Mergulhadores de saturação vivem até 28 dias sob alta pressão, precisam de 8 dias de descompressão e mantêm a indústria de petróleo offshore funcionando.
Segundo a Divers Alert Network, em artigo publicado em 1º de agosto de 2017, o mergulho de saturação é a solução adotada nas operações comerciais mais longas e profundas, com atuação típica entre cerca de 20 e 305 metros. Na indústria offshore de petróleo e gás, esse trabalho sustenta frentes críticas de intervenção submarina, e empresas como a Oceaneering International descrevem entre as atividades executadas a soldagem subaquática, a inspeção e manutenção de dutos, reparos estruturais e intervenções em sistemas submarinos, inclusive em equipamentos de controle de poço, como os blowout preventers.
Durante essas operações, esses profissionais podem permanecer por até 28 dias no regime conhecido como “seal to seal”, vivendo em ambientes hermeticamente fechados e mantidos sob pressão equivalente à do local de trabalho. Como explica a DAN no texto de 1º de agosto de 2017, eles respiram misturas gasosas artificiais, como heliox, em um contexto que altera a voz, a regulação térmica e toda a fisiologia da compressão e da descompressão; já a Helix Energy Solutions, em formulário anual protocolado na SEC em 26 de fevereiro de 2025, informa que esse tipo de mergulho é normalmente empregado entre 200 e 1.000 pés justamente por exigir permanência prolongada sob pressão constante
Pressão em grandes profundidades altera a fisiologia humana e exige controle rigoroso de gases no organismo
A cada 10 metros de profundidade, a pressão aumenta em aproximadamente uma atmosfera. Isso significa que a 100 metros o corpo humano está submetido a cerca de 11 a 30 atmosferas.
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Nessas condições, gases inalados, especialmente o nitrogênio, dissolvem-se em maior quantidade no sangue e nos tecidos. O problema ocorre durante a subida: se o retorno à superfície for rápido, esses gases formam bolhas no organismo, causando a doença descompressiva.
Essa condição pode afetar articulações, sistema nervoso e órgãos vitais, podendo levar à morte ou a sequelas permanentes.
Técnica de mergulho de saturação elimina múltiplas descompressões e reduz riscos operacionais
O mergulho de saturação resolve esse problema ao manter o mergulhador continuamente sob pressão durante toda a missão.
Em vez de realizar múltiplos ciclos de compressão e descompressão, o profissional permanece em ambiente pressurizado durante dias ou semanas e realiza apenas uma descompressão ao final da operação. Esse processo pode levar até oito dias, dependendo da profundidade de trabalho.
As câmaras de saturação possuem estrutura semelhante ao compartimento de um ônibus urbano e abrigam equipes de três a seis mergulhadores.
Esses profissionais operam em turnos de 12 horas, garantindo atividades contínuas no fundo do mar.
Os módulos incluem áreas para descanso, alimentação, higiene e comunicação com a superfície, além de sistemas de transferência de alimentos por compartimentos pressurizados que evitam variações de pressão interna.
Ambiente interno quente e uso de hélio exigem controle térmico constante para evitar hipotermia
O gás hélio, utilizado na mistura respiratória, possui alta condutividade térmica, retirando calor do corpo rapidamente.
Para compensar esse efeito, a temperatura interna das câmaras é mantida entre 29°C e 34°C. Durante o mergulho, os profissionais utilizam trajes com circulação contínua de água aquecida, evitando perda de temperatura corporal em ambientes de baixa temperatura.
O ar respirado não é ar atmosférico, mas sim uma mistura de hélio e oxigênio conhecida como heliox. O nitrogênio é removido para evitar narcose, condição que compromete o julgamento em altas pressões.
O uso do hélio altera as propriedades acústicas da fala, tornando a voz aguda e distorcida. Por isso, sistemas eletrônicos são utilizados para corrigir o áudio nas comunicações com a superfície.
Sino de mergulho conecta câmaras ao fundo do mar e permite acesso direto às áreas de trabalho
O deslocamento até o fundo do oceano é realizado por meio de um sino de mergulho, cápsula pressurizada conectada à câmara principal.
O equipamento é baixado por um sistema conhecido como moon pool, permitindo acesso direto à água sem exposição à superfície.
Durante o mergulho, um integrante permanece no sino monitorando os sistemas, enquanto os demais executam tarefas externas.
Umbilical fornece suporte vital com gás, energia, aquecimento e comunicação durante operações subaquáticas
Cada mergulhador é conectado ao sino por um cabo chamado umbilical, responsável por fornecer gás respirável, energia elétrica, comunicação, aquecimento e transmissão de vídeo.
Sem esse sistema, o mergulhador depende apenas de cilindros de emergência com autonomia limitada a poucos minutos.
Em 2012, o mergulhador escocês Chris Lemons sofreu ruptura do umbilical durante operação no Mar do Norte, ficando isolado no fundo do oceano.
Após cerca de 40 minutos sem suporte completo, foi resgatado com vida, em um caso considerado extraordinário. A sobrevivência foi atribuída à alta concentração de oxigênio presente na mistura gasosa utilizada durante a operação.
Acidente da plataforma Byford Dolphin em 1983 levou à criação de protocolos de segurança mais rígidos
Em 5 de novembro de 1983, um erro operacional durante desconexão de um sistema pressurizado causou uma descompressão explosiva na plataforma Byford Dolphin.
O acidente resultou na morte de quatro mergulhadores e levou à implementação de sistemas de segurança que impedem abertura de válvulas sem equalização de pressão. Esse evento é considerado um marco na evolução das normas de segurança da indústria.
Embora veículos operados remotamente tenham evoluído significativamente, eles ainda não substituem a precisão manual necessária em operações complexas.
Tarefas como conexão de dutos e manutenção de equipamentos sensíveis exigem habilidades humanas que ainda não podem ser replicadas por máquinas.
Profissão reúne poucos especialistas no mundo e exige alto risco com remuneração elevada
Existem apenas algumas centenas de mergulhadores de saturação certificados para operar em grandes profundidades no mundo.
A remuneração pode variar entre US$ 30 mil e US$ 45 mil mensais, refletindo o nível de risco e especialização exigido. Esses profissionais passam longos períodos confinados e expostos a condições extremas. A evolução tecnológica levanta questionamentos sobre o futuro do trabalho em ambientes extremos.
Na sua visão, a automação conseguirá substituir completamente esses profissionais ou a presença humana continuará sendo indispensável em operações críticas?

