A partir de 2009, a Empresa familiar Baly, de Santa Catarina, transformou uma limitação de envase em vantagem competitiva ao lançar energético em garrafa PET, primeiro em 1 litro e depois em 2 litros. A estratégia reposicionou o consumo e, em 2025, colocou a marca acima da Red Bull em volume e na briga direta com a Monster.
A Empresa catarinense por trás da Baly entrou num mercado em que a lata e a imagem “premium” pareciam indiscutíveis, mas a própria operação empurrou a decisão: sem capacidade de enlatar, o energético nasceu em garrafa PET. O que parecia improviso virou um caminho para ocupar prateleiras e geladeiras onde o produto quase não circulava.
Em 2025, essa Empresa faturou R$ 1,8 bilhão e terminou dezembro com 34,9% do mercado nacional de energéticos, enquanto a Monster ficou com 30,4% e a Red Bull com 13,3%. A meta agora é crescer para R$ 2,5 bilhões em 2026 e, pela primeira vez, passar de 1 bilhão de litros produzidos no ano.
Da escassez no envase ao desenho de uma categoria

Em 2009, quando o mercado brasileiro de energéticos ainda era pequeno e concentrado, a Empresa familiar catarinense que produzia vinhos e cachaças decidiu entrar no segmento sem o “uniforme” mais comum da categoria: a lata.
-
Um acordo que pode reposicionar o Brasil nas cadeias globais de tecnologia: Lula fecha em Seul uma Parceria Estratégica com a Coreia do Sul, com plano trienal para harmonizar regras, atrair investimentos, fortalecer chips e minerais críticos, acelerar vacinas e empurrar IA e transição energética
-
Qual posição do ranking de mais ricos do mundo o bispo brasileiro Edir Macedo ocupa?
-
Veículos pesados voltam à SC 401 em Florianópolis após 69 dias de proibição na alta temporada, e a rodovia retoma caminhões acima de 23 toneladas nos horários de pico enquanto as obras noturnas seguem com elevados, passarelas e vias marginais ainda pela metade
-
Em apenas 72 horas, comércio mundial sofreu um choque histórico, com caos na suprema corte dos EUA, tarifas antigas derrubadas, Trump contra-ataca com tudo mas Brasil e China retomam o topo do petróleo e gás
A opção pela PET começou como solução para um gargalo industrial, não como um manifesto de marca.
Esse detalhe operacional, porém, alterou a lógica de distribuição e de compra.
Ao viabilizar formatos maiores, a Empresa abriu espaço para um consumo menos associado ao balcão da noite e mais ligado ao estoque doméstico, ao bar de bairro e ao atacarejo. Uma limitação de fábrica virou uma escolha de mercado.
O que significou vender energético em garrafa PET de 2 litros
A migração para a garrafa PET de 2 litros foi o ponto em que a proposta ficou impossível de ignorar. Na prática, o formato conversa com comportamentos de compra diferentes: reposição para a casa, consumo compartilhado e busca por custo por volume, algo raro quando o energético era visto como item de ocasião.
A própria Empresa reconhece que houve resistência inicial, um “preconceito” por parte de consumidores que associavam embalagem popular a qualidade inferior.
Só que a leitura do varejo foi outra: existia demanda reprimida por um energético que coubesse no orçamento e na rotina, sem depender do contexto de balada para fazer sentido.
Quando o preço e o volume mudam, o ritual de consumo também muda.
Como a Empresa virou líder em 2025 e o que dizem os números
O salto de 2025 não se resume à percepção; ele aparece mês a mês em volume. A Empresa Baly superou a Red Bull em volume de vendas em todos os meses de 2025 e liderou o mercado em quatro meses, ultrapassando também a Monster nesses períodos.
Em dezembro, os números mostram o tamanho da virada: 34,9% de participação para a Empresa catarinense, contra 30,4% da Monster e 13,3% da Red Bull, conforme dados da Scantech.
Num setor em que marca e “status” sempre pesaram, o dado sugere que distribuição, disponibilidade e formato passaram a influenciar tanto quanto a imagem construída ao longo dos anos.
