Em fevereiro de 1978, em West Athens, os detetives Joe Sabas e Dennis Carroll desenterraram uma Dino 246 GTS 1974 verde metálico, chassi 07862, placa 832 LJQ. O dono, Rosendo Cruz, a comprara por US$ 22.500 em outubro de 1974 e recebera o seguro. Restaurada, ganhou a placa “DUG UP”
Em fevereiro de 1978, crianças que brincavam no jardim de uma casa de West Athens, em Los Angeles, bateram com as pás no que parecia o teto de um carro e avisaram uma patrulha do xerife. Os detetives Joe Sabas e Dennis Carroll desenterraram uma Ferrari Dino 246 GTS de 1974, coberta com plástico e cobertores, que estava ali havia quatro anos, escondida por ladrões contratados num golpe de seguro que nunca voltaram para terminar.
As informações foram publicadas pelo Xataka Brasil em 16 de agosto de 2026, em texto do redator Victor Bianchin, que reconstitui o caso a partir da investigação policial, da perícia da seguradora Farmers Insurance e de declarações posteriores do dono que restaurou o carro.
Fevereiro de 1978: pás de crianças batem no teto e o xerife cava atrás de um cadáver

Quando os detetives chegaram ao jardim de West Athens, a cena era tão estranha que a primeira providência foi continuar cavando para verificar se não havia um cadáver dentro do carro. Não havia.
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Também não foram encontrados drogas nem outros objetos suspeitos. O que saiu da terra foi um clássico italiano que, aparentemente, estava novo.
Dino 246 GTS 1974 verde metálico, chassi 07862, placa 832 LJQ
O carro era uma Ferrari Dino 246 GTS de 1974, verde metálico, com número de chassi 07862 e placa 832 LJQ.
A placa foi o fio que levou os investigadores ao dono registrado, e à história que explicava por que uma Ferrari estava enterrada num quintal.
Plástico, cobertores e toalhas nas entradas de ar: alguém pretendia voltar
Quem enterrou a Ferrari tentou protegê-la. A carroceria estava coberta com folhas de plástico, cobertores e outros materiais.
No interior, panos e toalhas tampavam as entradas de ar para impedir a entrada de umidade e sujeira. Para os policiais, ficou claro que o carro não fora parar ali por acidente: alguém pretendia buscá-lo.
Encanador de Alhambra comprou por US$ 22.500 em outubro de 1974 e deu o carro como roubado semanas depois

A partir da placa, os investigadores chegaram a Rosendo Cruz, um humilde encanador de Alhambra, que havia comprado a Dino na loja Hollywood Sports Cars em outubro de 1974, por US$ 22.500.
Apenas algumas semanas depois da compra, Cruz denunciou o roubo da Ferrari, e a Farmers Insurance pagou a indenização.
Informante ao detetive Carroll: golpe planejado e ordem para afundar no Pacífico
Anos depois, um informante procurou o detetive Dennis Carroll e, segundo esse relato, Cruz tinha planejado tudo desde o início. Depois de comprar o carro, ele teria contratado alguns homens para fazer o veículo desaparecer para sempre sob as águas do Pacífico.
O plano não contava com um detalhe: os ladrões não quiseram destruir a Ferrari. A versão do informante é a única explicação registrada pelo Xataka para o carro ter ido parar debaixo da terra.
Ladrões enterraram em terreno baldio que virou bairro; nunca voltaram
Em vez de desmontar ou afundar a Dino, os homens a enterraram inteira no que, na época, era um terreno baldio de West Athens, com a intenção de voltar quando a situação esfriasse. Nunca voltaram.
O terreno se transformou em área residencial, e novas casas foram construídas ao redor da Ferrari esquecida. Quatro anos depois, as crianças de um daqueles jardins acharam o teto.
Ferrugem, rodas deterioradas, lama nos escapes e novos danos na retirada
As primeiras fotos sugeriam que o carro havia sobrevivido bem, mas a inspeção da Farmers Insurance mostrou outro quadro. A ferrugem tinha atacado a carroceria assinada pela Pininfarina, as rodas estavam deterioradas e os escapamentos, cheios de lama.
A retirada do buraco causou danos adicionais: o capô do motor ficou parcialmente amassado, o teto ganhou grandes marcas e o para-brisa foi destruído.
Duas semanas expostas em Pasadena e peças que sumiram
A seguradora decidiu expor a Dino maltratada em um armazém de Pasadena por duas semanas para tentar vendê-la. O carro atraiu numerosas visitas.
A operação não saiu como previsto: durante a exposição, desapareceram algumas peças que não estavam parafusadas.
Ara Manoogian pagou pouco mais de US$ 5.000
Após várias rodadas de ofertas, a Ferrari ficou com Ara Manoogian, empresário do setor imobiliário de Los Angeles, por pouco mais de US$ 5.000.
O valor equivale a menos de um quarto dos US$ 22.500 pagos por Cruz em 1974, reflexo do estado em que o carro saiu da terra e da exposição.
Brad Howard só compraria se ela funcionasse; Giuseppe Cappalonga ressuscitou o motor
Brad Howard, que fazia negócios imobiliários com Manoogian, ouviu por acaso uma conversa dele com um mecânico sobre a estranha Dino e fez uma oferta com uma condição: que conseguissem fazê-la funcionar.
Manoogian recorreu ao especialista em Ferrari Giuseppe Cappalonga, encarregado de devolver a vida ao motor.
Estiagem na Califórnia salvou o carro: “ajudou a evitar que sofresse ainda mais danos”
A Dino teve uma vantagem provavelmente decisiva: a estiagem que afetou a Califórnia durante boa parte do período em que ficou enterrada manteve o terreno muito mais seco do que o habitual.
“Aquilo ajudou a evitar que o carro sofresse ainda mais danos”, explicou Howard anos depois, segundo o Xataka.
Restaurada em 1978 e registrada em nome de Howard, com a placa “DUG UP”
A Ferrari foi restaurada ainda em 1978 e registrada em nome de Brad Howard. Manoogian cumpriu a promessa, a Dino recuperou o aspecto original, com a cor verde metálica, e voltou às estradas da Califórnia.
Howard colocou no carro uma placa personalizada, “DUG UP”, expressão em inglês para “desenterrado”. O Xataka não informa se Rosendo Cruz foi processado pela fraude nem onde o carro está hoje.
Na sua opinião, os ladrões que enterraram a Ferrari em vez de afundá-la fizeram um favor à história do automóvel, ou o desfecho só foi feliz porque a seca da Califórnia impediu que o carro apodrecesse? Deixe sua opinião nos comentários.
