A tecnologia subaquática revela segredos de erupções milenares no Nordeste do Pacífico. O uso de robôs autônomos e veículos operados remotamente permitiu que os cientistas do MBARI mapeassem com precisão inédita os fluxos de lava de 130 metros de espessura no Monte Submarino Axial.
Cientistas do MBARI descobriram campos de lava gigantescos originados de um vulcão submarino ativo localizado na Dorsal de Juan de Fuca, no nordeste do Oceano Pacífico. As investigações revelaram que fluxos de lava massivos e o colapso de lagoas de lava no Monte Submarino Axial estão redefinindo a compreensão técnica sobre como erupções subaquáticas remodelam o relevo oceânico.
O Monte Submarino Axial situa-se ao longo de uma cordilheira que se estende por cerca de 500 quilômetros (310 milhas) próximo às costas do Oregon e de Washington. Este vulcão submarino ativo tem registrado diversas erupções desde sua descoberta original na década de 1980, tornando-se um ponto focal para estudos geológicos. O monitoramento constante é vital, pois essas erupções representam riscos geológicos sérios e podem gerar tsunamis que ameaçam diretamente as regiões litorâneas próximas.
Mapeamento detalhado das zonas de fenda distais
O estudo mais recente, publicado na revista Geochemistry, Geophysics, Geosystems, utilizou tecnologia de ponta para detalhar o terreno submarino de difícil acesso. As equipes do Laboratório de Mapeamento do Fundo Marinho e da Equipe de Vulcanismo Submarino empregaram veículos subaquáticos autônomos (AUVs) para realizar o mapeamento do terreno de forma precisa. Além disso, foram utilizados veículos operados remotamente (ROVs) para a coleta de amostras e observações diretas no vulcão submarino ativo.
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Os dados obtidos revelaram três campos de fluxo de lava excepcionalmente grandes situados ao longo das zonas de fenda distais do monte. Cada uma dessas áreas cobre entre 65 e 100 quilômetros quadrados (25 a 39 milhas quadradas), apresentando espessuras impressionantes que atingem até 130 metros (427 pés). O mapeamento detalhado permitiu identificar que essas estruturas são muito mais vastas do que as observadas em erupções menores e mais frequentes no topo do vulcão.
Dentro desses campos vastos, os pesquisadores identificaram uma rede complexa de lagoas de lava profundas e interconectadas. Essas estruturas são consideradas únicas pela equipe científica, pois não possuem equivalentes claros em terra firme ou em outras regiões conhecidas do fundo do mar. A descoberta dessas lagoas fornece informações inéditas sobre o desenvolvimento de formações geológicas subaquáticas de grande escala.
O processo de expansão e colapso das estruturas
A formação dessas características geológicas complexas ocorre por meio de um processo físico conhecido como inflação. Após a redução do movimento frontal da lava, o material fundido continua a subir e se espalhar pelo interior da estrutura, exercendo enorme pressão. Esse mecanismo faz com que a superfície do fluxo se projete para fora, transborde e frature conforme a rocha líquida interna busca novos caminhos.
Quando a crosta solidificada cede devido à instabilidade, surgem crateras profundas resultantes do colapso dos tetos dessas lagoas de lava. Algumas dessas lagoas no vulcão submarino ativo permaneceram em estado líquido por períodos prolongados sob a superfície endurecida. O escoamento final da rocha líquida só ocorria quando rupturas estruturais críticas permitiam que o material vazasse para o exterior.
Esse fenômeno de expansão, engrossamento e subsequente retração demonstra a dinâmica constante de remodelação do fundo oceânico. A pressão do magma interno é o motor principal que gera as deformações e as cavidades observadas pelas equipes de mapeamento do MBARI. O colapso das estruturas é uma etapa fundamental para a arquitetura final do relevo marinho naquela região específica da dorsal.
Conexões entre erupções e a câmara magmática
As evidências coletadas sugerem que as grandes erupções observadas foram alimentadas de forma extremamente rápida. Esse suprimento de magma foi conduzido por diques diretamente conectados à câmara magmática localizada no topo do vulcão submarino ativo. A velocidade e o volume desse fluxo explicam a magnitude dos campos de lava encontrados nas zonas distais da estrutura vulcânica.
O evento mais recente identificado pelos cientistas nestes campos de lava ocorreu há aproximadamente 1.200 anos. Segundo os dados coletados, essa erupção massiva pode ter coincidido com um colapso dramático da caldeira situada no topo do Monte Submarino Axial. Essa correlação indica que grandes mudanças estruturais no cume podem desencadear fluxos volumosos que viajam longas distâncias pelo leito oceânico.
Campos de lava ainda mais antigos analisados na região parecem ter seguido processos de formação muito semelhantes aos observados no evento de 1.200 anos atrás. Essas descobertas reforçam a ligação direta entre os colapsos estruturais cíclicos da caldeira e a criação dos extensos campos de lava. O estudo contínuo do vulcão submarino ativo permanece essencial para entender como esses gigantes submersos moldam a crosta terrestre e influenciam a segurança costeira.
Clique aquipara conferir o estudo.

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