Conheça o Complexo de Energias Boaventura, o projeto que ressurge das cinzas do antigo COMPERJ para transformar gás do pré-sal em produtos de alto valor e gerar mais de 10.000 empregos
Em Itaboraí, no Rio de Janeiro, um gigante industrial renasce. Onde antes existiam as ruínas do que seria o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), hoje opera o novo Polo Gaslub, rebatizado oficialmente como Complexo de Energias Boaventura. O projeto, liderado pela Petrobras, representa um dos investimentos mais estratégicos do país, com a promessa de reindustrializar a região e aumentar a segurança energética do Brasil.
O empreendimento marca uma virada de chave. Em vez de uma refinaria tradicional, a Petrobras aposta em um hub de energia integrado. A primeira fase, que entrou em operação plena em maio de 2025, já processa o gás vindo do pré-sal. A segunda fase, com investimentos de R$ 13 bilhões, prevê a produção de lubrificantes e diesel de altíssima qualidade, produtos que o Brasil hoje importa.
Do fracasso do COMPERJ ao renascimento como Complexo Boaventura
A história do local é marcada por um passado traumático. Lançado em 2006, o COMPERJ prometia ser um dos maiores complexos industriais do mundo. No entanto, em 2015, as obras foram paralisadas em meio aos escândalos da Operação Lava Jato. A interrupção gerou um prejuízo bilionário e um colapso na economia de Itaboraí, deixando um rastro de desemprego e desconfiança.
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Para superar esse estigma, a Petrobras reformulou todo o projeto. Em setembro de 2024, em uma cerimônia oficial, o antigo Polo GasLub foi rebatizado como Complexo de Energias Boaventura. O novo nome, uma homenagem a um convento histórico da região, simboliza a tentativa de deixar o passado para trás e iniciar um novo ciclo de prosperidade.
O coração do novo Polo Gaslub, a maior processadora de gás do Brasil

A primeira fase do complexo, que já está 100% operacional, é focada no gás natural. O gasoduto Rota 3, com 355 km de extensão, transporta o gás rico do pré-sal da Bacia de Santos diretamente para a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) em Itaboraí. Com capacidade para processar 21 milhões de metros cúbicos de gás por dia, esta é a maior planta do tipo no Brasil.
A operação plena da unidade, iniciada em maio de 2025, aumenta significativamente a oferta de gás para o mercado nacional. A UPGN separa o gás rico em três produtos principais: o Gás Natural para consumo industrial e residencial, o GLP (gás de cozinha) e o C5+, uma nafta leve de alto valor usada como matéria-prima pela indústria petroquímica.
Lubrificantes e Diesel S-10
O futuro do novo Polo Gaslub é ainda mais ambicioso. A segunda fase do projeto, com um investimento previsto de R$ 13 bilhões, foca na produção de derivados de altíssimo valor. As licitações para as obras foram lançadas em 2024, com previsão de início da construção em 2025.
O grande destaque será a produção de 12.000 barris por dia de óleos lubrificantes Grupo II. Este tipo de lubrificante, de maior performance e exigido por motores modernos, é hoje majoritariamente importado pelo Brasil. A produção local irá reduzir a dependência externa e posicionar a Petrobras em um mercado mais rentável. Além dos lubrificantes, o complexo produzirá 75.000 barris/dia de Diesel S-10 e 20.000 barris/dia de Querosene de Aviação (QAV).
A disputa judicial que ameaça o projeto
Apesar do otimismo, um risco significativo ameaça o futuro do complexo. Em março de 2025, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública questionando a validade do licenciamento ambiental do empreendimento. O MPF argumenta que, pela escala do projeto e seu impacto em unidades de conservação federais, a licença deveria ter sido emitida pelo IBAMA (órgão federal), e não pelo INEA (órgão estadual).
A ação cria uma grande insegurança jurídica e pode levar a atrasos ou, no pior cenário, à paralisação das futuras obras. O desfecho dessa batalha judicial é, hoje, o principal desafio para a consolidação do novo Polo Gaslub como um vetor de desenvolvimento para o Rio de Janeiro e para o Brasil.

A comunidade (Alto do Jacu) tem sinalizado e denunciado os impactos que estão abalando tanto a saúde quanto a estrutura de suas residências e nenhuma providência foi tomada pelos órgãos públicos responsáveis. Além do barulho ensurdecedor, pressão nos ouvidos, as trepidações de portas e janelas, rachaduras, tem a fumaça que respiramos a noite toda, não deixa dormir (ar muito pesado).. Comunidade pede SOCORRO!
Olá. Tenho 20 hectares vendendo aqui no vizinho ao Gaslub. Na área estritamente industrial 👍🏻 a beira do rio Macacu chama (21)98167-8457
Eu quero saber se voces vai distribuir aparelhos auditivos a população próxima ao GASLUB devido ai barulho insuportável que a produção de voces fazem. Ahh! Importante frisar, o barulho é ainda maior a noite, acho que horario em que nao há monitoramento ne? Ta absurdo! Vergonhoso! E pior, tentamos reunião com voces pra falar sobre isso e nâo há ninguem que nos atenda.