O que começou como uma relação entre enfermeira e paciente mudou o destino de um menino de 9 anos, que encontrou uma nova família justamente quando a mãe enfrentava os últimos meses de vida.
Quando Karen Mott conheceu Patricia McNulty em um centro de tratamento de câncer em Massachusetts, nos Estados Unidos, sua responsabilidade era ajudá-la a enfrentar sessões de quimioterapia.
Meses depois, a relação ultrapassaria o ambiente hospitalar: Karen e o marido, Michael, prometeram cuidar de Stephen, filho de 9 anos da paciente, caso Patricia não sobrevivesse à doença.
Patricia, também chamada de Patty, tinha 44 anos e um câncer agressivo de cabeça e pescoço.
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Era mãe solo e, segundo relatos publicados posteriormente por Karen e pela CBS Boston, demonstrava preocupação crescente com o futuro do menino.
A situação familiar havia se tornado especialmente difícil porque o pai de Stephen sofreu um grave acidente que resultou em lesão cerebral e o deixou sem condições de assumir os cuidados do filho.
Cinco semanas antes da morte de Patricia, Karen e Michael disseram à mãe que acolheriam Stephen.
Patricia morreu em 2012.
O menino passou a viver com os Mott e posteriormente foi adotado pela família, que já tinha três filhos.
Quase quatro anos depois, em maio de 2016, Stephen aparecia aos 13 anos vivendo com Karen e Michael, enquanto a família tentava criar um fundo para realizar um dos desejos deixados por Patricia: vê-lo chegar à universidade.
Karen encontrou uma forma de se aproximar de Patricia
A história começou em 2011, no MetroWest Cancer Center, em Framingham, no estado de Massachusetts.
Karen trabalhava como enfermeira oncológica quando passou a acompanhar Patricia durante o tratamento.
Em um relato publicado originalmente pela Reader’s Digest, Karen contou que a paciente costumava permanecer retraída durante as sessões.
Patricia lia, se cobria com uma manta e evitava longas conversas.
Uma coisa, porém, mudava seu comportamento.
Bastava falar sobre Stephen.
O menino era o assunto capaz de fazê-la sorrir e se abrir, segundo Karen.
Aos poucos, a enfermeira começou a entender que a preocupação da paciente não se limitava à progressão do câncer.
Patricia estava pensando no que aconteceria com o filho se ela morresse.
O pai de Stephen também não poderia cuidar dele
Enquanto Patricia enfrentava a doença, a situação do pai do menino se agravou.
A CBS Boston relatou que ele sofreu um acidente de trânsito que provocou lesões cerebrais graves.
Com isso, deixou de ser uma alternativa viável para assumir sozinho os cuidados de Stephen.
Outros familiares também não estavam em condições de recebê-lo de forma permanente, segundo relatos posteriores sobre o caso.
A possibilidade de o garoto precisar ser encaminhado para acolhimento institucional ou familiar passou, então, a preocupar as pessoas que acompanhavam Patricia.
Para Karen, a questão deixou de ser abstrata.
Ela já conhecia Stephen, sabia o quanto ele significava para a paciente e começou a conversar sobre o assunto dentro de casa.
Uma conversa com o marido mudou o futuro do menino
Karen e Michael já tinham três filhos quando consideraram receber Stephen.
Não se tratava apenas de oferecer um lugar temporário para ele dormir.
A decisão significaria incorporar uma criança que estava prestes a perder a mãe à rotina de uma família já formada, além de lidar com o luto, a adaptação e todas as responsabilidades de longo prazo.
Ainda assim, o casal decidiu seguir adiante.
Segundo a CBS Boston, cinco semanas antes da morte de Patricia, Karen e Michael disseram a ela que cuidariam de Stephen.
Para a mãe, a promessa respondia à preocupação que havia se tornado central na fase final da doença.
Karen explicou posteriormente que pensou na situação de maneira muito pessoal: aquela paciente poderia ser alguém de sua própria família.
Patricia morreu e Stephen foi para a casa dos Mott
Patricia morreu em uma manhã de outubro, segundo o relato de Karen publicado pela Reader’s Digest.
Coube a Karen e Michael buscar Stephen depois da escola e contar ao menino que sua mãe havia morrido.
Depois disso, ele foi para a casa deles.
A adaptação não foi imediata.
Karen relatou que, durante meses, Stephen teve dificuldade para dormir sozinho.
Ele recebeu acompanhamento para lidar com o luto, e a família reservou um espaço com objetos de Patricia para que o garoto pudesse manter uma ligação com a memória da mãe.
Ao mesmo tempo, os Mott tentaram integrá-lo à rotina cotidiana.
Stephen passou a participar de atividades com a família, praticou basquete e fez viagens curtas que antes não faziam parte de sua realidade.
Três filhos passaram a dividir a família com Stephen
A chegada do menino não apagou o que havia acontecido.
O objetivo, segundo o relato de Karen, era oferecer estabilidade sem tentar substituir Patricia.
A própria memória da mãe continuou presente dentro da casa.
Com o tempo, entretanto, Stephen passou a descrever aquele espaço como seu lar.
Em um texto escolar reproduzido anos depois pela edição brasileira da Reader’s Digest, ele associou a ideia de casa às pequenas rotinas da família Mott e à sensação de estar protegido.
A adoção consolidou juridicamente uma relação que havia começado de forma improvável: uma enfermeira conheceu uma paciente durante a quimioterapia e acabou se tornando mãe do filho dela.
Quase quatro anos depois, surgiu outra preocupação: a faculdade
Em 31 de maio de 2016, a CBS Boston reencontrou a família.
Stephen estava com 13 anos.
Quase quatro anos haviam se passado desde que ele chegou à casa dos Mott, e Karen continuava criando o adolescente ao lado do marido e dos três filhos que o casal já tinha.
Naquele momento, a preocupação da família estava alguns anos à frente.
Antes de morrer, Patricia havia expressado o desejo de que Stephen pudesse estudar e chegar à universidade.
Os Mott, porém, não tinham recursos ilimitados para garantir esse caminho.
Por isso, uma campanha de arrecadação foi criada para formar um fundo destinado aos futuros estudos universitários de Stephen.
O adolescente dizia que qualquer instituição seria importante, embora sonhasse com a possibilidade de estudar em uma universidade reconhecida.

