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Dois garimpeiros procuram ouro entre as raízes de uma árvore em 5 de fevereiro de 1869 e encontram pepita com mais de 70 quilos; não existe balança capaz de pesá-lo inteiro, a pepita precisa ser quebrada e entra para a história como a maior massa de ouro aluvial já descoberta

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 08/09/2026 às 13:32
Assista o vídeoEm 1869, dois garimpeiros encontraram a Welcome Stranger a apenas 3 cm do solo: mais de 70 kg de ouro que entraram para a história.
Foto: Dunolly Museum
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Em 1869, dois garimpeiros encontraram a Welcome Stranger a apenas 3 cm do solo: mais de 70 kg de ouro que entraram para a história.

Em 5 de fevereiro de 1869, os mineiros ingleses John Deason e Richard Oates procuravam ouro na região de Moliagul, no estado de Victoria, Austrália, quando encontraram algo extraordinário praticamente na superfície. Sob o solo próximo às raízes de uma árvore, a apenas cerca de 3 centímetros de profundidade, estava a massa de ouro que ficaria conhecida como Welcome Stranger, considerada pelo Australian Museum a maior pepita de ouro aluvial já encontrada. Depois da limpeza e separação das impurezas, registros oficiais apontam pouco mais de 70 quilos de ouro.

O tamanho era tão fora do padrão que provocou um problema improvável: as balanças disponíveis em Dunolly não conseguiam receber a peça inteira. A enorme massa precisou ser levada a uma oficina de ferreiro e quebrada sobre uma bigorna antes que pudesse ser pesada e comercializada.

Em seguida, o ouro foi fundido em lingotes e enviado para Melbourne, de onde seguiu para a Inglaterra. Mais de 150 anos depois, o original não existe mais, mas seu tamanho e as circunstâncias da descoberta mantêm a Welcome Stranger no centro da história da mineração australiana.

Welcome Stranger apareceu quando a grande corrida do ouro já parecia perder força

A descoberta aconteceu quase duas décadas depois de o ouro transformar completamente Victoria.

A corrida do ouro havia explodido no início da década de 1850 e atraído milhares de pessoas de diferentes partes do mundo.

Segundo o governo de Victoria, a produção da região chegou a representar mais de um terço do ouro mundial na década de 1850, alterando profundamente a economia, a população e a infraestrutura da então colônia australiana.

Na década seguinte, porém, muitos depósitos superficiais já haviam sido explorados intensamente.

Os grandes achados continuavam possíveis, mas encontrar uma peça de dimensões extraordinárias tão perto da superfície parecia cada vez menos provável.

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Foi nesse cenário que Deason e Oates continuaram trabalhando nos arredores de Bulldog Gully, perto de Moliagul.

Os dois eram mineiros originários da Cornualha, na Inglaterra, região com longa tradição de mineração. Um levantamento histórico do governo de Victoria registra que eles estavam trabalhando naquela área havia aproximadamente sete anos quando fizeram a descoberta.

Ouro estava praticamente sob os pés dos garimpeiros

A profundidade é um dos elementos mais impressionantes da história. O Australian Museum informa que a Welcome Stranger estava a apenas 3 centímetros abaixo da superfície, próxima às raízes de uma árvore. Museums Victoria registra a mesma profundidade aproximada e situa o achado em Bulldog Gully, perto de Moliagul.

Um relatório histórico preservado pelo patrimônio de Victoria traz uma descrição ainda mais detalhada.

Segundo o documento, a peça foi encontrada em terreno superficial de cascalho e argila, no lado oeste da encosta que conduzia ao Bulldog Gully. O relato da época fala em aproximadamente uma polegada abaixo da superfície, praticamente a mesma medida indicada pelos museus atuais.

Em 1869, dois garimpeiros encontraram a Welcome Stranger a apenas 3 cm do solo: mais de 70 kg de ouro que entraram para a história.
Foto: Dunolly Museum

Não foi necessário cavar uma mina de centenas de metros. Não houve túnel profundo.

Uma das maiores concentrações naturais de ouro já encontradas por seres humanos estava praticamente exposta sob a vegetação e uma fina camada de solo.

