Gerry Halman começou a construção em 1990, sem projeto arquitetônico convencional, e transformou o terreno de sua casa em Blesdijke, nos Países Baixos, em um castelo repleto de tijolos reaproveitados, armaduras, obras de arte e objetos históricos
Um castelo de cinco andares, com torres, passagens subterrâneas e um dragão metálico no topo, surgiu no quintal de uma casa em Blesdijke, pequena vila rural no norte dos Países Baixos. O responsável é o aposentado Gerry Halman, também conhecido como Lord Gregorious, que trabalhou durante 34 anos na construção registrada pela AFP em maio de 2024.
A contagem de 34 anos corresponde ao período entre o início da obra, em 1990, e a visita dos jornalistas ao local. Como os trabalhos continuaram, a página oficial do Castelo Olt Stoutenburght já descreve o projeto como uma construção com mais de 35 anos, 26 metros de altura, cinco pavimentos e mais de 250 mil tijolos preparados manualmente.
O prédio se ergue entre árvores e campos planos da província da Frísia, onde a silhueta das torres contrasta com as construções baixas da região. O serviço oficial de turismo local apresenta o castelo como o trabalho de uma vida, desenvolvido continuamente por Halman desde 1990.
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O conjunto não reproduz uma fortaleza específica. Ele reúne referências da arquitetura românica, do Egito Antigo, da cultura chinesa e de diferentes períodos europeus, acumuladas conforme o aposentado encontrava materiais e alterava suas ideias.
Uma imagem guardada na cabeça deu início à construção em 1990
Halman não partiu de uma planta arquitetônica detalhada. Em entrevistas concedidas ao longo dos anos, contou que imaginava as formas do castelo e começava a transformá-las em paredes, arcos e torres, ajustando cada parte enquanto trabalhava.

Antes de levantar os primeiros muros, ele estudou livros sobre construções antigas e visitou castelos em busca de referências. Uma publicação dedicada à chamada arte outsider informa que Halman frequentava a biblioteca pública de Zwolle para estudar arquitetura românica, marcada por paredes espessas, arcos arredondados e aberturas menores.
O interesse por personagens históricos também estava ligado à sua antiga profissão. Durante aproximadamente 35 anos, Halman administrou uma loja de aluguel de fantasias em Zwolle, experiência que ajuda a explicar as armaduras, esculturas, manequins e figuras mitológicas distribuídas pelo interior do castelo.
Tijolos retirados de demolições formaram paredes, torres e passagens subterrâneas
Grande parte da estrutura foi feita com materiais usados. Registros do SPACES Archives apontam que Halman aproveitou tijolos retirados de casas demolidas e de antigas pavimentações, além de instalar portas provenientes de uma prisão, uma lareira inglesa e uma grande mesa que pertenceu a uma prefeitura.
Embora a história seja frequentemente resumida como a obra de um homem sozinho, fontes locais registram ajuda pontual. Uma entrevista publicada pela revista neerlandesa Terdege menciona a participação do vizinho Gerardus Hermanus de Vent, conhecido como Gradus, homenageado em 2004 com uma pedra instalada na parede externa do castelo.
Halman, contudo, permaneceu como autor, financiador e principal executor do projeto. Ele decidiu o formato das paredes, trabalhou os materiais, procurou as peças decorativas e conduziu o crescimento do prédio durante mais de três décadas.
O interior virou uma coleção formada durante viagens e visitas a mercados de antiguidades. Segundo a revista Exame, o salão principal recebeu um lustre metálico encontrado em Istambul, grades de ferro no estilo art nouveau trazidas da Líbia e uma peça de madeira que pertenceu ao vagão-restaurante do Orient Express.
A biblioteca abriga centenas de livros sobre arte e história. Entre os objetos exibidos estão uma pistola de duelo, um punhal ritual da Indonésia, armaduras, personagens femininas, imagens religiosas e uma estátua da deusa grega Afrodite.
Autoridades desconfiaram do projeto e limitaram a altura da construção
A proposta enfrentou resistência quando Halman buscou autorização para construir. Conforme informou o jornal francês L’Express, autoridades locais questionaram como alguém sem experiência formal em arquitetura pretendia levantar um castelo, mas a licença foi concedida com a condição de que o prédio permanecesse abaixo de 28 metros.

Páginas turísticas e comunitárias da região registram um limite prático de 27 metros. O castelo chegou a 26 metros de altura, ficando abaixo do teto estabelecido, e se tornou uma referência visual na pequena Blesdijke.
Um dragão feito de sucata passou a vigiar o topo do castelo
A decoração mais visível está no ponto mais alto do prédio. Halman instalou um dragão montado com centenas de pedaços de metal reciclado, inspirado na associação da criatura com proteção e poder em tradições chinesas.
Ao lado do dragão existe uma cobra metálica, criada como referência aos faraós do Egito Antigo. As duas esculturas reforçam a mistura de culturas que orientou o projeto desde os primeiros anos.

O próprio nome Olt Stoutenburght acompanha essa combinação de história e fantasia. Segundo o arquivo Outsider Environments Europe, “olt” significa antigo, “stout” pode ser entendido como valente no neerlandês antigo e como travesso no uso contemporâneo, enquanto “burght” corresponde a cidadela.
O castelo, portanto, não é uma reconstrução arqueológica nem a reprodução de uma fortaleza desaparecida. É uma criação particular, feita com materiais de diferentes épocas e organizada conforme a imaginação de seu construtor.
Salões, armaduras e torres transformaram o quintal em atração turística
O Olt Stoutenburght passou a receber visitantes interessados na história da construção e nos objetos reunidos por Halman. As visitas precisam ser organizadas previamente, já que o local permanece como propriedade particular e área de trabalho.

As informações de atendimento indicam que as visitas guiadas duram cerca de uma hora e meia. Halman costuma conduzir pessoalmente os grupos, explicando a origem das peças e as alterações feitas no prédio ao longo dos anos.
Os passeios regulares são voltados principalmente para grupos com pelo menos 15 integrantes. O imóvel também pode ser usado em atividades culturais, sessões fotográficas, encontros e celebrações realizadas sob reserva.
A experiência muda de uma visita para outra porque novos elementos continuam sendo acrescentados. Paredes, esculturas e espaços internos não seguem uma ordem cronológica rígida, mas o acúmulo de ideias, peças recuperadas e oportunidades encontradas pelo construtor.
Família deverá assumir uma obra que Halman não considera terminada
Halman afirma que o castelo deverá permanecer com a família. Seus três filhos receberam a missão de continuar o projeto no futuro, enquanto a neta Sara van den Kamp recordou as brincadeiras de infância nos jardins e as celebrações de Natal realizadas no grande salão.
Mesmo depois de décadas, o aposentado evita declarar a construção concluída. Ele compara o processo a obras que atravessam gerações e sustenta que sempre existe uma parede, peça ou detalhe que pode ser modificado.
O resultado é um castelo de 26 metros que nasceu sem construtora, escritório de arquitetura ou orçamento divulgado. O que começou no quintal em 1990 virou uma estrutura de cinco pavimentos, feita principalmente com materiais reaproveitados e mantida em transformação pelo mesmo homem que colocou os primeiros tijolos.
Você passaria mais de três décadas construindo um projeto desse tamanho sem saber quanto gastaria até o final? Deixe nos comentários o que mais chamou sua atenção no castelo de Gerry Halman, o trabalho manual, as peças históricas ou o dragão de metal instalado no alto das torres.

