Diferenças entre tipos de gasolina influenciam consumo, desempenho e manutenção do motor, e novas regras de octanagem e mistura de etanol mudam o cenário dos postos no Brasil.
Na hora de abastecer, a escolha entre gasolina comum, aditivada ou premium afeta diretamente desempenho, consumo e manutenção do motor.
Todas seguem as normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mas a composição e a octanagem variam.
Desde 1º de agosto, a gasolina vendida nos postos passou a conter 30% de etanol anidro (E30), e a ANP aprovou elevar o mínimo de octanagem RON da comum para 94, movimento que busca manter a qualidade com a nova mistura.
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É esse conjunto de fatores que define qual tipo faz mais sentido para cada veículo.

O que muda entre comum, aditivada e premium
A gasolina comum é a base do mercado.
Com a adição obrigatória de etanol, atende a toda a frota e cumpre os requisitos de qualidade.
Em aplicações corriqueiras, especialmente em motores de baixa compressão, funciona sem inconvenientes relevantes.
A mudança recente para o E30 não altera o uso indicado, mas melhora a resistência à detonação (octanagem) do produto final quando as especificações são ajustadas.
A aditivada parte da mesma gasolina da comum, porém recebe pacotes de aditivos detergentes, dispersantes, anticorrosivos e, em alguns casos, redutores de atrito.
Eles ajudam a manter o sistema de alimentação limpo, favorecem a pulverização e a queima do combustível e, com o tempo, podem reduzir pequenas perdas de rendimento causadas por depósitos.
No material institucional da Ipiranga, a linha Ipimax promete economia superior a 4% em relação à comum, benefício atribuído à formulação com aditivos.
Trata-se de declaração do fabricante, sem validação independente apresentada no site.
Já a premium se distingue pela octanagem mais alta, indicada para motores de alta compressão e modelos turbo ou esportivos, que trabalham com maior pressão e temperaturas na câmara de combustão.
A ANP define um patamar superior de octanagem para essa categoria, e distribuidoras posicionam produtos com números mais elevados.
A Petrobras, por exemplo, divulga gasolina RON 100–102 na linha Podium; na Ipiranga, a Ipimax Pro é anunciada como “acima de 100 octanas”.
Em ambos os casos, são combustíveis voltados a motores que realmente exigem esse nível de resistência à detonação.
Octanagem: por que ela importa
Octanagem é a resistência do combustível à pré-detonação (a “batida de pino”).
Quanto maior o número, maior a capacidade de suportar compressão sem inflamar antes da centelha.
O Brasil passou a adotar o parâmetro RON como referência regulatória a partir de 2020.
A gasolina comum foi fixada em RON 92 inicialmente, subiu a RON 93 em 2022 e, com o E30, a ANP aprovou elevar o mínimo a RON 94 para preservar o ganho de qualidade proporcionado pela nova mistura.
No caso da premium, a especificação permanece em RON 97 ou superior, a depender do produto.
Para o motorista, isso significa menos tendência a ruídos de detonação, melhor aproveitamento de potência e eficiência quando o motor é projetado para isso.
Historicamente, as discussões no país usavam o IAD (Índice Antidetonante), média entre RON e MON.
Nesse antigo referencial, a comum estava em torno de IAD 87 e a premium, de IAD 91.
A migração regulatória para o RON foi feita por refletir melhor as demandas de motores modernos e facilitar comparações internacionais.
Limpeza, proteção e emissões
Aditivos de limpeza e proteção não aumentam a octanagem quando o combustível base é o mesmo, mas previnem formação de depósitos em bicos injetores e válvulas, algo relevante no uso urbano intenso.
Com o sistema limpo, a pulverização melhora e a combustão tende a ser mais completa, o que ajuda a estabilizar marcha-lenta e pode reduzir pequenas oscilações de consumo ao longo do tempo.
Para alguns produtos premium, há ainda formulações com enxofre mais baixo, atributo ligado à durabilidade de catalisadores e ao controle de emissões.
A Petrobras Podium declara teor de enxofre ≤ 20 ppm, inferior ao limite de 50 ppm usual em gasolinas regulares.
Misturar tipos faz diferença?
Abastecer com porções diferentes de comum, aditivada e premium não causa dano imediato.
O que ocorre é um efeito de média: a octanagem resultante fica entre as dos combustíveis misturados, e a concentração de aditivos se dilui.
Em um motor que pede alta octanagem, combinar premium com comum pode anular parte do benefício esperado.
No caso da aditivada, a proteção e a limpeza tendem a ser menores se o tanque é completado muitas vezes com combustível sem aditivo.
Em situações emergenciais, não há problema em usar o que estiver disponível e, na sequência, retomar o abastecimento com o tipo recomendado no manual.
Comum, aditivada ou premium: como decidir
A referência obrigatória é o manual do veículo, que informa a octanagem mínima recomendada pelo fabricante.
Se o motor foi projetado para operar com RON 94 (ou equivalente), comum e aditivada atendem ao requisito.
Em uso cotidiano, a aditivada costuma ser a escolha equilibrada para quem busca manutenção preventiva e praticidade, por reunir a mesma octanagem da comum com aditivos que mantêm o sistema limpo.
A premium é indicada quando o motor exige mais octanagem — caso de esportivos, importados e modelos turbo de alta taxa de compressão —, ou quando o fabricante sugere combustível de número de octanas mais alto para melhor desempenho e eficiência.
Para quem roda pouco e em trajetos curtos, aditivada ajuda a minimizar depósitos típicos de ciclos com muitas partidas a frio.
Já quem dirige em rodovias ou mantém o sistema com revisões em dia pode não perceber diferença prática ao alternar entre comum e aditivada, desde que a qualidade do posto seja confiável.
Em motores que batem pino com combustível de octanagem insuficiente, a premium costuma resolver o sintoma porque oferece maior margem contra a detonação.
O que mudou em 2025 e o que observar daqui para frente
Com a entrada do E30 e a elevação do RON mínimo da gasolina comum aprovada pela ANP, o consumidor passou a ter um produto com resistência à detonação maior na base do mercado.
Portarias e resoluções são acompanhadas de prazos de adaptação para a cadeia, mas a direção é clara: mais octanagem e mistura renovável maior.
Em paralelo, as versões premium seguem oferecendo números de octana acima do patamar regulatório, pensadas para motores que exploram esse potencial.
Ao escolher, o ponto central continua o mesmo: seguir o manual e abastecer em postos de confiança.
Por curiosidade técnica, a própria Ipiranga reforça que comum e aditivada têm octanagem equivalente, mudando apenas a presença de aditivos.
Mitos à parte, o ganho de rendimento alegado decorre do pacote químico, não de um número de octanas maior na aditivada.
Assim, os programas de limpeza da aditivada tendem a fazer diferença com uso contínuo, não em uma única passagem pela bomba.
Se o seu carro aceita qualquer uma das três, vale priorizar aditivada no dia a dia e premium quando o motor pede mais ou quando você busca o melhor desempenho em viagens sob carga, calor e altitude.
E você, percebeu mudança no funcionamento do motor ao trocar de combustível ou notou diferença apenas no consumo?
