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Economista alemão acredita que a BMW, a Volkswagen e a Mercedes deixarão de existir “em sua forma atual”

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 17/11/2025 às 22:42
Economista prevê que BMW, Volkswagen e Mercedes podem desaparecer em sua forma atual e alerta para riscos tecnológicos e financeiros
Economista prevê que BMW, Volkswagen e Mercedes podem desaparecer em sua forma atual e alerta para riscos tecnológicos e financeiros
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Economista alemão afirma que BMW, Volkswagen e Mercedes podem deixar de existir em sua forma atual e gera forte reação da indústria ao apontar riscos na eletrificação, nos lucros e na corrida pela direção autônoma

A declaração de um dos economistas mais influentes da Alemanha acendeu um sinal de alerta no coração do setor automotivo europeu. Segundo ele, as três gigantes BMW, Volkswagen e Mercedes podem simplesmente deixar de existir como as conhecemos hoje.

A previsão ocorre em um momento de pressão tecnológica inédita, concorrência global acirrada e desafios estratégicos que colocam as montadoras diante de decisões que podem definir ou destruir o futuro de cada uma delas.

O cenário é tenso. Entre a eletrificação que exige investimentos enormes, a disputa pela liderança em direção autônoma e o peso das tarifas internacionais, as marcas tradicionais se veem diante de um tabuleiro que muda rápido demais.

A sensação é de que, se não houver uma adaptação precisa e veloz, a indústria alemã corre o risco de perder o protagonismo conquistado em décadas.

A fala que incendiou o debate na Alemanha

O alerta veio de Moritz Schularick, economista alemão amplamente respeitado em universidades e instituições financeiras.

Em suas palavras, BMW, Volkswagen e Mercedes enfrentam transformações tão profundas que podem deixar de existir em sua forma atual.

A declaração ganhou ainda mais força porque ocorre num momento em que o setor vive mudanças aceleradas.

A eletrificação exige atualizações constantes, e o desenvolvimento da direção autônoma se tornou um dos principais focos de investimento.

Tudo isso acontece enquanto as empresas buscam lucros mais sólidos, apesar das margens diminuírem em meio à concorrência chinesa e às políticas industriais globais.

Para Schularick, as tendências de médio e longo prazo já indicam que as montadoras tradicionais precisarão, inevitavelmente, de mudanças radicais.

A entrevista decisiva e as previsões de Schularick

A fala foi dada ao programa Caren Miosga, exibido pela emissora pública ARD. Na entrevista, Schularick afirmou que o setor automotivo da Alemanha deverá passar por um redesenho completo até o fim da década.

Ele foi direto ao prever que BMW, Volkswagen e Mercedes provavelmente não existirão mais em sua configuração atual. A expressão “forma atual” tornou-se o epicentro da discussão, levantando dúvidas sobre fusões, vendas, reestruturações profundas ou até perda de relevância global.

Segundo o economista, o estado atual da indústria demonstra fragilidade frente à concorrência internacional.

Em suas palavras:

A julgar pelas três principais montadoras alemãs, Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz, acredito que elas provavelmente não existirão mais em sua forma atual até o final da década, dado o estado atual da indústria automobilística alemã”.

Schularick também sugeriu que, nos próximos anos, investidores estratégicos podem assumir partes das três fabricantes.

Para sustentar a hipótese, ele citou o exemplo da Volvo, adquirida pelo Grupo Geely em 2010. A marca sueca, desde então, passou por uma revitalização profunda e hoje é considerada referência no setor premium.

Outro ponto levantado pelo economista é a corrida pela direção autônoma. Para ele, a Alemanha corre o risco de ficar para trás enquanto países concorrentes avançam em ritmo acelerado.

É uma grande preocupação que, em todo esse debate retrospectivo, estejamos nos esquecendo de qual é a próxima revolução e, portanto, ficando para trás novamente”.

Reações do setor às declarações

As palavras de Schularick provocaram forte reação em diferentes segmentos políticos e industriais. Hildegard Müller, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva, classificou a previsão como absurda. Para ela, as montadoras continuam bem-sucedidas, apesar das dificuldades impostas pela política alemã e pelo alto custo da energia.

Já Cem Özdemir, do Partido Verde, minimizou o risco de investidores chineses assumirem marcas como a Mercedes-Benz. Ele afirmou que mantém confiança no setor automotivo alemão e que cada área econômica deverá fazer sua parte para garantir estabilidade.

As reações reforçam a divisão entre especialistas. Enquanto alguns acreditam que as montadoras estão seguras, outros enxergam sinais de vulnerabilidade.

O peso dos desafios financeiros: a queda brusca da Porsche

Os problemas não se limitam a previsões. Alguns números recentes mostram que a pressão já está causando danos significativos.

Um dos casos mais emblemáticos é o da Porsche. A marca registrou uma queda de 99% em seu lucro operacional nos nove primeiros meses de 2025, comparado ao mesmo período do ano anterior.

A retração tem múltiplas causas:

• vendas em queda na China
• custos elevados relacionados a baterias
• impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos

A queda praticamente eliminou o desempenho financeiro da fabricante, trazendo um alerta para o restante do grupo Volkswagen e para o setor como um todo.

