Sob uma montanha no norte da Itália, a comunidade Damanhur construiu em segredo um complexo subterrâneo com salões decorados, corredores escavados na rocha e uma história marcada pela descoberta das autoridades italianas.
Uma comunidade espiritual italiana conhecida como Damanhur construiu, sob uma montanha no Piemonte, no norte da Itália, um conjunto de templos subterrâneos que permaneceu fora do conhecimento público por anos.
A obra começou em 1978, em Vidracco, a cerca de 50 quilômetros de Turim, e só foi revelada às autoridades italianas em 1992, depois que a existência da estrutura chegou ao conhecimento da polícia.
Chamado de Templos da Humanidade, o complexo é descrito pela Damanhur Foundation como uma obra subterrânea construída à mão, com salões, corredores, mosaicos, vitrais, pinturas murais e esculturas distribuídos em diferentes níveis sob a rocha.
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Segundo reportagem do Times of India, a construção teria sido realizada por cerca de 500 pessoas ao longo de 16 anos, sem autorização inicial e sem o uso de grandes máquinas.
A publicação também informou que o templo alcançaria cerca de 30 metros de profundidade e teria 8.500 metros quadrados.
Outras fontes que documentam o local, como Atlas Obscura e ABC News, descrevem a obra como um complexo subterrâneo de grande porte, associado à comunidade fundada por Oberto Airaudi, também conhecido como Falco Tarassaco.
Templo subterrâneo no Piemonte
Os Templos da Humanidade ficam ligados à Federação de Damanhur, comunidade fundada nos anos 1970 e estruturada em torno de práticas comunitárias, espirituais e artísticas.
O grupo passou a ocupar propriedades na região de Vidracco, onde o complexo subterrâneo foi escavado sob uma área montanhosa do norte da Itália.
De acordo com a Damanhur Foundation, o projeto começou em agosto de 1978.
Na versão divulgada pela própria organização, integrantes da comunidade abriram os primeiros trechos na rocha com ferramentas simples e mantiveram o trabalho de forma reservada até o início da década de 1990.
A estrutura reúne ambientes com funções simbólicas próprias.
Entre os salões citados pela fundação estão a Sala da Água, a Sala da Terra, a Sala das Esferas, a Sala dos Espelhos, a Sala dos Metais, o Templo Azul e o Labirinto.
A própria Damanhur define o conjunto como um “livro tridimensional” dedicado à representação da trajetória humana por meio de diferentes formas de arte.
Dentro da montanha, as áreas internas combinam pinturas em paredes e tetos, mosaicos, colunas decoradas, vitrais e elementos esculpidos.
Esses ambientes também são associados, pela comunidade, a temas espirituais e simbólicos adotados por Damanhur.
Como a construção ficou escondida
A construção permaneceu em segredo porque foi conduzida dentro da própria comunidade e sem divulgação pública.
Em entrevista à ABC News publicada em 2008, uma porta-voz de Damanhur afirmou que o grupo conseguia manter o sigilo e que, quando havia barulho durante a obra, os integrantes colocavam música para disfarçar os sons.
Esse relato ajuda a explicar como os trabalhos puderam seguir por anos sem exposição ampla fora da comunidade.
A reportagem da ABC News informou que o templo foi construído por cerca de 150 pessoas ao longo de 15 anos, número diferente do citado pelo Times of India.
A informação mais segura para a matéria é que a obra envolveu integrantes de Damanhur durante vários anos e foi executada sem autorização regular no início.
O avanço da escavação ocorreu de forma gradual, em meio à rotina da comunidade.
Segundo a Damanhur Foundation, os primeiros trabalhos foram feitos com instrumentos manuais, como martelos, picaretas, pás e baldes.
A ausência de grandes máquinas é um dos elementos mais citados nos relatos sobre a construção do complexo.
A própria fundação apresenta os templos como uma obra feita manualmente, a partir do trabalho de membros da comunidade.
Salões decorados sob a montanha
O interior dos Templos da Humanidade é formado por diferentes ambientes conectados por corredores subterrâneos.
O Atlas Obscura descreve o conjunto como uma construção distribuída em cinco níveis, ligada por centenas de metros de passagens escavadas na rocha.
A organização dos salões segue uma lógica simbólica adotada pela comunidade.
Na descrição oficial, cada ambiente representa temas ligados à humanidade, à natureza, aos elementos e à espiritualidade damanhuriana.
A Sala dos Espelhos, a Sala da Terra e a Sala das Esferas estão entre os espaços mais citados em materiais sobre o local.
Outros ambientes, como o Labirinto e o Templo Azul, também fazem parte da estrutura apresentada aos visitantes.
As paredes e tetos receberam pinturas, formas geométricas, mosaicos e vitrais coloridos.
A combinação desses elementos transformou a construção clandestina em um dos principais símbolos públicos da comunidade Damanhur.
A chegada da polícia em 1992
A existência dos templos veio a público em 1992, quando autoridades italianas chegaram ao local após informações sobre a construção subterrânea.
Segundo o Atlas Obscura, a polícia exigiu acesso ao espaço depois de ouvir rumores sobre a existência do templo.
O relato afirma que três policiais e um promotor foram conduzidos ao interior do complexo.
A entrada das autoridades marcou o fim do período em que a obra permaneceu escondida da fiscalização.
Depois da revelação, a estrutura não foi demolida.
Os templos passaram por um processo de regularização e, posteriormente, começaram a ser divulgados como parte do patrimônio artístico e espiritual da comunidade.
A Damanhur Foundation informa que realizou, em 9 de outubro de 1992, a primeira entrevista coletiva para anunciar publicamente a existência dos Templos da Humanidade.
No dia seguinte, imagens do complexo foram transmitidas pela televisão nacional italiana, segundo a própria fundação.
A partir desse momento, o espaço passou a fazer parte da identidade pública de Damanhur.
Damanhur, crenças e visitação
Com o tempo, os Templos da Humanidade deixaram de ser uma construção conhecida apenas por integrantes da comunidade e passaram a receber visitantes em atividades organizadas por Damanhur.
Hoje, a fundação apresenta o complexo como um espaço de arte, espiritualidade, visitação e pesquisa simbólica.
A comunidade também divulga materiais sobre seus salões, sua história e suas práticas em canais oficiais.
Algumas ideias associadas ao grupo, como linguagem sagrada, meditações específicas e conceitos ligados à espiritualidade damanhuriana, aparecem em relatos sobre a comunidade.
Esses elementos fazem parte do sistema de crenças de Damanhur e são tratados pela organização como componentes de sua experiência espiritual.
A expressão “oitava maravilha do mundo” também aparece com frequência em textos sobre os Templos da Humanidade.
Nesse contexto, a frase é usada em materiais de divulgação e reportagens para destacar a dimensão simbólica e visual do espaço, sem equivaler a um título oficial concedido por uma entidade internacional.
A trajetória dos templos reúne uma construção subterrânea feita por uma comunidade espiritual, a manutenção do segredo por anos e a posterior abertura do espaço ao público.
O caso segue atraindo leitores interessados em arquitetura subterrânea, comunidades alternativas, curiosidades históricas e obras criadas fora dos modelos tradicionais de construção.
Sob uma montanha do Piemonte, os Templos da Humanidade permanecem como um exemplo de projeto coletivo mantido em sigilo até a chegada das autoridades italianas.


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