O contrato conta com mais de 15 mil toneladas de tubos para o projeto Sépia 2, com produção em Minas Gerais, revestimento no Espírito Santo e uso previsto em águas ultraprofundas da Bacia de Santos.
Um contrato para o projeto Sépia 2, da Petrobras, prevê o fornecimento de aproximadamente 130 km de dutos rígidos para o pré-sal. Vallourec, fabricante de soluções tubulares para o setor de energia, anunciou a contratação em 16 de setembro de 2026.
Os tubos serão produzidos na fábrica de Jeceaba, em Minas Gerais. Depois, seguirão para Serra, no Espírito Santo, onde receberão revestimento térmico antes de serem destinados à estrutura submarina da Bacia de Santos.
Por que os dutos serão produzidos em um estado e revestidos em outro
A passagem por Minas Gerais e pelo Espírito Santo está relacionada às diferentes etapas industriais do fornecimento. A unidade de Jeceaba ficará responsável pela fabricação dos tubos de aço carbono sem costura, feitos sem uma emenda longitudinal.
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A etapa seguinte ocorrerá na fábrica de Serra, especializada na aplicação do isolamento térmico externo. Por isso, os dutos sairão de Minas Gerais ainda sem a camada final necessária para a futura operação no mar.
O contrato conta com a fabricação dos tubos e a aplicação do revestimento em uma oferta integrada. Ao todo, serão fornecidas mais de 15 mil toneladas de tubos, preparados para as condições exigentes encontradas na exploração de petróleo em águas ultraprofundas.
Isolamento térmico protege o fluxo de petróleo no fundo do mar
A água no fundo do oceano apresenta temperaturas muito baixas. Sem a proteção adequada, o fluido transportado pelos dutos pode perder calor durante o percurso entre os poços e a unidade de produção.
O revestimento funciona como uma barreira que reduz essa perda de temperatura. A solução prevista utiliza polipropileno sintático, um material desenvolvido para o isolamento de tubos submarinos durante a instalação e a operação.
Esse cuidado ganha importância porque a nova unidade ficará em uma lâmina d’água próxima de 2.170 metros. Nessa profundidade, a instalação e a manutenção exigem equipamentos especializados, planejamento preciso e materiais preparados para condições severas.
Tubos formarão linhas entre os poços e a nova unidade flutuante
Os 130 km serão divididos entre linhas de escoamento e trechos ascendentes rígidos. As linhas de escoamento transportam os fluidos pelo fundo do mar, enquanto os trechos ascendentes fazem a ligação até a unidade localizada na superfície.
O projeto Sépia 2 compreende 15 poços, além de um duto de exportação conectado a uma nova unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo. Essa estrutura é conhecida pela sigla FPSO.
A instalação ficará em uma área do pré-sal situada a aproximadamente 280 km da costa brasileira. Vallourec, fabricante de soluções tubulares para o setor de energia, detalhou a extensão, o peso e os locais escolhidos para as duas etapas industriais.
Petrobras, Subsea7 e fabricante assumem partes diferentes
A Petrobras lidera o consórcio responsável pelo desenvolvimento do projeto Sépia 2. A empresa também contratou a Subsea7 para executar o pacote de engenharia, compra de materiais, construção e instalação da infraestrutura submarina.

A Subsea7 contratou o fornecimento dos tubos e do revestimento térmico. Essa divisão mostra como uma obra no pré-sal depende de uma cadeia formada por operadora, empresa de engenharia submarina e indústria siderúrgica.
O comunicado não apresenta o valor financeiro do fornecimento. Também não informa uma data para o começo da fabricação, a entrega dos tubos ou a conclusão da instalação no mar.
Contrato conecta a indústria brasileira a uma obra em águas ultraprofundas
O fato confirmado até agora é a contratação de aproximadamente 130 km de dutos rígidos, com fabricação prevista em Minas Gerais e revestimento no Espírito Santo. As etapas industriais e submarinas ainda precisarão ser executadas.
Quando o fornecimento avançar, os tubos percorrerão uma cadeia que começa em Jeceaba, continua em Serra e termina na Bacia de Santos. O projeto liga a capacidade industrial instalada no Brasil a uma estrutura petrolífera localizada a mais de 2 mil metros abaixo da superfície do mar.
A produção em dois estados fortalece a participação da indústria brasileira no pré-sal. Você acredita que contratos desse porte podem gerar novas oportunidades para fornecedores nacionais? Compartilhe a matéria e deixe sua opinião nos comentários.
