Mato Grosso lidera a produção agrícola, mas depende de hortifruti vindo de outros estados, e moradores de relatam dificuldade para encontrar produtos de qualidade
O Mato Grosso, conhecido nacionalmente pelo peso que tem no agronegócio brasileiro, vive uma contradição difícil de ignorar. O estado ocupa o topo do ranking nacional na produção de soja e também se destaca na criação de gado bovino, segundo dados do IBGE. Mesmo assim, sofre com a escassez de itens básicos do dia a dia: frutas, verduras e legumes, que chegam às prateleiras com dificuldades e, muitas vezes, com qualidade inferior à desejada.
Em cidades como Sinop, no norte mato-grossense, o cenário é ainda mais evidente. A estimativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado é de que mais de 95% do hortifrúti consumido na região venha de fora. Quem confirma isso é o secretário José Pedro Serafini, que explica como o consumo local depende quase totalmente de cargas transportadas por longas distâncias.
Por que o maior produtor agrícola do país não produz hortifruti?
O paradoxo tem explicação. Uma combinação de fatores econômicos e climáticos empurra os agricultores para culturas mais lucrativas e menos arriscadas. Entre os principais motivos estão:
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Solos vulcânicos que nasceram de erupções destruidoras viraram lavouras milionárias: cinzas alimentam uvas em Lanzarote, bananas nas Canárias, laranjas sanguíneas no Etna e cactos no México, revelando como terras formadas pela lava sustentam colheitas raras onde quase nada parecia capaz de sobreviver em regiões aparentemente condenadas pela natureza
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Terras muito valorizadas
As áreas do estado são extremamente disputadas e valorizadas para a produção de grãos. Para muitos produtores, dedicar hectares a frutas ou hortaliças simplesmente não compensa financeiramente.
Logística complicada
O Mato Grosso é enorme e as distâncias internas são extensas. Como frutas e verduras são perecíveis e exigem transporte rápido e cuidadoso, o custo logístico dispara, tornando a atividade menos atraente.
Clima seco extremo
O estado enfrenta cerca de seis meses seguidos de estiagem, e isso exige sistemas robustos de irrigação. Não são todos os agricultores que possuem tanques ou infraestrutura para manter a produção durante o período mais crítico.
O resultado é um mercado dependente de produtos vindos de outros estados, muitas vezes de regiões como Minas Gerais, Goiás e São Paulo, aumentando o custo final para o consumidor
Quando a falta vira oportunidade de negócio
A escassez de hortifruti em Sinop acabou abrindo espaço para uma empreendedora de Minas Gerais. Vanessa Cristine de Souza conta que, quando se mudou para a cidade, estranhou imediatamente a má qualidade das frutas encontradas nos supermercados.
“Aqui era muito difícil. Eu ia ao mercado e era um sacrifício comprar uma fruta boa”, lembra.
No início deste ano, Vanessa e o marido decidiram transformar o problema em oportunidade e abriram uma distribuidora de frutas, verduras e legumes na cidade. A procura cresceu tão rápido que o espaço reservado ao estoque precisou ser ampliado e adaptado. Hoje, funciona praticamente como uma feira, oferecendo mais de 100 tipos de produtos diferentes para atender moradores e comerciantes da região.
O negócio mostra como o déficit produtivo do estado pode abrir portas para quem deseja investir no setor. No vídeo da reportagem original, o público acompanha o trajeto das mercadorias até chegarem à distribuidora da empresária, revelando uma cadeia longa, custosa e ainda pouco explorada no Mato Grosso.
