Família E2 ganhou espaço no mercado de aviação ao combinar eficiência de combustível, capacidade para diferentes rotas e prazos menores de entrega.
A Embraer encontrou na família E2 uma das principais apostas para ampliar sua presença no mercado mundial de aviação comercial. Formada pelos modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2, a geração reúne motores modernos, sistemas avançados de navegação e diferentes capacidades de passageiros, peso e alcance.
O destaque da linha é o E195-E2, maior avião comercial já produzido pela fabricante brasileira, com capacidade para até 146 passageiros. O modelo foi apresentado pela primeira vez em 2017 e é fabricado em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
O E2 voltou ao centro das atenções em setembro de 2026 após uma instabilidade global no GPS afetar operações da família, principalmente aeronaves utilizadas pela Azul no Brasil. A Embraer informou que a ocorrência não comprometeu a segurança dos voos, porque os aviões contam com outros sistemas de navegação capazes de manter a operação diante de problemas no GPS.
-
Mesmo com cinco geradores, Viracopos sofre apagão interno e registra 26 voos cancelados e 83 atrasados após falha no terminal de passageiros
-
Brasil bate recorde na aviação, leva 88,6 milhões de passageiros aos céus em 2026 e vê viagens internacionais crescerem 7,6%
-
China leva TMS-10 à montagem final para teste supersônico em 2026; projeto mira Mach 2, baixo estrondo sonoro e abre caminho para voos Pequim–Xangai em cerca de 30 minutos
-
Interruptor quebrado empurrou assento do comandante, desligou piloto automático e fez Boeing 787 perder o controle por 12 segundos sobre o mar da Tasmânia

Motores de nova geração e menor consumo de combustível ajudaram o E2 a ganhar espaço entre companhias aéreas.
A eficiência é um dos pontos centrais do projeto desenvolvido pela Embraer. Segundo a fabricante, o E195-E2 apresenta consumo de combustível 29% menor por assento em comparação aos E-Jets da geração anterior, característica especialmente relevante para empresas que precisam reduzir despesas operacionais.
O combustível está entre os principais custos enfrentados pelas companhias aéreas. Dados da Fundação Getulio Vargas citados no texto de referência mostram que, em 2025, as maiores empresas do setor destinaram entre 17% e 36% de seus custos operacionais ao querosene de aviação, conhecido como QAV.
Essa realidade ajuda a explicar por que eficiência ganhou tanto peso na escolha de novas aeronaves. Em entrevista ao g1, Bruno Chieregatti, engenheiro mecânico do Instituto Mauá de Tecnologia, definiu o E2 como uma aeronave do século XXI, destacando seu projeto de massa, os motores de nova geração e os modernos sistemas de navegação.

Capacidade para até 146 passageiros permite ao E2 atender rotas que não precisam de aviões maiores.
O tamanho do E2 também ocupa papel importante na estratégia comercial da Embraer. Embora tenha capacidade inferior à de vários modelos da Boeing e Airbus, essa diferença permite atender mercados nos quais colocar entre 180 e 200 passageiros em um único voo pode não ser necessário.
Chieregatti explica que uma aeronave com capacidade próxima de 140 ou 150 passageiros oferece maior flexibilidade às companhias aéreas. Em determinadas operações, empresas podem adequar melhor a quantidade de assentos à demanda existente, sem necessariamente recorrer a aeronaves maiores.
Essa característica também abre possibilidades para ligações entre cidades médias e menores. Segundo o especialista, o modelo permite realizar voos diretos sem passar obrigatoriamente pelos grandes centros de conexão, como São Paulo e Rio de Janeiro, ampliando as alternativas disponíveis para determinadas rotas.
Filas de até dez anos por aviões da Airbus e Boeing abriram espaço para entregas mais rápidas da Embraer.
A procura pelo E2 também ganhou força em um momento particular da indústria aeronáutica. A alta demanda por viagens aéreas e os problemas na cadeia de suprimentos que persistiram desde a pandemia de Covid-19 aumentaram a pressão sobre a produção de novos aviões.
Segundo reportagem publicada pela revista britânica The Economist, companhias aéreas podem enfrentar esperas de até dez anos para receber determinados aviões de fuselagem estreita da Airbus e Boeing. São aeronaves caracterizadas por possuírem apenas um corredor entre as fileiras de assentos.
A Embraer encontrou uma oportunidade nesse intervalo. Conforme as informações apresentadas pela publicação, a fabricante brasileira consegue entregar um E2 em menos de dois anos, diferença que ganhou relevância para empresas interessadas em ampliar ou renovar suas frotas sem enfrentar filas tão longas.
Azul e Latam já operam aviões E2 no Brasil, enquanto Gol fechou compra de 20 unidades do E195-E2.
A presença da nova geração de jatos brasileiros já pode ser observada dentro e fora do país. No mercado nacional, Azul e Latam operam aeronaves da família E2, enquanto a Gol fechou a compra de 20 unidades do E195-E2.
A expansão também alcançou outros mercados. Avelo Airlines, dos Estados Unidos, Finnair, da Finlândia, Star Air, da Índia, Luxair, de Luxemburgo, e Airlink, da África do Sul, aparecem entre companhias que possuem modelos da família em suas frotas ou manifestaram intenção de compra.
Esse movimento colocou o programa diante de empresas com perfis e mercados bastante diferentes. Ao mesmo tempo, a combinação entre capacidade intermediária, eficiência de combustível e disponibilidade de entrega passou a sustentar a posição comercial do E2.
Carteira de pedidos da Embraer chegou a US$ 34,5 bilhões em julho de 2026 enquanto programa E2 superou 500 encomendas firmes.
Os números divulgados em 2026 ajudam a dimensionar o momento comercial vivido pela fabricante brasileira. Em 24 de julho, a Embraer informou que sua carteira total de pedidos havia alcançado US$ 34,5 bilhões, considerando todo o portfólio da companhia, incluindo aviação comercial, jatos executivos e aeronaves militares.
O resultado representou o sétimo recorde trimestral consecutivo e crescimento de 16% em comparação com o segundo trimestre de 2025. Na Aviação Comercial, a carteira chegou a US$ 15,1 bilhões, enquanto o programa E2 ultrapassou a marca de 500 pedidos firmes.
A evolução também aparece no volume total de aeronaves da fabricante. Em 2021, foram entregues 141 unidades. Para 2026, a previsão apresentada chega a 255 aeronaves, mostrando uma expansão expressiva em relação ao patamar registrado cinco anos antes.

E2 encontrou espaço próprio em um mercado dominado por fabricantes muito maiores que a Embraer.
A Embraer ainda possui porte menor que Airbus e Boeing, suas principais concorrentes na aviação comercial, conforme destacou a The Economist. A estratégia da fabricante brasileira, porém, não depende necessariamente de disputar exatamente os mesmos espaços ocupados pelos modelos maiores das duas empresas.
O E2 encontrou mercado justamente ao oferecer outra combinação de capacidade, consumo e disponibilidade. Com até 146 passageiros, motores de nova geração e possibilidade de entrega em menos de dois anos, a família atende companhias interessadas em operar determinadas rotas sem necessariamente recorrer a aeronaves maiores.
Os números de encomendas, a presença crescente em diferentes mercados e a expansão da carteira ajudam a explicar por que a família ganhou importância para a Embraer. Em um setor pressionado por custos de combustível e longos prazos de entrega, o E2 passou a ocupar um espaço próprio dentro da aviação comercial mundial.
