1. Início
  2. Curiosidades
  3. Dubai transforma o fundo do mar em uma palmeira colossal, lança quase 100 milhões de m³ de areia, empilha 7 milhões de toneladas de rocha e faz surgir uma ilha artificial protegida por 11 km de barreira para impedir que ondas levem tudo embora
Faça um comentário 7 min de leitura

Dubai transforma o fundo do mar em uma palmeira colossal, lança quase 100 milhões de m³ de areia, empilha 7 milhões de toneladas de rocha e faz surgir uma ilha artificial protegida por 11 km de barreira para impedir que ondas levem tudo embora

Imagem de perfil do autor Ana Alice
Escrito por Ana Alice Publicado em 27/08/2026 às 19:18 Atualizado em 27/08/2026 às 19:31
Assista o vídeoPalm Jumeirah foi construída com milhões de toneladas de rocha e areia, GPS de precisão e um quebra-mar de cerca de 11 quilômetros. - Imagem: Reprodução
Palm Jumeirah foi construída com milhões de toneladas de rocha e areia, GPS de precisão e um quebra-mar de cerca de 11 quilômetros. – Imagem: Reprodução
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A forma de palmeira vista do alto esconde uma obra feita com areia dragada, milhões de toneladas de rochas, GPS de alta precisão e um sistema criado para resistir ao movimento constante do mar.

Vista do alto, a Palm Jumeirah parece ter sido desenhada diretamente sobre o mar.

O formato de uma palmeira, porém, esconde uma obra em que cada curva precisou ser construída com areia retirada do fundo do Golfo Árabe, milhões de toneladas de rocha e sistemas de posicionamento capazes de orientar máquinas trabalhando onde antes havia apenas água.

A ilha artificial começou a tomar forma em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 2001.

Para criar aproximadamente 5,6 quilômetros quadrados de novas terras, o projeto consumiu perto de 100 milhões de metros cúbicos de areia calcária, além de cerca de 7 milhões de toneladas de rochas usadas principalmente na estrutura que protege a ilha das ondas.

Mais de duas décadas depois do início das obras, a engenharia continua tendo trabalho.

Entre setembro de 2022 e o fim de 2023, por exemplo, a Nakheel concluiu uma intervenção em aproximadamente 55 quilômetros de praias da Palm Jumeirah, acrescentando cerca de 1,5 milhão de metros cúbicos de areia para recuperar áreas afetadas pela erosão natural.

A manutenção ajuda a explicar uma característica pouco visível de grandes ilhas artificiais: colocar areia no mar é apenas uma parte do desafio.

Depois de criado, esse novo pedaço de território permanece submetido diariamente às ondas, correntes e ao deslocamento dos próprios sedimentos.

Palm Jumeirah usou quase 100 milhões de metros cúbicos de areia

A construção da Palm Jumeirah começou pela chamada recuperação de terras, técnica utilizada para criar superfícies onde anteriormente havia água.

No caso de Dubai, quase 100 milhões de metros cúbicos de areia calcária foram retirados de áreas do fundo do mar localizadas a cerca de 11 quilômetros da costa.

Grandes dragas sugavam o material e o transportavam até a região demarcada para a ilha.

Nas áreas mais rasas, uma das técnicas utilizadas ficou conhecida como rainbowing.

O nome vem do formato criado pelo jato de areia e água quando o material é lançado pela embarcação em direção ao ponto que deverá ser preenchido.

O método permitia despejar grandes volumes de sedimentos sem depender exclusivamente de tubulações chegando a cada parte da futura ilha.

Pouco a pouco, o fundo marinho subiu até ultrapassar o nível da água e começar a formar o desenho que hoje pode ser observado em imagens aéreas.

Draga lança areia durante o processo de recuperação de terras usado na construção da Palm Jumeirah, em Dubai. Crédito: The View at The Palm/Divulgação.
Draga lança areia durante o processo de recuperação de terras usado na construção da Palm Jumeirah, em Dubai. Crédito: The View at The Palm/Divulgação.

GPS de alta precisão ajudou a desenhar a palmeira de Dubai

Espalhar milhões de metros cúbicos de areia não seria suficiente.

Era necessário colocar esse material exatamente nos pontos previstos pelos projetistas.

No oceano, entretanto, não existem ruas, paredes ou marcos físicos capazes de mostrar ao operador de uma draga onde termina uma fronde e começa outra.

Para resolver o problema, a construção recorreu ao Sistema de Posicionamento Global Diferencial, conhecido como DGPS.

Receptores móveis trabalhavam juntamente com sinais de satélite e uma referência fixa instalada em terra.

Os dados permitiam aos responsáveis acompanhar a altura e a posição da areia enquanto as dragas avançavam.

Segundo a documentação histórica da Palm Jumeirah, o sistema podia orientar a deposição do material com precisão na escala de centímetros.

Além da tecnologia de posicionamento, equipes de topografia percorriam diariamente as bordas das áreas que começavam a surgir acima da água.

Esse controle era especialmente importante porque a ilha não possui uma geometria simples.

O projeto reúne um tronco central e 17 frondes, além do crescente que contorna a parte externa da estrutura.

Um pequeno erro repetido milhares de vezes durante a deposição da areia poderia alterar significativamente o desenho final.

