Solum Hub, hub corporativo em Cuiabá inspirado na estrutura de cupinzeiros, aposta em ventilação natural, vegetação abundante e arquitetura biomimética para reduzir o uso de ar-condicionado em grandes lajes corporativas de até 2.000 m², criando um novo modelo de edifício sustentável no país.
Cuiabá é conhecida há anos como uma das cidades mais quentes do Brasil, com sensação térmica que pode passar dos 50 ºC em dias extremos de verão. Em cenário assim, a regra nos escritórios é simples: ar-condicionado ligado o dia todo e conta de energia nas alturas. É justamente esse modelo que o Solum Hub, novo hub corporativo da capital mato-grossense, pretende desafiar com um projeto que aprende diretamente com a natureza.
O edifício foi concebido com base na forma como cupinzeiros regulam temperatura e umidade internas, usando túneis e câmaras que favorecem a circulação de ar. No prédio, a lógica é parecida, mas traduzida em arquitetura de alto padrão, com grandes aberturas e vazios internos que criam um fluxo constante de ventilação natural.
Segundo reportagens recentes sobre o projeto, a proposta é permitir que salas com até 2.000 m² operem com conforto térmico sem depender continuamente de sistemas mecânicos de climatização.
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Desenvolvido pelo grupo Scheffer, gigante do agronegócio mato-grossense, o Solum Hub foi projetado pelo escritório internacional Leinemann | Ortiz, em parceria com o estúdio colombiano Obreval Arquitectura. A intenção declarada é criar um marco urbano de arquitetura biomimética no cerrado, unindo negócios, bem-estar e natureza em um único endereço corporativo.
Localizado na Rodovia Helder Cândia, ao lado do condomínio Brasil Beach Home e próximo aos condomínios Florais, o empreendimento se posiciona como um novo polo de negócios em Cuiabá. Com acesso facilitado a áreas como o Shopping Estação e o Parque das Águas, o prédio tenta conciliar localização estratégica com um desenho urbano mais verde e integrado ao entorno.
Arquitetura inspirada em cupinzeiros em uma das cidades mais quentes do mundo
A base conceitual do Solum Hub está na arquitetura biomimética, área que busca na biologia soluções para problemas humanos de engenharia, conforto e eficiência energética. No caso dos cupinzeiros, a natureza já desenvolveu uma estrutura capaz de manter o interior estável mesmo sob calor extremo. O prédio toma esse modelo como referência direta para criar um edifício que também respira.
De acordo com reportagens especializadas em tecnologia e arquitetura, os cupinzeiros funcionam com um sistema de túneis internos em que o ar quente sobe, perde calor ao atravessar as paredes e desce resfriado por canais mais estreitos. Esse ciclo contínuo mantém temperatura e umidade adequadas para a colônia. No Solum Hub, aberturas estruturais e vazios internos procuram reproduzir essa lógica, guiando o ar quente para fora e puxando ar mais fresco para dentro.
Segundo o portal Travel e outros veículos que cobrem urbanismo e turismo, o edifício é descrito como um organismo que se adapta ao cerrado. Jardins, terraços abertos e espelhos d’água ajudam a estabilizar o microclima interno, reforçando a sensação de oásis corporativo em meio ao calor intenso da capital mato-grossense.
Como funciona a ventilação natural que reduz o uso de ar-condicionado
Nos materiais de divulgação do projeto e em reportagens recentes, o Solum Hub é apresentado como um prédio que funciona com ventilação natural predominante, reduzindo drasticamente a necessidade de ar-condicionado tradicional. A ideia é que o ar quente produzido pela ocupação e pelos equipamentos suba pelos vazios internos e saia por aberturas superiores, enquanto o ar mais fresco entra por pontos de renovação nas fachadas e varandas.
O prédio foi pensado para manter conforto térmico mesmo em dias em que a sensação térmica em Cuiabá se aproxima dos 50 ºC, algo que costuma exigir forte carga de climatização em edifícios convencionais.
Especialistas lembram, porém, que a estratégia principal é reduzir a dependência do ar-condicionado e torná-lo complementar, não necessariamente eliminá-lo em todas as situações, o que já representa um ganho relevante em consumo de energia.
Estrutura gigante, salas flexíveis e serviços completos para empresas
O Solum Hub foi concebido como um hub corporativo de alto padrão, com lajes que variam de 100 a 2.000 m² e permitem configurações flexíveis para empresas de diferentes portes. Segundo o site oficial do empreendimento, o prédio oferece plantas adaptáveis para coworkings, sedes corporativas e espaços híbridos de trabalho, aproximando o projeto dos grandes centros de negócios vistos em capitais como São Paulo.
Há uma pequena divergência entre algumas reportagens e o material oficial sobre o número de pavimentos. Enquanto veículos de imprensa citam o edifício com oito andares, o site do Solum Hub aponta 11 pavimentos na configuração atual, o que indica evolução do projeto ao longo do processo de desenvolvimento. Em comum, todas as fontes destacam a presença de pavimentos amplos, varandas com vegetação e espaços de uso comum distribuídos verticalmente.
Além das salas corporativas, o complexo reúne auditório, academia, restaurante, salão de eventos, rooftop panorâmico e estacionamento. A ideia é que o trabalhador possa resolver quase tudo no próprio endereço de trabalho, reduzindo deslocamentos e tornando a rotina mais integrada. Esse modelo de hub corporativo vem ganhando espaço em cidades brasileiras que buscam concentrar serviços e qualidade de vida em um mesmo ponto.
Outra frente importante está no paisagismo. Varandas com vegetação densa, jardins internos e terraços arborizados funcionam como barreiras naturais ao calor, filtram o ar e criam sombra nas fachadas. Com isso, o verde passa a ser parte da infraestrutura técnica do prédio, e não apenas elemento decorativo.
Localmente, o Solum Hub também reforça a estratégia de urbanização da região da Rodovia Helder Cândia, onde já se destacam condomínios residenciais de alto padrão e empreendimentos de lazer. Ao atrair empresas e serviços, o hub tende a valorizar ainda mais o entorno, o que abre debate sobre quem se beneficia primeiro desse tipo de inovação urbana em uma cidade com fortes desigualdades.
Energia, sustentabilidade e arquitetura biomimética no cerrado
De acordo com análises publicadas em veículos de arquitetura, o Solum Hub se insere em uma tendência global de edifícios que consomem menos energia em climas extremos, combinando ventilação natural, sombreamento, materiais de alto desempenho e presença intensa de vegetação. Em cidades muito quentes, cada ponto percentual de redução no uso de ar-condicionado representa impacto direto na conta de luz e na emissão de gases de efeito estufa.
No caso de Cuiabá, onde a demanda por climatização é alta grande parte do ano, a aposta em soluções bioinspiradas funciona também como demonstração de tecnologia e de compromisso com agendas de sustentabilidade corporativa. Empresas que ocuparem o Solum Hub poderão usar o prédio como vitrine de ESG aplicado à arquitetura, algo cada vez mais valorizado por investidores e parceiros de negócios.
No seu ponto de vista, projetos como o Solum Hub são um avanço que deve ser aplaudido ou apenas mais um símbolo de inovação restrito a poucos metros quadrados de alto padrão? Você acha que prédios inspirados na natureza deveriam receber incentivos públicos, mesmo quando atendem principalmente empresas e investidores? Deixe seu comentário.

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