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Complexo de fertilizantes de US$ 1 bilhão em Minas Gerais pode reduzir produção e suspender contratos de 600 trabalhadores após crise global do enxofre ameaçar operação

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 18/08/2026 às 11:06 Atualizado em 18/08/2026 às 11:11
Complexo de fertilizantes de US$ 1 bilhão em Minas Gerais pode reduzir produção e suspender contratos de 600 trabalhadores após crise global do enxofre ameaçar operação
A EuroChem avalia reduzir parte da produção do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, em Minas Gerais, e suspender temporariamente os contratos de aproximadamente 600 trabalhadores por até três meses a partir de setembro, diante da escassez internacional e da forte alta do preço do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados.
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A EuroChem avalia reduzir parte da produção do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, em Minas Gerais, e suspender temporariamente os contratos de aproximadamente 600 trabalhadores por até três meses a partir de setembro, diante da escassez internacional e da forte alta do preço do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados.

Um complexo industrial inaugurado há pouco mais de dois anos para ajudar o Brasil a diminuir a dependência de fertilizantes importados pode ter de reduzir o ritmo justamente por falta de uma matéria-prima comprada no exterior. Em Minas Gerais, a EuroChem discute medidas para preservar a operação de Serra do Salitre diante da escassez global de enxofre.

Segundo informações da Broadcast/Agência Minera, a empresa apresentou ao sindicato a possibilidade de suspender temporariamente cerca de 600 contratos de trabalho, por um período de até três meses, a partir de setembro. A unidade possui aproximadamente 1.100 trabalhadores, o que significa que mais da metade do quadro poderia ser atingida pelo eventual layoff.

Estoque de enxofre coloca setembro no centro das decisões

Vista aérea do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, em Minas Gerais, unidade da EuroChem dedicada à produção de fertilizantes fosfatados. Foto: EuroChem / Divulgação.
Vista aérea do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, em Minas Gerais, unidade da EuroChem dedicada à produção de fertilizantes fosfatados. Foto: EuroChem / Divulgação.

O problema imediato está no abastecimento. Fontes que acompanham as negociações indicam que o estoque disponível permitiria manter a operação normal apenas até setembro, caso não haja melhora relevante na oferta internacional da matéria-prima.

A EuroChem confirmou que enfrenta escassez e forte aumento dos preços do enxofre, mas ressaltou que nenhuma paralisação ou suspensão de contratos foi formalmente decidida. A companhia também informou que busca alternativas com fornecedores, entidades do setor e o Governo Federal para tentar ampliar a oferta disponível ao mercado brasileiro.

O enxofre é fundamental para a produção de ácido sulfúrico, utilizado na transformação da rocha fosfática em fertilizantes. Sem esse insumo, uma estrutura que possui minério nacional, plantas químicas e capacidade industrial instalada não consegue manter normalmente todo o processo produtivo.

Projeto de US$ 1 bilhão nasceu para reduzir dependência externa

Inaugurado em março de 2024, o Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre recebeu investimento próximo de US$ 1 bilhão e foi apresentado como uma das principais apostas para ampliar a produção nacional de fertilizantes fosfatados.

A capacidade projetada chega a 1 milhão de toneladas por ano, volume que, segundo a própria EuroChem, pode representar aproximadamente 15% da produção brasileira de fosfatados. O empreendimento reúne mina de fosfato a céu aberto, beneficiamento mineral, produção de ácidos e fabricação de fertilizantes.

A contradição agora chama atenção. O projeto utiliza fosfato extraído em Minas Gerais, mas permanece exposto à disponibilidade internacional de enxofre, mostrando que aumentar a produção doméstica de fertilizantes não elimina automaticamente todas as dependências externas da cadeia.

Preço do enxofre explodiu e Brasil perdeu oferta

Infográfico explica o papel do enxofre na cadeia dos fertilizantes, desde sua origem e uso industrial até as causas da escassez global e os impactos sobre a produção em Serra do Salitre, em Minas Gerais.
Infográfico explica o papel do enxofre na cadeia dos fertilizantes, desde sua origem e uso industrial até as causas da escassez global e os impactos sobre a produção em Serra do Salitre, em Minas Gerais.

Dados acompanhados pela S&P Global mostram a dimensão da crise. O preço do enxofre granular entregue no Brasil chegou a cerca de US$ 1.200 por tonelada em julho, depois de ficar próximo de US$ 525 antes do agravamento das tensões internacionais em 2026.

As importações brasileiras também diminuíram. Entre janeiro e junho, o país comprou aproximadamente 709 mil toneladas, queda de cerca de 42% diante das 1,22 milhão de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

A situação já provocou decisões semelhantes em outras empresas. A Mosaic reduziu ou suspendeu operações ligadas à produção de fosfatados no Brasil e anunciou medidas em unidades de Minas Gerais diante da dificuldade para obter enxofre em quantidade e preço economicamente viáveis.

Possível layoff ainda depende de negociação

Apesar do impacto potencial sobre centenas de famílias em Minas Gerais, o cenário ainda não pode ser tratado como uma suspensão confirmada. A possibilidade apresentada envolve negociação coletiva e pode mudar caso a empresa consiga normalizar o abastecimento antes de setembro.

Também existem relatos de aproximadamente 120 desligamentos realizados gradualmente desde junho, mas essas demissões foram associadas a ajustes operacionais durante o período de aumento de produção da unidade e não devem ser somadas automaticamente aos 600 possíveis afastamentos por causa da crise do enxofre.

O caso expõe um ponto sensível da estratégia brasileira para fertilizantes: mesmo uma fábrica de quase US$ 1 bilhão, construída sobre uma grande reserva mineral nacional, pode ficar vulnerável quando uma única matéria-prima essencial deixa de chegar ao país. Se a oferta internacional não se recuperar, até onde a indústria brasileira conseguirá sustentar a expansão prometida?

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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