O que parecia uma enorme pedra escondia uma massa extraordinária de ouro

Um relato publicado pelo Australian Museum Magazine em 1921, baseado nas lembranças de uma testemunha que estava na região quando criança, acrescenta detalhes extraordinários.

A parte superior do objeto apresentava quartzo e não revelava imediatamente a quantidade de ouro escondida embaixo. Deason e Oates tentaram deslocar aquilo que inicialmente parecia uma enorme pedra.

Segundo a reconstrução, primeiro quebraram o cabo de uma picareta.

Depois tentaram usar madeira como alavanca.

Uma barra de ferro também teria se deformado.

Somente depois de conseguirem virar a massa é que perceberam o que estava escondido no lado inferior: uma superfície extraordinariamente rica em ouro.

O mesmo relato descreve os dois mineiros momentaneamente sem palavras diante da descoberta.

Era compreensível.

Depois de anos procurando pequenos depósitos, haviam acabado de virar do chão uma peça que entraria nos livros de história.

Pepita era grande demais para a balança do banco

Depois de retirarem a peça, Deason e Oates precisavam transformar a descoberta em dinheiro.

A Welcome Stranger foi levada para Dunolly, centro comercial e minerador da região.

Foi então que surgiu um problema que poucos garimpeiros poderiam imaginar enfrentar.

A peça era grande demais para ser pesada inteira nas balanças disponíveis.

Museums Victoria relata que o ouro precisou ser quebrado sobre uma bigorna para poder ser colocado na balança do banco.

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Documentação histórica do governo de Victoria acrescenta que a Welcome Stranger foi levada à oficina de um ferreiro próximo ao London Chartered Bank e reduzida a vários fragmentos.

A decisão que hoje pareceria quase impensável tinha uma finalidade prática.

Naquela época, uma pepita gigantesca não era necessariamente tratada como peça de museu.

Era ouro.

E seu valor estava principalmente no metal contido nela.

Deason e Oates receberam mais de £9 mil pelo ouro

Depois da separação e pesagem, veio o pagamento. O Australian Museum informa que os dois garimpeiros receberam £9.381, uma fortuna para os padrões daquele período.

Registros históricos apresentam pequenas diferenças nos valores finais, com documentos de Victoria citando quantias ligeiramente superiores dependendo da parcela de ouro contabilizada.

A ordem de grandeza, porém, é inequívoca.

Deason e Oates haviam passado anos procurando ouro e, em uma única descoberta, tornaram-se homens ricos.

Parte da renda posteriormente foi destinada a propriedades e outras atividades.

Documentação histórica de Victoria registra ainda que Deason fez contribuições e empréstimos para instituições religiosas locais depois da descoberta.

A Welcome Stranger não alterou apenas a vida dos dois homens.

O achado revitalizou o interesse pela mineração em uma região onde parte do entusiasmo das primeiras corridas do ouro já havia diminuído.

Ouro colossal não foi preservado e acabou transformado em lingotes

Hoje seria difícil imaginar uma instituição permitindo que uma descoberta desse porte fosse destruída. Em 1869, o pensamento era diferente.

Depois da pesagem, o ouro foi fundido.

Em 1869, dois garimpeiros encontraram a Welcome Stranger a apenas 3 cm do solo: mais de 70 kg de ouro que entraram para a história.
Foto: Dunolly Museum

O Australian Museum informa que o material foi transformado em lingotes e enviado ao Bank of England.

Um documento do governo de Victoria acrescenta um detalhe temporal impressionante: pouco mais de duas semanas após a descoberta, o ouro já estava a caminho de Londres a bordo do navio Reigate.

Assim, a maior pepita aluvial conhecida teve existência pública extremamente curta.

Foi encontrada em 5 de fevereiro. Foi retirada do solo, quebrada, pesada, vendida e fundida.

Em questão de semanas, aquela forma natural que levara processos geológicos imensamente longos para surgir havia desaparecido para sempre.

O mundo conhece a forma da Welcome Stranger graças a registros e réplicas

Apesar de o original ter sido destruído, sua aparência não desapareceu completamente. Museus australianos preservam réplicas e registros históricos relacionados ao achado.

