Projeto da Krilltech terá duração de 36 meses, envolverá UnB, UFV e UFRJ e prevê a instalação de uma unidade experimental no Centro-Oeste para desenvolver herbicidas, fungicidas e inseticidas com nanotecnologia.
Uma empresa brasileira recebeu aprovação de aproximadamente R$ 22,5 milhões da Finep para desenvolver uma nova geração de defensivos agrícolas com nanotecnologia. O projeto será conduzido pela Krilltech, empresa especializada em tecnologias para o agronegócio, e prevê a construção de uma fábrica-piloto destinada à produção experimental de nanodefensivos.
A iniciativa foi divulgada em 28 de outubro de 2026 e contará com a participação da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo as informações publicadas pela CNN Brasil, o objetivo é desenvolver produtos capazes de proteger as lavouras com maior eficiência e menor impacto ambiental.
Fábrica-piloto produzirá três tipos de defensivos agrícolas
O projeto terá duração prevista de 36 meses e deverá ser implantado no Centro-Oeste brasileiro. A localização definitiva da unidade ainda está em estudo.
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A estrutura será utilizada para desenvolver três categorias de produtos: nanoherbicidas, destinados ao controle de plantas daninhas; nanofungicidas, voltados ao combate de doenças causadas por fungos; e nanoinseticidas, utilizados no controle de insetos prejudiciais às lavouras.
Entre as substâncias que serão investigadas está o glifosato, herbicida amplamente utilizado na agricultura brasileira.
A proposta não é necessariamente substituir todas as moléculas já empregadas no campo, mas utilizar a nanotecnologia para melhorar seu desempenho.
A fábrica também realizará testes, aperfeiçoamento das formulações e validação dos processos necessários à futura produção industrial.
Nanotecnologia pode reduzir impactos sobre microrganismos do solo
Uma das frentes da pesquisa será avaliar a interação dos novos defensivos com a microbiota benéfica do solo.
Esses microrganismos desempenham funções importantes para a agricultura, incluindo a disponibilização de nutrientes e o controle natural de determinadas doenças.
Segundo Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech e professor da UnB, a intenção é desenvolver defensivos mais eficientes e compatíveis com os processos biológicos que sustentam a produtividade agrícola.
A empresa utiliza conhecimentos acumulados durante mais de dez anos de pesquisas e pretende aproveitar tecnologias já protegidas por patentes.
O projeto ainda está em desenvolvimento. Os resultados de eficiência e redução de impactos ambientais precisarão ser demonstrados nos testes antes de qualquer aplicação comercial dos novos defensivos.
Investimento mira mercado brasileiro de quase R$ 100 bilhões
A entrada da Krilltech no segmento de proteção de cultivos ocorre em um mercado de grande importância econômica.
Segundo Everton Molina, diretor de Marketing e sócio da empresa, o setor brasileiro de defensivos agrícolas movimenta quase R$ 100 bilhões anualmente e possui forte presença de grandes fabricantes multinacionais.
A Krilltech já desenvolve produtos baseados em nanopartículas de carbono, como a linha Arbolina, utilizada para estimular processos fisiológicos das plantas. A nova iniciativa amplia o foco da empresa para a proteção de cultivos.
A aprovação dos R$ 22,5 milhões representa uma etapa de financiamento do desenvolvimento tecnológico, não a conclusão da fábrica nem a chegada dos nanodefensivos ao mercado.
O próximo desafio será transformar os resultados obtidos em laboratório em processos industriais reproduzíveis, avaliar a segurança das formulações e demonstrar sua viabilidade para os produtores brasileiros.
Fontes: CNN Brasil — 28/10/2026 e Krilltech — Informações institucionais.
