O terminal em Angola terá 37 hectares, capacidade de 1,2 milhão de TEUs e novos guindastes STS e RTG, enquanto a concessão da DP World no Porto de Luanda foi estendida até 2051.
A DP World anunciou em 6 de outubro de 2026 um investimento adicional de US$ 90 milhões para ampliar seu terminal em Angola, no Porto de Luanda. O projeto elevará o comprimento do cais para 830 metros e permitirá atender dois navios Post-Panamax simultaneamente, ao mesmo tempo em que a capacidade projetada do terminal sobe de 500 mil para 1,2 milhão de TEUs.
Segundo a DP World, a expansão será executada ao longo dos próximos dois anos e acompanha a prorrogação por dez anos da concessão do terminal multipropósito, agora válida até 2051. O plano também inclui novos equipamentos de movimentação de contêineres e aumento da área operacional.
Porto de Luanda terá cais de 830 metros e área de 37 hectares

O projeto ampliará a área da concessão de 27 para 37 hectares, acréscimo de 10 hectares. O cais, hoje com aproximadamente 610 metros segundo o quadro de indicadores divulgado pela empresa, chegará a 830 metros depois da expansão.
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Essa configuração cria espaço para uma mudança relevante no atendimento marítimo. Com o novo comprimento e os equipamentos previstos, o terminal poderá operar dois navios Post-Panamax ao mesmo tempo, aumentando a capacidade de receber embarcações maiores sem depender da liberação de um único ponto de atracação.
A DP World também projeta redução de até 50% no tempo de permanência dos navios durante as operações portuárias. Trata-se de uma expectativa associada à futura configuração do terminal e não de um resultado já alcançado pela infraestrutura atual.
O terminal em Angola entra em uma nova fase depois de cinco anos de crescimento no volume movimentado e de sucessivas aquisições de equipamentos para acompanhar essa expansão.
Capacidade salta de 500 mil para 1,2 milhão de TEUs

A mudança mais expressiva aparece na capacidade projetada. A DP World calcula que o terminal passará de 500 mil para 1,2 milhão de TEUs por ano, aumento de 700 mil TEUs, equivalente a 140% sobre a capacidade atual indicada pela companhia.
O TEU é a unidade utilizada internacionalmente para medir capacidade de contêineres e corresponde ao volume de um contêiner padrão de 20 pés. O salto para 1,2 milhão coloca a expansão física do cais, do pátio e dos equipamentos dentro de uma mesma estratégia operacional.
O crescimento recente ajuda a explicar o investimento. Desde que assumiu a operação em 2021, a DP World afirma ter visto a movimentação anual praticamente dobrar, saindo de 177 mil TEUs para mais de 350 mil TEUs ao longo de cinco anos.
Nesse período, foram incorporados aproximadamente 28 mil m² adicionais de área de pátio. A infraestrutura para contêineres refrigerados também aumentou, com o número de tomadas reefer passando de 630 para 700.
Três guindastes STS e 12 RTGs semiautomatizados reforçarão operação
O pacote de US$ 90 milhões inclui a aquisição de três guindastes Ship-to-Shore, conhecidos como STS, e 12 guindastes de pórtico sobre pneus RTG semiautomatizados. Os equipamentos atuarão nas operações entre navio, cais e pátio.
Os STS são responsáveis principalmente pela transferência de contêineres entre embarcação e terminal. Já os RTGs organizam e movimentam as unidades dentro das áreas de armazenagem, permitindo que o aumento da capacidade de atracação seja acompanhado por maior produtividade em terra.
A DP World também adquiriu em 2026 outros dois Mobile Harbour Cranes. Com isso, o total de guindastes móveis portuários chegou a oito, além de um equipamento adicional destinado à movimentação de contêineres vazios.
A combinação desses investimentos busca impedir que a ampliação do cais crie gargalos no restante do fluxo. Receber dois Post-Panamax simultaneamente exige capacidade compatível não apenas na atracação, mas também na retirada, armazenagem e redistribuição dos contêineres.
DP World já investiu mais de US$ 260 milhões desde 2021
Antes do novo pacote, a empresa afirma ter aplicado mais de US$ 260 milhões na modernização do terminal desde o início da concessão, em 2021. O investimento anunciado em outubro acrescentará outros US$ 90 milhões nos dois anos seguintes.
A decisão de investir novamente veio junto com a extensão da concessão até 2051. Segundo a companhia, o prazo adicional oferece uma base de longo prazo para concluir a expansão e operar os ativos incorporados ao terminal.
Mohammed Akoojee, CEO e diretor-gerente da DP World para a África, afirmou que a capacidade de receber embarcações maiores deverá apoiar novos serviços marítimos e fortalecer Luanda como porta de entrada para mercados da África Ocidental e Central.
Paco Pinzon, CEO da DP World Luanda, relacionou a prorrogação da concessão ao plano de aumentar eficiência e conectividade comercial. A empresa também associa o projeto à atração de investimentos e ao desenvolvimento de fluxos regionais de comércio.
Dois Post-Panamax poderão operar simultaneamente no cais
O ponto operacional mais visível da expansão será a possibilidade de atender duas grandes embarcações ao mesmo tempo. Navios Post-Panamax possuem dimensões superiores às limitações originais do Canal do Panamá e normalmente exigem infraestrutura portuária de maior porte.
No Porto de Luanda, o cais ampliado e os novos STS deverão permitir que duas unidades desse tipo sejam atendidas simultaneamente. Isso aumenta a flexibilidade para programar escalas e reduz a dependência de uma sequência em que um navio precisa deixar o terminal antes que outro comece sua operação.
Essa capacidade também exige coordenação de pátio, equipamentos e acessos terrestres. À medida que os volumes crescem, o fluxo de contêineres precisa ser absorvido sem transferir o gargalo do cais para outras partes do terminal.
A ampliação busca justamente elevar a capacidade operacional em várias etapas ao mesmo tempo, combinando área adicional, novos equipamentos e maior frente de atracação.
Expansão tenta consolidar Luanda como corredor logístico regional
A DP World pretende posicionar o terminal em Angola como uma porta de entrada para a África Central e um centro relevante de comércio na África Subsaariana. A localização de Luanda permite que a infraestrutura marítima seja utilizada tanto para o mercado angolano quanto para fluxos regionais.
A empresa associa a expansão à melhoria da competitividade das exportações, criação de oportunidades de trabalho e desenvolvimento industrial. Essas projeções dependem, contudo, do crescimento efetivo dos fluxos comerciais e da utilização da capacidade adicional após a conclusão das obras.
O cronograma divulgado prevê que os US$ 90 milhões sejam aplicados nos próximos dois anos. Durante esse período, o terminal precisará incorporar os novos equipamentos, ampliar o cais e adicionar dez hectares à área operacional.
Quando essa configuração estiver concluída, o terminal em Angola terá uma capacidade projetada mais de duas vezes superior à atual e infraestrutura para operar simultaneamente dois Post-Panamax. O resultado esperado pela DP World é reduzir tempos de atendimento e ampliar a participação do Porto de Luanda nas rotas de contêineres que conectam Angola aos mercados internacionais.
