O menor bioma do Brasil, o Pantanal, sofre com perda de água, incêndios recordes e pressões econômicas, apesar de abrigar uma das maiores biodiversidades do planeta.
Embora seja reconhecido por sua exuberância natural, o Pantanal, o menor bioma do Brasil, vive um cenário de contrastes. Ao mesmo tempo em que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, a região enfrenta redução hídrica, incêndios severos e impactos associados às atividades produtivas.
Dados recentes mostram que as transformações ambientais já afetam a dinâmica do bioma. Além disso, especialistas alertam que eventos extremos se tornaram mais frequentes.
Perda de água acende alerta no menor bioma do Brasil
O Pantanal é o bioma que mais perdeu superfície de água em relação à média histórica nacional, segundo o MapBiomas. Entre 2009 e 2024, a retração chegou a 61%.
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“Em 2024, o Pantanal ficou abaixo da média histórica durante todos os 12 meses”, informa o portal.
O levantamento também destaca que “oito dos 10 anos mais secos de toda a série [histórica] ocorreram na última década”.
A diminuição da água contribui diretamente para o agravamento de outro problema recorrente: os incêndios.
Incêndios recordes e impacto ambiental
Em 2020, o bioma registrou a pior temporada de queimadas da história recente. Mais de 3,9 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo — cerca de 26% do Pantanal.
Segundo a organização SOS Pantanal, “No Pantanal, mais de 95% dos incêndios são causados por ações humanas, intencionais ou não”.
A entidade explica ainda:
“Em períodos de seca a propagação do fogo sem controle em áreas florestais e de savana ocorre com maior frequência e intensidade. Fatores como baixa umidade ambiental associados à ondas de calor apresentam um cenário de altíssimo risco para a propagação das chamas.”
Pressões econômicas moldam o território
A principal atividade econômica do menor bioma do Brasil é a pecuária extensiva. Estima-se a presença de 3 a 4 milhões de cabeças de gado, conforme dados da Embrapa Pantanal.
Cerca de 80% das áreas produtivas são destinadas a pastagens, movimentando aproximadamente R$ 2 bilhões por ano.
Além disso, até 95% das fazendas pantaneiras dependem da atividade pecuária, segundo o Portal CNA Brasil.
Por outro lado, há uma característica que diferencia o Pantanal de outros biomas.
Pastagens naturais reduzem parte dos impactos
Até 90% das áreas de pasto são formadas por vegetação natural. Esse fator reduz impactos quando comparado a regiões onde ocorre conversão intensiva de áreas nativas para agricultura mecanizada.
Ainda assim, especialistas alertam que a expansão da fronteira agrícola e mudanças no uso do solo ampliam riscos ecológicos.
Estima-se que o Pantanal ainda mantenha cerca de 80% de sua vegetação original preservada. O número, embora positivo, não elimina preocupações.
A combinação entre secas prolongadas, incêndios e intervenções humanas cria um ambiente de crescente vulnerabilidade.

Grandeza ambiental apesar da menor extensão
Com área estimada entre 150 mil e 210 mil km², o Pantanal ocupa menos de 2% do território brasileiro.
Ainda assim, forma uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Sua dinâmica é marcada por ciclos anuais alternados de cheia e seca.
Durante o período chuvoso, até 80% do bioma pode ficar inundado, formando uma vasta rede de rios e lagoas interligadas. Essa sazonalidade sustenta uma biodiversidade impressionante.
Diversidade biológica surpreende no menor bioma do Brasil
De acordo com o ICMBio, a flora pantaneira reúne mais de 3.500 espécies de plantas, em uma mistura de influências do Cerrado, Amazônia e Chaco.
A fauna também impressiona:
- 124 espécies de mamíferos
- 325 espécies de peixes
- Centenas de répteis e anfíbios
- 463 espécies de aves
Esse conjunto posiciona o Pantanal entre os ecossistemas mais ricos do planeta.
Onça-pintada: predador-símbolo do bioma
O Pantanal concentra a maior densidade populacional de onças-pintadas. Estima-se que até 50% da população mundial da espécie esteja em território brasileiro, especialmente na região pantaneira.
Levantamentos indicam presença de 2 a 7 indivíduos a cada 100 km².
Espécies emblemáticas reforçam identidade do Pantanal
Além da onça-pintada, o bioma abriga:
- Arara-azul-grande
- Jacaré-do-pantanal
- Capivara
- Tuiuiú (jabiru)
O tuiuiú, ave-símbolo, pode atingir 1,6 metro de altura, pesar cerca de 8 kg e apresentar até três metros de envergadura.
Área protegida é referência internacional
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, criado em 1981, reúne mais de 135 mil hectares de áreas alagáveis, rios e lagoas.
Administrado pelo ICMBio, é considerado um dos melhores destinos do mundo para observação de fauna.
Mesmo sendo o menor bioma do Brasil, o Pantanal desempenha papel ecológico global.
No entanto, enfrenta um equilíbrio delicado entre conservação, mudanças climáticas e atividades econômicas.
Preservar esse patrimônio natural tornou-se, cada vez mais, uma questão estratégica para o Brasil e para o planeta.
Com informações da Revista Fórum.
