Havan saiu de placas de estrada em Brusque para transformar Luciano Hang no rosto das campanhas e criar uma das identidades visuais mais reconhecidas do varejo brasileiro
A trajetória publicitária da Havan saiu das placas simples instaladas em rodovias do Sul do Brasil para comerciais de TV, redes sociais, fachadas monumentais e campanhas estreladas pelo próprio fundador. A marca catarinense, criada em 1986, em Brusque, começou como uma loja de tecidos de 45 m² e construiu parte de sua força visual usando elementos fáceis de reconhecer à distância.
Segundo materiais institucionais da Havan, no começo da empresa o marketing era feito com placas nas estradas, trazendo apenas a frase “Visite Havan Brusque”. Décadas depois, a virada mais simbólica veio em 2016, quando a campanha “De quem é a Havan?” colocou Luciano Hang diante das câmeras para responder a boatos sobre a origem e a propriedade da rede.
Havan começou com placas de estrada para atrair clientes até Brusque
A comunicação inicial da Havan era simples, direta e adaptada à realidade de uma empresa regional. Sem internet e ainda distante da escala nacional, a marca usava placas nas estradas do Sul do Brasil para despertar a curiosidade dos motoristas.
-
Com R$ 1 bilhão, a Nissin vai levantar no Paraná uma fábrica gigante de macarrão instantâneo do tamanho de vários campos de futebol, gerando 550 empregos e mirando um salto nas exportações de Cup Noodles
-
Ex-garimpeiro abriu em 1986 uma pequena mercearia de apenas 50 metros quadrados no interior do Maranhão, começou vendendo alimentos para moradores transformou o balcão no Grupo Mateus, que hoje possui mais de 280 lojas espalhadas por nove estados do Norte e Nordeste
-
Ferrovia levava café ao porto, sustentava feiras e gerava renda, mas abandono e o fim dos trens esvaziou Baturité e mudou a economia da cidade
-
Jovem foi aos Estados Unidos para tentar seguir carreira na música, começou a trazer óculos em uma mochila, vendeu os produtos em feiras alternativas e em 1997 abriu um pequeno estande em São Paulo, que virou a Chilli Beans, rede com mais de 1.200 pontos de venda em 20 países
De acordo com o Blog Havan, as placas não explicavam o que era vendido na loja. O texto trazia apenas o convite “Visite Havan Brusque”, indicando que o motorista estava perto da unidade da cidade catarinense.
A estratégia fazia sentido para uma empresa ligada ao comércio têxtil local. A loja atraía clientes de fora da cidade, visitantes da região e consumidores que chegavam a Brusque pelas rodovias, transformando o deslocamento em oportunidade de venda.
Loja de tecidos de 45 m² virou base da expansão da Havan
A Havan informa que sua primeira loja foi inaugurada em 1986, em uma sala de 45 m², na avenida Primeiro de Maio, em Brusque, com apenas um balcão e um funcionário. O nome da marca surgiu da união de partes dos nomes Hang e Vanderlei, antigo sócio da empresa.
Nos primeiros anos, a varejista cresceu a partir do comércio de tecidos e de produtos ligados ao universo de cama, mesa e banho. A mudança de sede em 1989 acompanhou o aumento de clientes e a diversificação do mix de produtos.
Essa fase ajuda a explicar por que as placas de estrada tiveram importância na formação da marca. Antes das megalojas, da televisão e das redes sociais, a Havan dependia de presença física, fluxo regional e identificação rápida para ser lembrada pelo consumidor.
Fachada inspirada na Casa Branca transformou lojas em propaganda permanente
A partir de 1994, a comunicação visual da Havan ganhou um elemento decisivo. Segundo a página institucional da empresa, a nova construção de 7 mil m² em Brusque foi inspirada na sede do governo dos Estados Unidos e passou a ser apresentada como a “Casa Branca Brasileira”.
O formato arquitetônico, com colunas brancas e visual monumental, deixou de ser apenas fachada. Ele se tornou uma peça publicitária fixa, capaz de diferenciar as lojas na paisagem urbana e nas rodovias.
