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Com usina movida a energia solar capaz de produzir 275 milhões de litros de água doce por dia a partir do mar, Marrocos testa como beber o oceano e irrigar plantações inteiras usando apenas luz do sol

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/11/2025 às 13:00
Atualizado em 22/11/2025 às 13:01
Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.
Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.
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Usina marroquina amplia dessalinização com energia renovável em meio à escassez hídrica regional.

A usina de dessalinização de Agadir–Chtouka, no sul de Marrocos, está operando com capacidade inicial de 275 mil metros cúbicos de água por dia, o equivalente a cerca de 275 milhões de litros, distribuídos entre abastecimento urbano e irrigação agrícola.

O projeto, estruturado com apoio significativo de energias renováveis e apresentado por autoridades marroquinas como a maior planta do mundo concebida para uso combinado de água potável e irrigação, integra a estratégia nacional de enfrentamento da seca prolongada.

Instalada na região de Souss-Massa, próxima ao litoral atlântico, a unidade emprega osmose reversa para dessalinizar água destinada à cidade de Agadir e à planície agrícola de Chtouka.

Segundo documentos oficiais, a planta foi organizada em regime “mutualizado”: cerca de 150 mil metros cúbicos por dia abastecem o consumo humano, enquanto 125 mil metros cúbicos diários seguem para a irrigação.

O modelo busca atender simultaneamente a demandas urbanas e agrícolas em uma área marcada por redução de chuvas e rebaixamento de aquíferos após décadas de bombeamento intensivo.

O projeto responde a um histórico de pressão hídrica na região. Em anos recentes, Agadir e municípios vizinhos enfrentaram queda acentuada no nível de barragens e risco de interrupções no abastecimento.

Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.
Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.

Já a planície agrícola de Chtouka, segundo relatórios de organismos internacionais, registrou impactos significativos da redução dos lençóis freáticos.

Nesse contexto, autoridades marroquinas passaram a tratar a dessalinização como solução estratégica para reduzir vulnerabilidades do setor agrícola e do consumo urbano.

Parceria público-privada e investimentos

Do ponto de vista institucional, Agadir–Chtouka foi estruturada como parceria público-privada reunindo o Office National de l’Électricité et de l’Eau Potable (ONEE), o Ministério da Agricultura de Marrocos e empresas privadas.

A espanhola Abengoa liderou o desenvolvimento em modelo de construir, operar e transferir, com investidores locais integrados ao consórcio.

O projeto recebeu prêmios internacionais em categorias relacionadas à água e à infraestrutura, atribuídos por entidades especializadas do setor.

Quanto ao investimento, estimativas oficiais e análises de mercado indicam custo total próximo de 4,4 bilhões de dirhams marroquinos, incluindo a planta de dessalinização e a rede de irrigação associada.

Em dólares, os valores variam conforme o escopo considerado nas fontes: aproximadamente US$ 360 milhões para a fase inicial e cifras próximas de US$ 480 milhões quando se incluem ampliações e obras complementares.

Segundo especialistas do setor hídrico, a diferença decorre da inclusão ou não da infraestrutura agrícola integrada ao projeto.

Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.
Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.

Irrigação agrícola e impacto regional

A vertente agrícola tem peso central na concepção da usina.

O sistema foi planejado para abastecer entre 13,6 mil e 15 mil hectares de cultivos na planície de Chtouka, polo reconhecido pela produção de frutas e hortaliças destinadas ao mercado interno e à exportação.

Cerca de 1,5 mil produtores fazem parte do programa de irrigação associado, segundo dados governamentais.

Estudos econômicos apontam que o polo emprega dezenas de milhares de trabalhadores e tem papel relevante na renda regional.

Na parte urbana, os 150 mil metros cúbicos diários de água dessalinizada destinados ao consumo humano foram dimensionados para reforçar o abastecimento de Agadir e de cidades vizinhas.

A região registrou, em anos de estiagem severa, níveis críticos em reservatórios e necessidade de ajustes temporários na distribuição de água.

A expansão planejada, que pretende elevar a produção total para 400 mil metros cúbicos diários, foi anunciada em documentos oficiais como parte de um esforço para aumentar a segurança hídrica da zona urbana.

Energia solar e eólica no abastecimento da planta

O componente energético tem sido um dos aspectos mais destacados do projeto.

Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.
Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.

A planta foi planejada para operar com participação significativa de energia solar, ligada a um parque fotovoltaico dedicado.

Essa integração, segundo relatórios técnicos, busca reduzir a emissão de gases de efeito estufa associada ao processo de dessalinização.

No entanto, documentos públicos não detalham a proporção exata da energia solar no suprimento elétrico atual da usina, informação considerada por especialistas como importante para avaliar o alcance da transição energética no setor.

Nos últimos anos, a estratégia energética passou a incluir também geração eólica, com plano de instalação de um parque superior a 150 megawatts para atender ao incremento de consumo decorrente da expansão para 400 mil metros cúbicos por dia.

Segundo comunicados empresariais, essa integração segue o conceito “Energy Follows Water”, no qual a produção de água é acompanhada por geração renovável equivalente.

As obras da fase ampliada têm previsão de conclusão até a segunda metade desta década.

Processo de dessalinização e monitoramento ambiental

Durante a operação, o fluxo segue as etapas tradicionais de uma planta de osmose reversa. A água é captada no mar.

Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.
Instalada em Marrocos, a usina de dessalinização Agadir–Chtouka produz 275 mil m³/dia com energia solar e eólica para abastecimento urbano e irrigação agrícola.

Depois passa por pré-tratamento físico-químico, pressurização para passagem pelas membranas semipermeáveis e posterior remineralização e desinfecção.

Os padrões de qualidade seguem normas definidas pelas autoridades marroquinas, tanto para água potável quanto para irrigação.

O processo gera uma salmoura concentrada, que retorna ao oceano após diluição e monitoramento ambiental.

De acordo com documentos técnicos do projeto, parâmetros como temperatura, salinidade e vazão são acompanhados para mitigar impactos sobre o ecossistema marinho.

Pesquisadores que analisam a expansão da dessalinização em Marrocos acompanham os efeitos cumulativos da descarga de salmoura na costa atlântica.

Papel nacional da usina e lacunas de transparência

A usina integra um programa nacional de segurança hídrica, que inclui a construção e ampliação de outras unidades de osmose reversa em cidades como Casablanca e Rabat.

O governo marroquino descreve Agadir–Chtouka como referência para a integração entre infraestrutura hídrica e fontes renováveis e como modelo para novas concessões do setor.

Segundo análises de políticas públicas, trata-se do primeiro projeto de dessalinização contratado pelo ONEE em PPP sob o novo marco legal da água, adotado para ampliar a participação privada no investimento e na operação.

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Rômulo Freitas
Rômulo Freitas
25/11/2025 22:07

Gratidão pela matéria querido.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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