Karen Isler e o marido, Alessandro Isler, saíram de Rio Claro, no interior de São Paulo, na madrugada de 16 de novembro de 2010 e voltaram com a guarda de Moisés, então com apenas quatro meses. Aos quase 7 anos, ele tem idade mental de uma criança de um ano
A dona de casa Karen Isler, de 29 anos, e o marido, Alessandro Isler, adotaram em 2010 um bebê de quatro meses com microcefalia que havia sido abandonado ainda recém-nascido dentro de uma caixa de sapato em uma rua no Rio de Janeiro. A criança também tinha sido rejeitada pela primeira família adotiva assim que a deficiência foi diagnosticada.
O relato foi publicado pela Exame em 19 de junho de 2017, às 6h, em texto assinado por Valéria Bretas, a partir de depoimento concedido por Karen Isler ao site.
Para 66% de quem espera para adotar, deficiência está fora de cogitação

Para 66% das pessoas que estão na lista de espera para adotar uma criança no Brasil, ter um filho adotivo com doença ou deficiência está fora de cogitação, aponta a reportagem.
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Karen Isler faz parte do grupo que não responde a essa estatística, registra o texto.
Há quase oito famílias pretendentes para cada criança disponível
De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), para cada menor de idade disponível para adoção há quase oito famílias pretendentes.
Mesmo assim, essa fila está longe de ser zerada porque, na maioria dos casos, o perfil de criança não se encaixa naquele desejado por quem pretende adotar um filho.
Primeira foto foi decisiva para Karen: “ele já era meu”
Sobre o primeiro contato com a imagem do menino, Karen Isler afirmou: “Assim que me mostraram a primeira foto dele, eu senti como se eu estivesse grávida e acabasse de descobrir que eu teria um filho com necessidades especiais. A partir daquele momento não consegui fingir que ele não existia, ele já era meu”.
No início, por medo, o marido foi contra a adoção, conta ela no relato.
Duas fotos com Moisés sorrindo convenceram Alessandro
O primeiro contato do casal com Moisés foi por meio de fotos. Nas duas imagens que receberam, ele estava sorrindo.
Foi com aquele sorriso que ele encorajou o marido, segundo Karen. Os dois choraram muito, e Alessandro disse em seguida: “Ele é o nosso filho e nós vamos buscá-lo”.
Viagem de mais de 550 km saiu de Rio Claro na madrugada de 16 de novembro
O casal que estava com Moisés morava na cidade do Rio de Janeiro, e a família Isler, em Rio Claro, no interior de São Paulo.
Uma semana depois, na madrugada do dia 16 de novembro de 2010, eles saíram de Rio Claro e percorreram mais de 550 quilômetros até o Rio.
Guarda saiu no mesmo dia, na sala da assistente social
Quando chegaram à sala da assistente social, Moisés já estava no colo da profissional.
O casal se aproximou e o menino começou a pular e sorrir muito. Karen descreve o momento como uma mistura de alegria com um toque de dúvida sobre dar conta, e afirma que saíram daquela sala já com a guarda dele.
Foram oito horas de viagem de volta com paradas por causa do choro
Nas oito horas de viagem até a casa da família, o carro precisou parar várias vezes.
Moisés chorava desesperadamente, ainda não reconhecia o casal como pais e passou mais ou menos dez dias chorando até se acostumar. Karen descreve o período como um processo de adaptação estressante para o menino e para todos.
Kariely, prestes a completar 4 anos, ajudava nos cuidados
A relação de Moisés com Kariely, a outra filha do casal, que estava para completar quatro anos de idade, foi muito boa desde o início.
Além de ficar encantada com o irmãozinho, ela não o via como deficiente e ajudava nos cuidados dele, conta a mãe.
Aos 12 meses, começaram crises convulsivas de mais de 50 por dia
Moisés era muito esperto e se desenvolveu praticamente como um bebê sem deficiência até o primeiro ano de vida, relata Karen.
Quando completou um ano, começaram as crises convulsivas, mais de 50 por dia. Mesmo com tratamento com anticonvulsivos, o desenvolvimento dele estacionou ali. Aos quase 7 anos, ele tem a idade mental de uma criança de um ano.
Dieta iniciada seis meses antes tem potencial contra a epilepsia
Seis meses antes do relato, a família descobriu uma dieta alimentar que tem potencial para ajudar no tratamento da epilepsia.
Fisicamente, Moisés já apresentou algumas melhoras, segundo a mãe.
Despesas incluem 200 fraldas geriátricas e suplemento de R$ 600
A despesa especial da família com Moisés inclui 200 fraldas geriátricas, plano de saúde e duas latas de um suplemento especial que, juntas, custam 600 reais.
“Ele é uma criança cheia de vida e potencial, e vai se desenvolver”, afirma Karen Isler.
Depois de Moisés vieram Josué, de 2 anos, e Izaac, de 10 meses
Depois da adoção, Karen teve mais dois filhos: Josué, que tinha dois anos na época do relato, e Izaac, de dez meses.
Segundo ela, foi Moisés quem ensinou Josué a falar a primeira palavra, “gol”, e foi Josué quem ensinou Moisés a chutar uma bola. A mãe diz ter certeza de que os irmãos vão sempre se apoiar, especialmente em Moisés.
Casal estuda tratamentos e mantém programa de estímulos
Karen e Alessandro Isler estudam muito para ajudar a descobrir novos tratamentos para o filho e incluíram na rotina um programa de estímulos para praticar com ele.
“Estou cheia de esperanças”, afirmou Karen Isler no relato publicado pela Exame, no qual se identifica como dona de casa e mãe de uma criança adotiva com microcefalia.
Na sua opinião, o que mais pesa para que crianças com deficiência fiquem tanto tempo na fila de adoção: a falta de apoio financeiro e médico às famílias, ou o desconhecimento sobre o que significa criar um filho nessa condição? Deixe sua opinião nos comentários.

Esse é o verdadeiro significado do amor verdadeiro. Essa família é abençoada por tanto amor, dedicação e desprendimento. As palavras me faltam para demonstrar a admiração que sinto por todos. São grandes exemplos a todos. É para refletir muito. Somos humanos mas fracos, não temos tanta grandeza como esse casal tem. Dou sempre meu melhor, mas ainda acho pouco.
Conceição, realmente a história da família Isler é tocante e inspiradora. Eles mostram que o amor e a dedicação podem superar qualquer desafio.