Em 1995, a primeira filial foi inaugurada em Curitiba, já levando as características da Casa Branca. No mesmo ano, Brusque passou a contar com a Estátua da Liberdade, símbolo que se tornaria uma das marcas mais reconhecidas da rede.
Estátua da Liberdade virou símbolo visual das megalojas Havan
A Estátua da Liberdade ampliou o efeito publicitário das fachadas. Segundo o Blog Havan, a primeira réplica apareceu em 1995, na loja de Brusque, e depois passou a ser reproduzida em dezenas de megalojas pelo país.

A varejista afirma que as réplicas se tornaram cartões-postais das unidades. Na prática, o monumento passou a funcionar como um elemento de reconhecimento imediato, mesmo antes de o consumidor entrar na loja.
Essa combinação entre prédio inspirado na Casa Branca, colunas brancas e estátua gigante criou uma identidade visual rara no varejo brasileiro. A loja deixou de depender apenas de anúncio pago e passou a comunicar a marca pela própria arquitetura.
Luciano Hang ficou fora dos holofotes durante três décadas
Durante cerca de 30 anos, Luciano Hang manteve a imagem pessoal longe do centro das campanhas da Havan. A comunicação era focada na empresa, nos produtos, nas lojas e nos símbolos visuais criados pela rede.
Em reportagem de 2016, o jornal O Município registrou declaração do próprio empresário afirmando que sempre defendeu internamente que quem deveria aparecer era a empresa, não o dono. Essa postura mudou quando boatos sobre a propriedade da Havan passaram a circular com força.
Até aquele momento, a marca já havia crescido bastante sem depender do rosto do fundador. Segundo O Município, em 2016 a Havan tinha 94 megalojas, presença em 14 estados, 10 mil colaboradores e recebia cerca de 100 milhões de clientes por ano.
Campanha “De quem é a Havan?” colocou o fundador diante das câmeras
A virada publicitária ocorreu em 30 de novembro de 2016, quando a campanha “De quem é a Havan?” colocou Luciano Hang na mídia nacional para esclarecer a origem e a propriedade da empresa. A ação foi veiculada em jornais, TVs, rádios e redes sociais durante o período de fim de ano.
Segundo O Município, a campanha foi criada para responder a boatos que associavam a Havan a estrangeiros e a grupos políticos. A reportagem apresentou Hang como fundador e único dono da rede naquele momento.
A campanha marcou a passagem do empresário dos bastidores para o centro da comunicação da própria empresa. A partir dali, a imagem de Luciano Hang deixou de ser apenas institucional e passou a fazer parte da estratégia publicitária da varejista.
Dono da Havan passou a ser usado como rosto da marca
O que começou como uma resposta a boatos se consolidou como estratégia de marketing. Reportagem da Gazeta do Povo, publicada em 2026, descreveu como Luciano Hang transformou a própria imagem em motor de comunicação da Havan.

Segundo a publicação, a empresa mantém uma agência de publicidade própria, com cerca de 80 colaboradores, dedicada a campanhas em que Hang aparece como protagonista. A estratégia passou a explorar a presença do fundador em comerciais, redes sociais e inaugurações.
Esse movimento reforçou a associação direta entre pessoa física e marca empresarial. No caso da Havan, a comunicação passou a girar em torno de uma figura reconhecível, que se apresenta como dono, porta-voz e símbolo da rede.
Personalização da marca fortalece identidade, mas amplia riscos de imagem
A decisão de transformar o fundador em rosto da empresa fortaleceu a identificação da Havan com uma personalidade pública. Para o varejo, essa estratégia pode criar proximidade, reconhecimento rápido e sensação de comando direto.
Ao mesmo tempo, a personalização amplia riscos de reputação. Quando o dono vira símbolo da marca, suas declarações, posições e aparições públicas passam a ser percebidas como parte da comunicação empresarial.
No caso da Havan, esse vínculo se tornou um dos elementos mais marcantes da identidade da varejista. A empresa saiu da frase “Visite Havan Brusque” em placas de estrada para um modelo de comunicação em que arquitetura, símbolo visual e fundador funcionam como peças centrais da marca.