Museums Victoria mantém uma réplica associada à Welcome Stranger em sua coleção, enquanto o Australian Museum possui uma ampla coleção histórica de reproduções de grandes pepitas australianas.

Fotografias históricas relacionadas aos descobridores também sobreviveram.

O Australian Museum conserva em sua documentação uma imagem de John Deason, Richard Oates e outras pessoas ligadas à descoberta, proveniente da State Library of Victoria.

Em 1869, dois garimpeiros encontraram a Welcome Stranger a apenas 3 cm do solo: mais de 70 kg de ouro que entraram para a história.
Foto: Dunolly Museum

Esses registros adquiriram importância enorme justamente porque ninguém teve a oportunidade de guardar o objeto original.

Quando a Welcome Stranger virou barras de ouro, sua forma natural passou a existir apenas em memória, documentação e reproduções.

Descoberta continua reconhecida como recorde do ouro aluvial

Mais de um século e meio depois, a Welcome Stranger mantém seu lugar na história. O Australian Museum a descreve como a maior pepita de ouro aluvial já encontrada.

O governo de Victoria também registra o achado entre os acontecimentos centrais da história mineral do estado, indicando sua descoberta em 5 de fevereiro de 1869 por John Deason e Richard Oates, nas proximidades de Moliagul.

Ao longo da história foram descobertas massas maiores de rocha contendo ouro, como o famoso espécime de Holtermann, na Austrália, mas essas peças incluem grande quantidade de matriz rochosa.

A Welcome Stranger ganhou fama porque era uma concentração excepcional de ouro proveniente de depósito aluvial, e não simplesmente uma enorme rocha com veios do metal.

Essa diferença explica por que continua aparecendo como referência em listas e estudos sobre as maiores pepitas do mundo.

Deason permaneceu na região enquanto Oates construiu outra vida

Os dois homens seguiram caminhos diferentes depois da descoberta.

John Deason continuou ligado à região de Moliagul.

Segundo documentação oficial de Victoria, ele permaneceu na mineração, tornou-se comerciante e investiu parte do dinheiro obtido. Alguns desses investimentos minerários não foram bem-sucedidos, e ele posteriormente adquiriu uma pequena propriedade rural. Morreu em 1915, aos 85 anos.

Richard Oates também investiu em terras.

O mesmo documento registra que ele comprou uma propriedade na região de Marong, casou-se, teve quatro filhos e morreu em 1906, aos 79 anos.

A descoberta transformou financeiramente os dois, mas não produziu uma vida de ostentação comparável à imagem moderna de quem encontra uma fortuna.

Eles continuaram ligados a atividades rurais, mineração e comunidades da região.

Uma fortuna permaneceu escondida a apenas 3 centímetros do mundo

A parte mais extraordinária da Welcome Stranger talvez não seja apenas seu peso.

É onde ela estava.

Durante um período em que milhares de garimpeiros haviam vasculhado os campos auríferos de Victoria, mais de 70 quilos de ouro permaneceram praticamente na superfície, escondidos sob poucos centímetros de solo.

John Deason e Richard Oates não precisaram descer centenas de metros.

Não perfuraram uma montanha.

Não utilizaram máquinas sofisticadas.

Estavam trabalhando próximo às raízes de uma árvore quando encontraram uma massa tão grande que ferramentas tiveram dificuldade para deslocá-la.

Quando finalmente conseguiram retirá-la, surgiu outro problema igualmente surreal: não havia uma balança local capaz de acomodar o ouro inteiro.

Foi necessário quebrar a maior pepita aluvial conhecida sobre uma bigorna.

Depois vieram a pesagem, o banco, os milhares de libras pagos aos dois mineiros e a fundição.

Pouco mais de duas semanas depois, aquela peça geológica única já seguia em forma de lingotes para a Inglaterra.

O original desapareceu, mas o recorde permaneceu.

Em 5 de fevereiro de 1869, uma camada de solo de apenas cerca de 3 centímetros separava dois garimpeiros de uma das maiores descobertas de ouro já registradas, e o objeto encontrado era tão gigantesco que precisou ser destruído antes mesmo de o mundo conseguir pesá-lo.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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