A virada de consumo: do camarote para a casa, o trabalho e a estrada
O energético que antes aparecia em “baldinhos com gelo” e camarotes ganhou novos cenários. A executiva da Empresa descreve o produto como parte do “esquenta”, de festas entre amigos e até de churrascos um deslocamento simbólico: sai do consumo de exceção e entra na rotina social mais ampla.
A pandemia acelerou outra mudança decisiva. Entre 2020 e 2021, aumentou o consumo em casa e em situações como estudo e trabalho, e cresceu o interesse por versões saborizadas e sem açúcar, segundo a própria Empresa. Hoje, o uso relatado inclui academia, rotinas intensas, jogos e viagens longas, com motoristas consumindo para aguentar estradas um reposicionamento para “produto funcional”. E aqui cabe um ponto de responsabilidade: por envolver estimulantes, o consumo exige atenção individual, especialmente para quem é mais sensível à cafeína.
Capacidade industrial em Santa Catarina e a meta de 1 bilhão de litros
Crescer em participação é uma coisa; sustentar oferta é outra. Para perseguir a meta, a Empresa projetou uma expansão agressiva: entre 2024 e 2026, a produção total de energéticos deve aumentar quase cinco vezes, de 205 milhões de litros para a estimativa de 1 bilhão de litros em 2026.
O caminho escolhido foi investimento em capacidade: aquisição de duas novas plantas entre 2025 e 2026 e, em janeiro de 2026, compra de uma fábrica em Araranguá (SC).
O local tem 500 mil m² de área total e será dedicado 100% à produção de energético. A Empresa mantém outros dois parques fabris e um centro de distribuição, todos em Santa Catarina, com 1.500 empregos diretos um indicador de que a estratégia não é só comercial, mas também industrial e logística.
PET ainda manda no caixa e a Empresa diversifica o portfólio
Mesmo com versões em lata já presentes na linha, o PET segue central: as garrafas representam 50% do faturamento da Empresa com a venda de energético.
Isso ajuda a explicar por que a marca não trata a lata como substituição, mas como complemento ao mesmo tempo em que preserva o diferencial que a levou a ganhar escala.
A reorganização produtiva também indica diversificação. Com a nova aquisição, a unidade de Tubarão deve ficar dedicada exclusivamente a bebidas alcoólicas, como vodka e gin, e a executiva afirma que a Empresa aposta em inovação nesse mercado, citando o lançamento da primeira vodka em lata do mundo e a intenção de produzir Ice e misturas Ready To Drink. A leitura é clara: ampliar capacidade de energético sem abandonar outras frentes de receita.
O setor em números e o que a liderança vai precisar provar daqui para frente
O mercado não está parado, e isso muda o grau de dificuldade para qualquer Empresa que assume a ponta. A Euromonitor projeta que o setor atinja R$ 30 bilhões em 2029.
O consumo per capita no Brasil é de 4,2 litros por ano e a projeção é chegar a 7 litros em 2029 ou seja, há espaço para o bolo crescer, não apenas para trocar líder.
Ainda assim, crescer mais rápido que o mercado é o que separa “onda” de “mudança estrutural”. Nos últimos seis meses, a Empresa Baly cresceu 31% em valor e 27% em volume, enquanto o mercado cresceu 13,5% em valor e 10,9% em volume, de acordo com a NielsenIQ.
A partir daqui, a pergunta deixa de ser se a garrafa PET funcionou e passa a ser se a operação vai conseguir manter inovação, distribuição e percepção de qualidade na mesma velocidade em que amplia fábrica e volume.
A trajetória da Empresa catarinense mostra como um detalhe industrial não conseguir enlatar pode virar estratégia capaz de reeducar o varejo e o consumidor: da balada ao supermercado, da lata à garrafa PET, do nicho ao volume massivo.
Com 34,9% do mercado em dezembro, R$ 1,8 bilhão faturados em 2025 e a ambição de 1 bilhão de litros em 2026, o desafio agora é sustentar liderança sem virar refém de preço, mantendo portfólio, capacidade e confiança.
E aí, olhando para a sua rotina: você acha que a garrafa PET muda mesmo a forma de consumir energético, ou isso é só uma questão de preço? Em casa, no trabalho ou na estrada, em que momento esse tipo de bebida entrou (ou saiu) do seu dia a dia e qual embalagem faz mais sentido para você?

Seja o primeiro a reagir!