Santa Catarina aparece entre os destaques nacionais em indicadores de Bolsa Família, desemprego e renda, segundo dados oficiais citados no levantamento. O cenário combina menor participação em programas sociais, avanço do trabalho formal e desafios ligados à vulnerabilidade urbana, saneamento, moradia e custo de vida em diferentes regiões do estado.
Santa Catarina registrou, em 2025, a menor proporção de domicílios beneficiados pelo Bolsa Família entre os estados brasileiros, conforme dados atribuídos ao IBGE.
No período, 3,9% das casas catarinenses recebiam o programa, percentual inferior aos 4,3% registrados em 2024 e distante da média nacional, de 17,2%.
Em fevereiro de 2026, o Bolsa Família alcançava mais de 49,32 milhões de pessoas no país, distribuídas em 18,84 milhões de lares, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
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Na comparação entre os estados, Santa Catarina ficou à frente de São Paulo, com 7,6% dos domicílios atendidos, Rio Grande do Sul, com 7,7%, Paraná, com 8%, Mato Grosso do Sul, com 9,5%, e Distrito Federal, com 10,5%.
Santa Catarina tem menor participação no Bolsa Família
Além da menor proporção no Bolsa Família, o estado também apresentou a menor presença de programas sociais no orçamento das famílias, de acordo com os dados citados.
Em 2025, 6,9% dos domicílios catarinenses tinham algum rendimento de iniciativas como Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada, enquanto a média brasileira ficou em 22,7%.
Entre os estados do Sul, o Rio Grande do Sul registrou 11,5% dos domicílios com esse tipo de rendimento, enquanto o Paraná chegou a 12,8%.
Esses percentuais indicam menor participação das transferências de renda na composição dos domicílios catarinenses, na comparação com a média nacional e com os demais estados da região.
O recuo ocorre em um cenário de mercado de trabalho com saldo positivo de empregos formais no estado.
Santa Catarina criou 59.184 empregos com carteira assinada em 2025, resultado de 1.721.751 admissões e 1.662.567 desligamentos, segundo o Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 29 de janeiro de 2026.
Todos os cinco grandes setores econômicos tiveram saldo positivo no estado ao longo do ano. O setor de serviços liderou a geração de vagas, com 38.744 postos, seguido por comércio, construção, indústria e agropecuária.
Desemprego baixo e renda maior no estado
No primeiro trimestre de 2026, Santa Catarina registrou a menor taxa de desocupação do país, com 2,7%, segundo a PNAD Contínua do IBGE.
No mesmo período, a média nacional ficou em 6,1%, o que colocou o estado na menor faixa de desemprego entre as unidades da federação.
Os dados de rendimento também apresentaram alta no estado. Entre 2024 e 2025, o rendimento médio mensal em Santa Catarina passou de R$ 3.587 para R$ 3.900, variação de 8,7%, conforme levantamento atribuído ao IBGE.
Com esse resultado, Santa Catarina permaneceu entre os estados com maiores rendas médias do país, atrás de unidades federativas com rendimento superior no mesmo recorte.
No cenário nacional, o IBGE informou que o rendimento médio mensal real de todas as fontes chegou a R$ 3.367 em 2025, maior valor da série histórica da PNAD Contínua iniciada em 2012.
A combinação de emprego formal, renda mais alta e baixa desocupação é apontada pelo governo estadual como um dos fatores relacionados à menor participação do Bolsa Família em Santa Catarina.
Ainda assim, os indicadores econômicos não eliminam a presença de famílias em situação de vulnerabilidade nem substituem a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção social.
O governador Jorginho Mello afirmou que a geração de emprego é tratada pelo governo estadual como eixo da política social. “A melhor política social é a geração de emprego”, disse ele, ao defender um ambiente favorável a empresas e trabalhadores.
Indicadores sociais ainda exigem atenção
Mesmo com os resultados de emprego e renda, Santa Catarina ainda apresenta desafios sociais apontados por entidades e levantamentos públicos.
O IBGE define favelas e comunidades urbanas como territórios formados em meio à insuficiência de políticas públicas, infraestrutura urbana e garantia plena do direito à moradia.
O presidente do Instituto Selo Social, Fernando Assanti, chamou atenção para a existência de comunidades vulneráveis no estado e para o impacto da migração interestadual em busca de emprego, renda e qualidade de vida.
Na avaliação dele, emprego e renda são fatores relevantes, mas precisam estar associados a educação, saúde, assistência social, moradia e saneamento.
A análise indica que indicadores econômicos favoráveis não resolvem, isoladamente, pressões sobre custo de vida e acesso a serviços básicos.
Em cidades como Florianópolis e Balneário Camboriú, temas como renda, moradia e infraestrutura aparecem entre os fatores que afetam famílias de menor poder aquisitivo.
Nesse contexto, a baixa dependência do Bolsa Família convive com demandas sociais ainda presentes em diferentes regiões catarinenses.

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