Vídeos gravados em Goiânia impulsionaram a visibilidade de uma jovem religiosa com passado em concursos de beleza, reacendendo discussões sobre fé, redes sociais e atuação em espaços públicos fora do ambiente tradicional religioso.
A freira conhecida como irmã Eva, de 21 anos, voltou a ganhar destaque nas redes sociais após a circulação de vídeos em que aparece vendendo artigos religiosos, como terços, em um bar de Goiânia (GO).
As imagens chamaram atenção pelo contraste entre o local e a atividade religiosa, o que impulsionou a disseminação do conteúdo e despertou curiosidade sobre sua trajetória pessoal.
A jovem se chama Kamila Cardoso e passou a ser associada, em publicações e comentários nas redes, ao rótulo de “a mais bela do mundo”.
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A expressão não corresponde a um título oficial, mas aparece vinculada à sua participação anterior em concursos de beleza, antes da entrada na vida religiosa.
Entre essas conquistas está o título de Miss Continente Teen Sol Nascente, obtido em uma etapa regional do concurso.
Quem é Kamila Cardoso antes da vida religiosa

Natural de Patos de Minas (MG), Kamila Cardoso teve passagem pelo universo da moda e de concursos de miss ainda na adolescência.
Fotografias desse período foram divulgadas por familiares e reapareceram após a viralização do vídeo gravado em Goiânia, ajudando a reconstruir sua trajetória antes da decisão religiosa.
De acordo com relatos reproduzidos por diferentes veículos de imprensa, Kamila chegou a se preparar para disputar uma final nacional de concurso de beleza.
No entanto, optou por desistir da competição às vésperas do evento para se dedicar integralmente à vida religiosa, decisão que passou a ser destacada como um marco em sua história pessoal.
Desde então, ela adotou o nome religioso de irmã Eva e passou a atuar em atividades ligadas à comunidade da qual faz parte, o que inclui ações sociais e a venda de objetos religiosos para arrecadação de recursos.
Freira não católica: esclarecimento sobre a congregação
Apesar de muitos comentários associarem automaticamente o hábito religioso à Igreja Católica, irmã Eva não integra a Igreja Católica Apostólica Romana.
Segundo informações divulgadas pela própria comunidade e confirmadas em reportagens, ela segue a fé ortodoxa e faz parte da Congregação Sancta Dei Genitrix, descrita como uma comunidade religiosa independente.
A congregação está vinculada a uma estrutura registrada como Igreja Católica Ortodoxa Siriana Renovada e tem sede em Brasília (DF).
A diferenciação ganhou destaque após a repercussão do caso, já que parte do público interpretou inicialmente que se tratava de uma freira católica, o que não corresponde à filiação religiosa apresentada nos canais oficiais da comunidade.
Em materiais institucionais, a congregação informa que mantém atividades religiosas e sociais concentradas na região conhecida como Sol Nascente, no Distrito Federal, onde funciona a Chácara da Gruta, espaço utilizado para acolhimento e projetos comunitários.
Venda de artigos religiosos em bar e atuação missionária
O vídeo que impulsionou a repercussão mostra irmã Eva oferecendo itens religiosos em um bar, o que gerou questionamentos sobre o uso de espaços não religiosos para esse tipo de atividade.
Em entrevista ao g1, a freira explicou que a iniciativa faz parte de uma estratégia de aproximação com pessoas que não frequentam ambientes religiosos tradicionais.
Segundo a própria religiosa, a venda dos itens tem dupla finalidade: promover a evangelização e arrecadar recursos para a manutenção da comunidade e de seus projetos sociais.
Em declaração publicada pelo portal, ela afirmou:
“Ali, entre pessoas comuns, muitas vezes feridas, é onde Cristo mais deseja estar, além de espalharmos a caridade arrecadando fundos para nossa comunidade. Como já fui modelo, eu quero que nosso projeto ganhe fama e não só para mim”.
A Folha de S.Paulo também destacou que, de acordo com Kamila, a comercialização dos artigos não deve ser entendida apenas como uma transação financeira, mas como uma forma de diálogo religioso e de captação de apoio para iniciativas assistenciais mantidas pela congregação.
Projetos sociais mantidos pela comunidade religiosa
A atuação social da congregação passou a receber mais atenção após a viralização do caso.
Em sua página institucional, a comunidade informa que mantém mais de 18 projetos sociais em Brasília, no entorno do Distrito Federal e em cidades de Goiás, voltados principalmente a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Entre as iniciativas citadas estão ações de reforço escolar, atendimentos psicológicos, serviços odontológicos, além de visitas a penitenciárias e hospitais.
As informações são apresentadas como parte das atividades regulares desenvolvidas pela comunidade, com apoio de voluntários e de recursos arrecadados em ações como a venda de artigos religiosos.
Os projetos também são mencionados em reportagens que abordaram o caso, reforçando que a arrecadação obtida em atividades externas é direcionada para a manutenção dessas iniciativas, segundo a própria congregação.
Alerta sobre perfis falsos e exposição nas redes sociais
Com o aumento da visibilidade, surgiram perfis não oficiais utilizando o nome e a imagem da freira.
Diante disso, irmã Eva divulgou um comunicado pedindo que o público não siga páginas que não estejam vinculadas aos canais institucionais da comunidade.
Em vídeo publicado nas redes oficiais, ela afirmou:
“Esses perfis, por favor, não sigam, não curtam, não acompanhem, porque não são perfis reais”.
A orientação foi para que interessados em acompanhar as atividades busquem apenas os meios de comunicação reconhecidos pela congregação.
A ampla circulação das imagens reacendeu debates sobre religião, exposição nas redes sociais e os limites entre vida religiosa e espaço público.

