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Oito em cada dez famílias brasileiras estão endividadas e o recorde histórico de 80,4% em março de 2026 preocupa até quem ganha mais de dez salários mínimos, com quase 30% da renda já comprometida com dívidas

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 12/04/2026 às 08:28
Atualizado em 12/04/2026 às 08:30
Familia brasileira de classe media preocupada com contas e boletos sobre a mesa da cozinha
O endividamento atingiu 80,4% das familias brasileiras em marco de 2026, o maior nivel desde o inicio da serie historica da Peic em 2015, com 29,3% da renda comprometida.
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O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4% em março de 2026, o maior nível da série histórica da Peic iniciada em 2015, com o comprometimento da renda chegando a 29,3% — recorde desde 2011 — e até quem ganha acima de dez salários mínimos já sente o peso dos juros altos e da inflação

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou em 7 de abril de 2026 os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) referentes a março, e o resultado é um recorde que atinge praticamente todas as faixas de renda. Segundo o G1, 80,4% das famílias brasileiras declararam ter algum tipo de dívida — o maior índice desde o início da série histórica, em 2015.

Endividamento das famílias sobe mês a mês sem trégua

O índice de março representa uma alta de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro de 2026, quando o endividamento já estava em 80,2%. Em comparação com março de 2025, a diferença é ainda mais expressiva: 3,3 pontos percentuais acima dos 77,1% registrados um ano antes.

Dessa forma, a trajetória ascendente se mantém desde o início de 2025, impulsionada por juros elevados, inflação persistente e o aumento no custo de itens essenciais. Conforme apontou a Poder360, a alta dos preços do diesel e de combustíveis em geral agravou o cenário ao encarecer o transporte de mercadorias, pressionando os preços no supermercado e reduzindo o poder de compra.

Cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado e prestações de carro e casa lideram as modalidades de dívida entre as famílias brasileiras, segundo a CNC.

Quem ganha mais de dez salários mínimos também deve

Cartões de crédito empilhados sobre faturas vencidas representando endividamento das famílias brasileiras

Um dado que chamou a atenção na pesquisa foi o avanço do endividamento entre famílias com renda superior a dez salários mínimos, que chegou a 69,9% em março. De acordo com o portal Bora Investir, da B3, o aumento nessa faixa foi o mais expressivo do mês.

Por outro lado, houve uma melhora pontual entre os mais vulneráveis. A inadimplência entre famílias com renda até três salários mínimos caiu de 38,9% em fevereiro para 38,2% em março. Além disso, dados da Serasa indicam que o número de inadimplentes de baixa renda (até dois salários mínimos) recuou de 25,2 milhões para 23,1 milhões. Ainda assim, o cenário geral permanece de pressão generalizada.

Renda comprometida bate recorde desde 2011

Além do endividamento em si, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas atingiu 29,3% em março — o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. Portanto, quase um terço de tudo o que as famílias ganham já está destinado a pagar prestações, juros e parcelas.

A inadimplência, por sua vez, permaneceu estável em 29,6%, o mesmo patamar de fevereiro, mas 1,0 ponto percentual acima de março de 2025. Isso indica que, embora o número de endividados cresça, a proporção que atrasa pagamentos não disparou — ao menos por enquanto.

Fachada do Banco Central do Brasil em Brasília ao entardecer

“Vemos uma nova rodada de reajuste das expectativas de inflação para os próximos meses, fenômeno que, se confirmado, pressionará desproporcionalmente o orçamento das famílias de renda mais baixa”, alertou Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

Governo reage e Selic começa a recuar

O presidente Lula reagiu ao recorde pedindo solução rápida ao ministro, conforme reportou o Correio Braziliense. O governo já havia lançado o programa Desenrola Brasil em 2023, encerrado em março de 2024, e agora estuda novas medidas de renegociação de dívidas. Propostas recentes incluem a liberação do FGTS para quitar dívidas, mas o impacto estrutural dessas iniciativas ainda é incerto.

No campo monetário, o Banco Central iniciou o corte da taxa Selic em março de 2026 após um longo ciclo de alta. Contudo, os efeitos da redução dos juros demoram meses para chegar ao consumidor final. Enquanto isso, a alta nos preços de combustíveis como o diesel — que nem sempre acompanha as quedas do petróleo — continua pressionando os custos logísticos e, por consequência, o preço dos produtos na prateleira.

Recorde não significa colapso, mas acende alerta para os próximos meses

Apesar do número recorde, há nuances no cenário. A inadimplência se manteve estável em 29,6%, o número de inadimplentes de baixa renda caiu segundo a Serasa, e o corte na Selic sinaliza uma inflexão na política monetária. Porém, a CNC alerta que os efeitos da flexibilização demoram e que o endividamento deve continuar avançando antes de recuar.

Com oito em cada dez famílias devendo e quase 30% da renda já comprometida, o recorde de março de 2026 é um alerta concreto: o crédito se tornou peça essencial do orçamento doméstico, e qualquer novo choque inflacionário ou fiscal pode transformar endividamento em inadimplência em larga escala.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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