El Niño aumenta a preocupação com eventos extremos, enquanto construção civil revê cronogramas e produtores adaptam lavouras e propriedades.
Com o El Niño, a possibilidade de chuvas intensas, ventos fortes e calor extremo exige adaptações na construção civil e em propriedades rurais. Enquanto construtoras precisam considerar possíveis interrupções de atividades para preservar a segurança dos trabalhadores, pequenos produtores modificam o manejo das plantações e dos animais. As medidas buscam reduzir os riscos climáticos, mas também podem afetar os custos e a produtividade.
O impacto vai além das condições necessárias para executar cada atividade. Mudanças repentinas no tempo podem comprometer cronogramas e exigir decisões que influenciam diretamente os resultados econômicos. Nesse cenário, especialistas defendem que a exposição a eventos extremos seja considerada no planejamento dos investimentos.
Construção civil precisa ajustar cronogramas diante de chuvas e ventos fortes
Na construção civil, a previsão de mau tempo pode representar atrasos em diferentes fases de um empreendimento. Determinados serviços não devem ser executados durante a chuva, já que as condições climáticas podem comprometer a segurança das equipes responsáveis pelas obras.
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Entre as atividades que precisam ser interrompidas em dias chuvosos, estão:
- Terraplanagem: etapa de preparação do terreno;
- Estruturação de vigas: atividade que integra a execução da estrutura da obra;
- Concretagem de lajes: serviço que depende de condições adequadas para sua realização.
Além da chuva, a força do vento também influencia as medidas adotadas nos canteiros. Renato Genioli Júnior, diretor de uma construtora, explica que a empresa utiliza sistemas de proteção periférica nos pavimentos e ambientes das edificações em construção.
Essas estruturas ajudam a impedir que materiais sejam carregados para fora da obra, além de proteger os profissionais e as pessoas que circulam nas proximidades. Assim, a preparação para condições climáticas adversas envolve tanto a organização das etapas de trabalho quanto a prevenção de acidentes.
Plantação de mirtilo passa por mudanças para enfrentar condições climáticas adversas
No meio rural, uma das estratégias de adaptação envolve a própria maneira de conduzir as plantações. Leonardo Maciel dos Santos, pecuarista e produtor de mirtilo, decidiu reduzir a poda para conservar uma quantidade maior de folhas nas plantas.
A intenção é aproveitar essa cobertura natural para diminuir a exposição dos frutos ao vento e às chuvas fortes. Entretanto, a mudança trouxe consequências para o rendimento da atividade: nesta safra, a redução na colheita chegou a até 2,5 quilos de mirtilo por pé.
O caso mostra como uma medida adotada para proteger a produção pode exigir uma compensação econômica. Para pequenos agricultores que já enfrentam aumento de custos, preservar as plantações diante de condições climáticas adversas também significa lidar com a possibilidade de colher menos.
Eventos extremos afetam produtividade e precisam entrar na conta dos investimentos
Os prejuízos associados às condições climáticas não se limitam à agricultura. Amanda Schutze, coordenadora do Centro de Estudos em Economia do Clima da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que os riscos provocados por eventos extremos precisam fazer parte das decisões de investimento.
Segundo a especialista, temperaturas excessivamente elevadas podem reduzir o rendimento de profissionais que exercem atividades ao ar livre. Além da diminuição da produtividade, essas situações podem provocar atrasos nos serviços e elevar as despesas relacionadas à saúde.
Os efeitos também alcançam os preços e o desempenho econômico de diferentes atividades. O El Niño, fenômeno climático cíclico que pode ganhar intensidade com temperaturas elevadas, amplia a preocupação com a capacidade de adaptação diante de eventos meteorológicos severos.
Produtor precisa mudar rotina das galinhas e investe em proteção natural da propriedade
Na mesma propriedade onde cultiva mirtilo, Leonardo também enfrenta dificuldades para organizar os cuidados com as galinhas. A alternância entre chuva e calor intenso exige atenção constante, porque os animais precisam de condições adequadas para permanecer nos espaços de criação.
Quando começa a chover, o produtor mantém as aves recolhidas. Se a temperatura sobe muito, precisa soltá-las, pois o calor dentro do local onde ficam abrigadas se torna um problema. A situação se complica quando uma nova pancada de chuva chega durante a tarde, exigindo outro recolhimento.
As adaptações não se restringem aos animais e às plantações. Leonardo também trabalha na formação de uma cortina verde com árvores nativas ao redor da propriedade, além de realizar plantios e recuperar nascentes como parte das ações adotadas na fazenda.
A combinação dessas iniciativas mostra que a preparação para os riscos climáticos envolve decisões em diferentes frentes. Enquanto as construtoras reforçam a segurança e reorganizam atividades conforme o tempo, produtores rurais precisam conciliar a proteção de seus cultivos e animais com os efeitos dessas escolhas sobre a produção.
Para quem depende diretamente das condições meteorológicas, a preocupação econômica apontada pela FGV ganha uma dimensão prática: reduzir a exposição ao clima pode exigir mudanças no trabalho diário, mesmo quando elas representam custos adicionais ou menor rendimento.

