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Enfermeira que chegava em casa de madrugada num bairro perigoso do Queens, ela montou com o marido o primeiro sistema de segurança residencial com câmera e monitor, invenção hoje citada em mais de 30 patentes

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 06/08/2026 às 19:24 Atualizado em 06/08/2026 às 19:28
Enfermeira do Queens chegava em casa de madrugada e criou com o marido o primeiro sistema de segurança residencial com câmera, patenteado em 1969
Enfermeira do Queens chegava em casa de madrugada e criou com o marido o primeiro sistema de segurança residencial com câmera, patenteado em 1969
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A enfermeira Marie Van Brittan Brown morava em Jamaica, no Queens, em Nova York, e trabalhava em turnos noturnos. O marido, técnico em eletrônica, também tinha horários irregulares. O pedido de patente foi protocolado em 1º de agosto de 1966 e concedido em 2 de dezembro de 1969, com o nome dela como inventora principal.

O medo era concreto e tinha número. Crimes graves no Queens subiram cerca de 32% entre 1960 e 1965, e a polícia demorava a atender chamados de emergência. Foi nesse cenário que a enfermeira Marie Van Brittan Brown, moradora do bairro de Jamaica, em Nova York, resolveu criar um jeito de saber quem estava do outro lado da porta antes de abrir.

Ela chamou o marido, Albert L. Brown, técnico em eletrônica, para resolver a parte elétrica. O pedido de patente foi protocolado em 1º de agosto de 1966 e concedido em 2 de dezembro de 1969, sob o número 3.482.037, com o nome dela registrado como inventora principal.

Por que a enfermeira ficava sozinha em casa

Enfermeira do Queens chegava em casa de madrugada e criou com o marido o primeiro sistema de segurança residencial com câmera, patenteado em 1969
Enfermeira do Queens chegava em casa de madrugada e criou com o marido o primeiro sistema de segurança residencial com câmera, patenteado em 1969

A rotina do casal explica a origem da ideia. Ela trabalhava em um hospital do próprio bairro, em turnos noturnos e irregulares, chegando em casa tarde da noite.

O marido também não cumpria expediente convencional. Como técnico em eletrônica, tinha jornadas longas e horários imprevisíveis. O resultado era que os dois raramente estavam em casa ao mesmo tempo, e ela passava boa parte das noites sozinha em uma região que, naqueles anos, acumulava aumento de criminalidade e enfrentava lentidão no atendimento policial.

Como o sistema funcionava

O conjunto imaginado por ela é surpreendentemente parecido com o que existe hoje, e a descrição vem do próprio documento de patente. Um gabinete era fixado no lado interno da porta de entrada, abrigando uma câmera motorizada.

A porta recebia quatro olhos mágicos em alturas diferentes. A câmera deslizava para cima e para baixo, acionada por motor elétrico, permitindo enquadrar visitantes de estaturas variadas. O ponto mais alto identificava um adulto de porte grande, e o mais baixo mostrava se havia uma criança à porta. A imagem chegava a um monitor instalado no quarto, descrito pelo New York Times como semelhante a um pequeno televisor de cabeceira.

O que ela podia fazer sem sair da cama

O sistema não parava na imagem. Havia microfone e alto-falante, permitindo conversar com quem estava do lado de fora sem abrir a porta nem se aproximar dela.

E havia dois botões decisivos. Um destrancava a porta à distância, caso a moradora concluísse que era seguro. O outro disparava um alarme, acionando polícia ou serviço de segurança. É essa combinação de câmera, monitor, áudio de duas vias, abertura remota e botão de emergência que faz o conjunto ser apontado como o primeiro sistema de segurança residencial com circuito fechado de televisão.

O que a enfermeira disse ao New York Times

Enfermeira do Queens chegava em casa de madrugada e criou com o marido o primeiro sistema de segurança residencial com câmera, patenteado em 1969
Enfermeira do Queens chegava em casa de madrugada e criou com o marido o primeiro sistema de segurança residencial com câmera, patenteado em 1969

O jornal publicou uma nota sobre a patente em 6 de dezembro de 1969, quatro dias após a concessão, em uma coluna dedicada a registros aprovados. A reportagem trazia foto do casal.

Em entrevista, ela apontou dois usos que tinha em mente. O primeiro era doméstico: uma mulher sozinha poderia acionar um alarme imediatamente ao apertar um botão. O segundo era profissional, e ela sugeriu que, instalado em consultório médico, o equipamento poderia impedir assaltos. A matéria destacava ainda o potencial do sistema para fabricantes e construtoras.

Por que nunca virou produto

Apesar da repercussão, o equipamento não chegou ao mercado. A explicação mais citada é econômica.

Segundo Robert McCrie, especialista em gestão de emergências do John Jay College of Criminal Justice, em Manhattan, o custo de instalação seria bastante alto para a época. O sistema também estava à frente do próprio tempo: exigia câmera motorizada, monitor dedicado e cabeamento em uma casa comum dos anos 1960, quando nem sequer existia mercado de vigilância residencial. O casal chegou a manifestar a intenção de instalar uma unidade na própria residência.

O que a patente aproveitou de tecnologia existente

Vale registrar que a invenção não surgiu do nada. O documento de patente faz referência a tecnologias anteriores, entre elas sistemas de circuito fechado desenvolvidos pela RCA e trabalhos de outros inventores sobre alarmes e fechaduras.

A tecnologia de circuito fechado de televisão já existia desde a Segunda Guerra Mundial. O que não existia era a aplicação dela ao ambiente doméstico, controlada pelo próprio morador, com essa combinação de recursos em um único conjunto. A originalidade estava no arranjo e no uso, não na criação de um componente inédito.

Quantas patentes citam o trabalho dela

O número que mede a influência do invento varia conforme a publicação, e vale conhecer a faixa. O Instituto Smithsonian, o Centro de Ciência e Tecnologia da Universidade Princeton e o portal Praos informam 35 patentes americanas.

O programa Lemelson, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, registra 32 citações em pedidos posteriores. Já uma publicação jurídica americana aponta 38. Todas convergem para a mesma conclusão: o trabalho continuou sendo referenciado por inventores por décadas, inclusive após a morte dela.

Os dados biográficos que divergem

Também há discordância nos registros pessoais. A data de nascimento aparece como 30 de outubro de 1922 na Wikipédia em inglês, na EBSCO e em trabalho acadêmico sobre a inventora, e como 22 de outubro de 1922 no material da Universidade Princeton e do portal Praos.

O local de nascimento consta como Jamaica, no Queens, na maioria das publicações, e como Manhattan em um dos verbetes enciclopédicos. O que é consenso é que ela viveu praticamente toda a vida no mesmo bairro. O casal morava na 135th Avenue, número 151-58, endereço que consta no próprio pedido de patente. Tiveram dois filhos, Albert Jr. e Norma.

O reconhecimento que veio e o que não veio

Além da cobertura do jornal, ela recebeu uma premiação do National Scientists Committee pelo trabalho. Isso foi praticamente tudo em vida.

Não houve retorno financeiro, porque o sistema nunca foi fabricado em escala. Ela morreu em 2 de fevereiro de 1999, aos 76 anos, no mesmo bairro onde nasceu e viveu. O reconhecimento público mais amplo veio depois, com a circulação da história em redes sociais e em publicações de museus e universidades, e chegou a ser objeto de verificação por agência de checagem de fatos, que confirmou a veracidade do relato.

E você, tem câmera na porta de casa hoje? Conta aqui nos comentários se você já tinha ouvido falar de quem criou esse sistema, e diga se acha que invenções assim mudam mesmo a sensação de segurança de quem mora sozinho.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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