Quebra-mar de 11 quilômetros protege a Palm Jumeirah

Enquanto a areia avançava, outro trabalho acontecia ao redor da futura palmeira.

A estrutura precisava de proteção contra ondas, tempestades e os ventos conhecidos na região como Shamal, que sopram do noroeste e podem intensificar as condições marítimas.

A resposta dos engenheiros foi construir um enorme quebra-mar em formato de crescente.

A barreira possui aproximadamente 11 quilômetros de extensão e utilizou cerca de 7 milhões de toneladas de rochas.

Boa parte dessa construção fica abaixo da superfície e, por isso, não aparece nas fotografias aéreas que tornaram a Palm Jumeirah conhecida mundialmente.

O quebra-mar possui diferentes camadas.

Pedras menores e materiais de núcleo formam a parte interna, enquanto a superfície externa recebe grandes blocos capazes de resistir ao impacto constante das ondas.

Algumas das rochas utilizadas na camada de proteção chegam a aproximadamente seis toneladas.

Em vez de funcionar como uma parede totalmente rígida, a estrutura foi projetada para permitir pequenos movimentos e dissipar parte da energia recebida.

Sua forma curva também ajuda a direcionar as ondas ao redor do crescente, reduzindo a força que alcança as áreas internas da ilha.

A construção do quebra-mar começou em 2001 e foi concluída em 2003.

Proteção contra as ondas criou um problema de circulação da água

O quebra-mar cumpria tão bem sua função de proteger a ilha que surgiu um problema diferente.

Ao cercar grande parte das frondes com uma barreira extensa, a estrutura poderia dificultar a entrada e a saída de água do mar.

Modelagens realizadas durante o desenvolvimento apontaram que a renovação da água no interior da Palm Jumeirah precisava ser melhorada.

Foram utilizados modelos numéricos e tridimensionais para estudar o comportamento das marés, a qualidade da água e o tempo necessário para sua circulação.

A solução escolhida envolveu duas grandes aberturas no crescente.

Cada passagem possui cerca de 150 metros, permitindo maior troca de água entre a parte protegida da Palm Jumeirah e o mar aberto.

Como uma estrada percorre o crescente, pontes foram construídas sobre esses canais para preservar a ligação terrestre.

A documentação do projeto afirma que as aberturas foram dimensionadas para permitir a renovação das águas ao redor da ilha em intervalos de aproximadamente duas semanas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Solo artificial precisou ser preparado para receber construções

Uma vez que a areia emergiu do mar, ainda era necessário transformá-la em solo capaz de receber ruas, redes de infraestrutura, edifícios e outras construções.

O material recuperado precisou passar por processos de compactação e preparação.

Essa etapa é importante porque areia recém-depositada pode sofrer acomodação quando submetida ao peso de estruturas construídas posteriormente.

Ao mesmo tempo, o monitoramento das margens continuou sendo necessário.

A Palm Jumeirah acrescentou aproximadamente 70 quilômetros de litoral a Dubai, mas criar praias artificiais não impede o mesmo fenômeno que ocorre em praias naturais: ondas e correntes continuam movimentando areia.

Foi justamente esse processo que levou a uma intervenção realizada entre 2022 e 2023.

Praias receberam mais 1,5 milhão de metros cúbicos de areia

A Nakheel informou em janeiro de 2024 que havia concluído um programa de recuperação das praias da Palm Jumeirah iniciado em setembro de 2022.

O trabalho alcançou cerca de 55 quilômetros de faixa costeira.

Durante o projeto, aproximadamente 1,5 milhão de metros cúbicos de um tipo específico de areia marinha foram adicionados às praias.

As equipes também reajustaram a largura e a inclinação de determinados trechos.

Segundo a empresa, a intervenção buscou recuperar áreas afetadas pela erosão natural acumulada ao longo do tempo, além de contribuir para a circulação de água entre as frondes.

O serviço avançava por aproximadamente 300 metros de praia por dia até sua conclusão no fim de 2023.

A intervenção demonstra que até uma estrutura protegida por milhões de toneladas de rocha permanece sujeita ao comportamento natural do ambiente costeiro.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Parte da engenharia da Palm Jumeirah permanece debaixo d’água

Quem observa a ilha por imagens de satélite vê principalmente hotéis, residências, praias e o conhecido desenho da palmeira.

Uma parcela significativa da engenharia que mantém esse formato, contudo, está debaixo da água.

O quebra-mar possui aproximadamente 350 hectares de superfície rochosa, grande parte submersa.

Durante sua construção, mergulhadores chegaram a verificar o posicionamento das pedras colocadas abaixo da linha d’água, enquanto amostras dos materiais eram analisadas para garantir tamanho e características adequadas.

A própria areia que forma a ilha também continua em movimento, exigindo acompanhamento e intervenções quando a erosão altera praias e margens.

Por isso, a Palm Jumeirah não funciona como uma estrutura construída uma vez e simplesmente abandonada às condições do Golfo Árabe.

Sua permanência depende da combinação entre proteção costeira, circulação da água, monitoramento e reposição de sedimentos.

Vista do alto, a palmeira continua sendo seu elemento mais reconhecível.

Sob a superfície, porém, há quilômetros de rochas, areia compactada e estruturas planejadas para que aquela forma permaneça no mesmo lugar enquanto o mar ao redor continua se movimentando.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x