A Mercedes enfrenta turbulências, mas tenta reagir

A Mercedes-Benz também passa por um período delicado. Apesar das dificuldades, alguns sinais de recuperação começam a aparecer graças ao novo CLA, que atrai atenção da mídia e dos consumidores.

Ainda assim, a situação geral permanece sensível. O processo de adaptação aos veículos elétricos segue lento, e a competitividade global aperta. A disputa com marcas chinesas e americanas tem pressionado o posicionamento da empresa, que busca equilibrar investimentos em automação, eletrificação e redução de custos.

Demissões em massa: o retrato mais duro da crise

A previsão de Schularick não surgiu do nada. Os números relacionados a demissões mostram um setor em forte retração.

De acordo com estimativas da consultoria EY, mais de 200.000 empregos estão sob ameaça nos próximos anos. Apenas no último ano, cerca de 51.500 postos foram eliminados, o que representa 6,7% da força produtiva da indústria automotiva alemã.

Entre os casos mais impactantes está o da Volkswagen AG, que anunciou a redução de aproximadamente 35.000 empregos como parte de um amplo programa de reestruturação no país.

A Bosch, uma das maiores fabricantes de componentes automotivos do mundo, também confirmou cortes significativos. Ao todo, serão 13 mil vagas eliminadas. A empresa justificou a decisão afirmando que enfrenta:

• queda na demanda por peças
• transição para carros elétricos mais lenta que o previsto
• necessidade urgente de reduzir custos

As demissões não afetam apenas as grandes marcas. Toda a cadeia sofre em cascata:

• fornecedores de peças
• empresas de logística
• transporte
• setores industriais correlatos

A retração nas exportações, especialmente para a China, agrava ainda mais o cenário. Ao mesmo tempo, os altos custos de produção na Alemanha tornam a competição com países asiáticos ainda mais difícil.

O impacto direto nos trabalhadores e na economia local

Nas fábricas, os reflexos são imediatos. Muitas unidades operam com turnos reduzidos. Outras estão sendo fechadas ou adaptadas para reduzir o volume de produção.

Algumas empresas têm recorrido a:

• demissões voluntárias
• programas de jornada reduzida
• realocação interna

Mas as medidas não impedem o avanço da crise. O impacto social é evidente. Em regiões inteiras, o setor automotivo é responsável por grande parte da renda local. Quando uma fábrica reduz operações, toda a economia ao redor sente o abalo.

O desafio para o governo alemão

O governo enfrenta um dilema complexo. De um lado, há o compromisso com metas de sustentabilidade, que passam pela eletrificação acelerada da frota e pela redução das emissões. De outro, existe a necessidade de preservar empregos em um setor essencial para a economia nacional.

A transição verde, portanto, não tem sido simples. As demissões em massa revelam que os custos da mudança para veículos mais limpos vão muito além de trocar motores. O processo exige uma transformação radical de toda a infraestrutura industrial, algo que acontece em ritmo desigual.

Um futuro incerto para as gigantes alemãs

A previsão de Schularick não determina o futuro, mas a inquietação que ela gera evidencia as transformações profundas em curso.

O setor automotivo da Alemanha está diante de uma encruzilhada histórica, em que decisões estratégicas podem definir a sobrevivência de empresas que moldaram o imaginário global do automóvel.

Em meio a pressões tecnológicas, crise econômica, disputas internacionais e exigências ambientais, o panorama permanece indefinido.

Uma coisa, porém, já está clara: o setor automotivo alemão não sairá da próxima década igual ao que entrou.

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Paulo Martins
Paulo Martins
19/11/2025 08:03

Carros jamais faltarão no mercado em época alguma, nem que movidos à vela. Já a venda de novos modelos deve registrar queda considerável ao longo dos próximos anos. Tudo para se adequar às exigências de indicadores ambientais e comportamentais cada dia mais rigorosos. A saída inevitavelmente passa pelo investimento em transporte de massa como pela adoção de modalidades emergentes, tipo assinatura e locação temporária.

Antiesker Dophata
Antiesker Dophata
19/11/2025 04:58

Os eletricos são micos por 2 grandes motivos: a autonomia das baterias e locais/ tempo para recarga. Isso vai levar uns 30 anos, pelo menos, para resolver.
Essa ideia de eletricos veio dos comun@s, via fars# ambiental e faz parte da estrategia para a 3ª guerra mundial.

Antonio
Antonio
Em resposta a  Antiesker Dophata
19/11/2025 19:16

Fars# ambiental. Kkkk, esses bolsonaristas **** não têm jeito mesmo.

José da Costa Estrada neto
José da Costa Estrada neto
Em resposta a  Antiesker Dophata
19/11/2025 19:53

Na China já é realidade 60% da frota é elétrica, não sei onde está o seu “mico elétrico”, essa sua teoria da conspiração precisa de conteúdo, ficar na versão Papagaio de Pirata repetindo o que desconhece não vai te tirar da escuridão… 👁👁👁

Ricardo
Ricardo
19/11/2025 00:54

O futuro eh o seguinte, uma enorme stelantis com sua mesmice e os chineses

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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