1. Início
  2. Inteligência Artificial (I.A)
  3. Meta prepara óculos inteligentes sem câmera após críticas sobre gravações, mantém inteligência artificial e tenta reduzir preocupações com privacidade nos dispositivos vestíveis
Faça um comentário 5 min de leitura

Meta prepara óculos inteligentes sem câmera após críticas sobre gravações, mantém inteligência artificial e tenta reduzir preocupações com privacidade nos dispositivos vestíveis

Imagem de perfil do autor Viviane Alves
Escrito por Viviane Alves Publicado em 24/09/2026 às 00:03 Atualizado em 24/09/2026 às 01:10
Google News
Homem usando óculos inteligentes com câmera integrada destacada na armação, tecnologia relacionada aos dispositivos da Meta.
Óculos inteligentes com câmera embutida ilustram o debate sobre privacidade e gravações, enquanto a Meta prepara novos modelos sem câmera.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Modelos Clubmaster e Burbank são esperados na Meta Connect de 23 de setembro, enquanto câmeras, microfones e tratamento de dados alimentam debate sobre privacidade.

Em 23 de setembro de 2026, a Meta deve apresentar novos óculos inteligentes durante sua conferência anual Connect, na Califórnia, nos Estados Unidos. Entre as principais novidades esperadas estão dois modelos sem câmera, chamados Clubmaster e Burbank, segundo informações atribuídas ao The Information. A mudança acontece enquanto empresas de tecnologia tentam levar a inteligência artificial para dispositivos capazes de acompanhar o usuário durante grande parte do dia.

Os óculos da Meta são desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica e já conquistaram espaço nesse mercado. As vendas dos modelos ultrapassaram 7 milhões de unidades no ano passado, transformando o produto em uma das principais experiências comerciais da indústria para levar recursos de IA além de celulares e computadores.

A apresentação também deve incluir uma nova versão dos óculos Meta Ray-Ban, que continuam equipados com câmera. Outro produto esperado é uma versão mais fina e leve de óculos de realidade aumentada, conhecida internamente pelo codinome Phoenix.

Óculos inteligentes sem câmera surgem enquanto cresce preocupação com gravações sem consentimento

A decisão de retirar a câmera de alguns modelos ocorre diante do receio de que dispositivos usados no rosto possam registrar pessoas sem que elas percebam. Os óculos atuais da Meta conseguem tirar fotografias e gravar vídeos utilizando uma câmera incorporada à armação. Eles também possuem microfones, alto-falantes e recursos de inteligência artificial capazes de responder a comandos e interpretar informações disponíveis no ambiente.

Essa combinação de recursos começou a provocar resistência em alguns espaços públicos. No Reino Unido, restaurantes, pubs e teatros passaram a restringir o uso desses dispositivos. A Wetherspoon, uma das maiores redes de pubs do país, está entre os estabelecimentos que adotaram medidas desse tipo.

A retirada da câmera aparece, nesse cenário, como uma alternativa para reduzir parte do desconforto relacionado às gravações visuais. A mudança, porém, não significa que os novos aparelhos deixarão de captar informações ao redor do usuário.

Homem ajusta óculos inteligentes com sensores integrados, tecnologia relacionada ao avanço dos dispositivos vestíveis com inteligência artificial.
Óculos inteligentes ilustram a nova geração de dispositivos vestíveis, enquanto a Meta prepara modelos sem câmera em meio ao debate sobre inteligência artificial e privacidade.

Ação coletiva na Califórnia coloca práticas de privacidade da Meta sob questionamento

A discussão ganhou outra dimensão com uma ação coletiva apresentada na Califórnia relacionada às práticas de privacidade dos óculos inteligentes da Meta. Segundo as alegações dos autores do processo, imagens captadas pelos aparelhos teriam sido enviadas aos servidores da empresa e posteriormente analisadas e classificadas por trabalhadores envolvidos no treinamento de sistemas de inteligência artificial.

Entre os conteúdos descritos na acusação estariam imagens de pessoas trocando de roupa, utilizando banheiros e lidando com informações financeiras. A Meta contesta as alegações apresentadas no processo e sustenta que os dispositivos possuem mecanismos destinados a informar quando uma gravação está acontecendo.

A empresa afirma que uma luz presente nos óculos indica quando a câmera está funcionando e não pode ser desligada durante a gravação. Segundo a Meta, o recurso também deixa de funcionar caso essa luz seja coberta ou adulterada.

Retirar a câmera reduz uma preocupação, mas microfones continuam presentes nos novos óculos

A ausência da câmera não encerra completamente o debate sobre privacidade. Os novos modelos ainda podem captar áudio por meio dos microfones, característica que mantém questionamentos relacionados a gravações não autorizadas, embora em uma dimensão diferente daquela provocada pela captura de imagens.

Existe também uma questão comercial importante. A câmera está entre os recursos utilizados nos óculos atuais e ajuda a diferenciá-los de outros dispositivos. Sem câmera e sem uma tela diante dos olhos, consumidores podem questionar qual vantagem o produto oferece quando comparado a um fone de ouvido Bluetooth.

Outras empresas já experimentam esse caminho. A Even Realities lançou seu primeiro modelo de óculos inteligentes sem câmera em 2024 e afirma que a ausência do componente ajuda a diminuir o receio relacionado a gravações escondidas.

Samsung e Snap avançam enquanto mercado de óculos inteligentes ganha novos concorrentes

A movimentação da Meta acontece enquanto diferentes empresas buscam um formato capaz de transformar dispositivos vestíveis na próxima plataforma de computação pessoal. A Samsung planeja entrar nesse mercado ainda em 2026, trabalhando em parceria com as marcas Gentle Monster e Warby Parker.

A Snap também prepara seus próprios óculos de realidade aumentada, previstos para chegar ao mercado ainda neste ano. O dispositivo deve custar US$ 2.195, aproximadamente R$ 11,5 mil na cotação mencionada no texto original.

Essa disputa ocorre em um momento no qual a indústria procura maneiras de integrar inteligência artificial ao cotidiano sem depender exclusivamente de smartphones e computadores. Os óculos aparecem como uma das alternativas porque permanecem próximos aos olhos e ouvidos do usuário durante longos períodos.

OpenAI também trabalha na ideia de um dispositivo capaz de compreender continuamente o ambiente

A OpenAI participa dessa corrida com uma proposta diferente. A empresa trabalha com a ideia de desenvolver um dispositivo capaz de compreender continuamente o ambiente ao redor do usuário, ampliando as possibilidades de interação entre inteligência artificial e situações do cotidiano.

Sam Altman, presidente-executivo da empresa, já defendeu que aparelhos desse tipo processem dados localmente, evitando o envio contínuo das informações para servidores na nuvem. Essa abordagem coloca o processamento das informações entre as questões centrais para o desenvolvimento dessa nova categoria de produtos.

A chegada dos óculos inteligentes sem câmera da Meta amplia justamente esse debate. De um lado está a tentativa das empresas de tornar a inteligência artificial cada vez mais presente no cotidiano. Do outro estão as preocupações sobre câmeras, microfones e dados coletados por aparelhos capazes de acompanhar seus usuários durante grande parte do dia.

A Meta Connect de 23 de setembro de 2026 deve mostrar como a empresa pretende lidar com essa equação. A retirada da câmera de alguns modelos representa uma mudança importante no produto, mas mantém aberta a discussão sobre privacidade enquanto a disputa pelos dispositivos vestíveis de inteligência artificial ganha novos concorrentes.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x