagem, os piolhos não transmitem doenças.
Contágio vem de boné, lençol, escova e até selfie
O piolho não pula, mas anda, e é assim que passa de uma pessoa para outra. A transmissão acontece por meio de bonés, lençóis, fronhas, escovas e até por aquela selfie em que uma cabeça encosta na outra.
A infestação é muito mais comum em crianças, mas adultos também podem pegar, e é nessa faixa ampla de idade que o trabalho de Kelly acontece.
O mais importante é tirar as lêndeas, diz profissional de saúde
Existem loções, comprimidos que diminuem a procriação do piolho e outras medicações para o tratamento, explicou um profissional de saúde ouvido pela reportagem.
“O mais importante é retirar as lêndeas, os ovos do piolho, da cabeça”, afirmou. Para isso, é preciso visão excelente e preparo para encontrar os bichos escondidos no couro cabeludo, exatamente a habilidade que transformou Kelly em profissional.
Tudo começou há 10 anos, com sete crianças dentro de casa
Kelly trabalhava como babá há 10 anos quando uma das crianças de quem cuidava foi infectada. Não demorou para que outras crianças da escola aparecessem coçando a cabeça.
“Eu já cheguei a ter sete crianças dentro de casa para olhar. Então, um dia uma dessas crianças pegou piolho. A mãe ficou desesperada. Eu falei: ‘Não, pode deixar que eu vou limpar'”, contou Kelly. A destreza para caçar os bichos impressionou as mães, e ela percebeu que muita gente não tinha nenhum tratamento eficaz.
Receita caseira leva vinagre, óleos essenciais e arruda
O método de Kelly usa um óleo extrator de lêndeas que ela mesma fabrica. A receita é natural: uma mistura de vinagre, óleos essenciais e uma infusão de arruda com outras plantas.
“Desembaraço o cabelo da criança, faço as repartições que tem que fazer, passo o óleo extrator de lêndeas, que sou eu mesma que fabrico”, descreveu. Segundo ela, o óleo serve para soltar as lêndeas da raiz do cabelo: “Soltando, sai tudo no pentinho”.
Pente fino passa várias vezes até não sobrar nada
Depois do óleo, o segredo do trabalho é o pente bem fino, passado várias vezes até a certeza de que todas as lêndeas e todos os piolhos foram embora.
Kelly atende cerca de duas a três crianças por dia e, segundo a reportagem, garante que não sobra um piolho para contar a história. É com esse serviço que ela sustenta a família.
Clientes vão de crianças a idosos, e a vergonha ainda é grande
Kelly contou que atende todo tipo de cliente, de crianças a idosos, e que ainda existe muita vergonha em admitir que se precisa de ajuda contra o piolho.
“Eu vejo mãe mandando a criança pra escola com gel de glitter para confundir o glitter com a lêndea, para ninguém ver na escola”, relatou. A cliente Bruna, que encontrou Kelly pelas redes sociais, resumiu a dificuldade: “Eu já comprei o shampoo, já passei shampoo, já dei remédio, mas sempre vai e volta. Então, quando eu achei ela, eu fiquei muito feliz”.
Inseticida, creolina e querosene não matam piolho e fazem mal
Kelly diz já ter visto pessoas passarem de tudo na cabeça para se livrar da coceira: inseticida, creolina, querosene e outros produtos. Nenhum deles mata o piolho, e ainda podem causar problemas de saúde.
“Um milhão de receitas na internet, eu não recomendo”, afirmou. Segundo ela, já atendeu clientes que chegaram com irritações horríveis no couro cabeludo, alergias e dermatite depois de tentar essas fórmulas.
Enquanto o ex-casal discute, a agenda de Kelly segue cheia
A briga entre Luana Piovani e Pedro Scooby sobre a origem do piolho da filha não teve, na reportagem, uma conclusão sobre se a menina foi infectada no Brasil ou em Portugal. O que ficou foi o alerta da prefeitura do Rio de Janeiro e a exposição de um problema que atinge crianças e adultos.
Do outro lado, Kelly segue atendendo de duas a três crianças por dia com pente fino e óleo caseiro, dez anos depois de trocar a rotina de babá pela de catadora profissional. “Piolho é a praga do século, então ele nunca vai acabar. Então sempre vai ter alguém com piolho e eu tô sempre pronta para ajudar”, disse ela.
Na sua opinião, contratar uma catadora profissional como a Kelly é a solução definitiva para o piolho, ou o problema só acaba quando a escola inteira trata ao mesmo tempo? Deixe sua opinião nos comentários.

