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Em uma ilha minúscula de 6,3 hectares, a Mitsubishi criou uma cidade para mais de 5 mil moradores, sustentada pela mineração submarina de carvão, até o colapso do projeto deixar ruínas que ainda impressionam o Japão

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 27/03/2026 às 10:56
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Chamada de Ilha do Acorazado, Hashima virou um dos lugares mais densos do planeta após a Mitsubishi expandir 6,3 hectares com concreto, moradias e mineração submarina, até o fechamento da mina em 1974 deixar tudo para trás.

Hashima, conhecida como Ilha do Acorazado, já foi um dos lugares mais povoados do planeta em proporção por metro quadrado. Hoje, a pequena área diante da costa de Nagasaki está vazia e cercada por ruínas que chamam atenção no Japão.

A ilha ganhou fama por lembrar um navio de guerra visto à distância. Mas o que tornou o local realmente marcante foi sua transformação em um polo industrial ligado à extração de carvão sob o mar, com papel decisivo da Mitsubishi.

A pequena ilha de 6,3 hectares virou símbolo industrial no Japão

Com apenas 6,3 hectares, Hashima passou por uma mudança radical a partir do fim do século 19. A descoberta de carvão no entorno submarino levou ao avanço das operações de mineração e abriu espaço para uma ocupação intensa da ilha.

A presença da Mitsubishi mudou completamente a estrutura do local. Além dos poços de extração, a empresa ergueu moradias, áreas de circulação e toda a base necessária para manter trabalhadores e famílias vivendo em um espaço extremamente reduzido.

Espremida em apenas 6,3 hectares, a ilha chegou a abrigar mais de 5 mil pessoas e se tornou um dos pontos mais densamente povoados do planeta.

A cidade de concreto nasceu para manter a vida no meio do mar

Para suportar o crescimento, a ilha foi ampliada com aterros e protegida por grandes muros de concreto contra tempestades e tufões. Aos poucos, o lugar recebeu apartamentos, hospital, escolas, cinema, comércio e áreas de convivência.

O resultado foi impressionante. Hashima chegou a reunir mais de 5 mil pessoas em uma área minúscula, tornando se uma referência mundial de densidade populacional e um exemplo extremo de ocupação industrial planejada.

Vista de longe, a ilha lembra um navio de guerra, mas seu passado revela algo ainda mais extremo: prédios, escola, hospital e cinema comprimidos em um espaço mínimo.

Fechamento da mina em 1974 esvaziou a ilha de forma imediata

Esse ciclo começou a perder força quando o Japão passou a depender mais do petróleo. Com o carvão em queda e a exploração submarina menos rentável, a mina perdeu importância econômica.

A mina foi fechada oficialmente em 1974, e a saída dos moradores aconteceu de forma imediata. A partir dali, o local entrou em abandono e iniciou um processo acelerado de deterioração.

Ruínas abertas ao turismo revelam o tamanho do abandono

Durante décadas, Hashima permaneceu fechada ao público. Só em 2009 começaram as visitas controladas por rotas seguras, permitindo observar de perto os prédios desgastados pela umidade, pelo sal e pelo tempo.

A paisagem atual mistura concreto, silêncio e sinais de desgaste em quase toda parte. A vegetação voltou a aparecer entre estruturas antes ocupadas por milhares de pessoas, reforçando a imagem de uma cidade interrompida no tempo.

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Reconhecimento da Unesco expôs valor histórico e passado sombrio

Em 2015, a ilha foi incluída na lista de Patrimônio da Humanidade da Unesco como parte dos sítios da Revolução Industrial da era Meiji. O reconhecimento destacou a importância de Hashima para a industrialização japonesa e para a expansão de grandes grupos empresariais do país.

Ao mesmo tempo, a decisão reacendeu críticas sobre o passado da ilha. Durante a Segunda Guerra Mundial, prisioneiros coreanos e chineses foram forçados a trabalhar no local em condições severas, marcadas por desnutrição, exaustão e mortes.

Hashima deixou de ser apenas uma antiga área de mineração e virou um retrato concreto de como desenvolvimento econômico e custo humano podem caminhar juntos. A ligação com a Mitsubishi ajuda a explicar por que a ilha segue tão presente na memória industrial do Japão.

Hoje, o local combina turismo, ruína e debate histórico. O que restou em pé não conta apenas a história de uma cidade abandonada, mas de um processo que muda a leitura estratégica.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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