Usina solar de 4,5 MW e quase R$ 25 milhões é inaugurada em Juazeiro (BA) para reduzir custos de energia no Projeto de Irrigação Maniçoba.
Uma usina solar de 4,5 megawatts, equipada com um sistema de armazenamento de energia em baterias, foi inaugurada em setembro no Projeto Público de Irrigação Maniçoba, em Juazeiro, na Bahia. A estrutura chega com a proposta de aliviar uma das principais despesas da produção agrícola local: a eletricidade necessária para bombear água até as áreas cultivadas. Atualmente, esse consumo representa mais da metade do orçamento do Distrito de Irrigação de Maniçoba (DIM), mas a expectativa é que o gasto possa cair para valores próximos de zero.
Para alcançar esse objetivo, o empreendimento combina a geração de energia solar com baterias capazes de armazenar a eletricidade para uso posterior. A solução busca trazer mais estabilidade ao funcionamento da irrigação e dar maior previsibilidade aos produtores. O investimento se aproxima de R$ 25 milhões e foi financiado pelo Banco do Nordeste (BNB), com prazo de dez anos para pagamento.
Produção de manga ajuda a dimensionar a importância da irrigação em Maniçoba
A água é essencial para manter a produção agrícola de Maniçoba, onde a irrigação sustenta uma importante atividade de fruticultura. Construído pela Codevasf entre 1975 e 1981, o projeto tem na manga um de seus principais produtos. São aproximadamente 90 mil toneladas produzidas anualmente, destinadas tanto ao abastecimento do mercado brasileiro quanto às exportações.
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Por trás dessa produção, existe uma estrutura de bombeamento que precisa de eletricidade para levar água às áreas de cultivo. O problema é que manter esse sistema funcionando pesa nas contas do Distrito de Irrigação de Maniçoba. Por isso, a possibilidade de diminuir os gastos com energia representa uma perspectiva importante para os agricultores, que poderão ter mais previsibilidade sobre os custos envolvidos na produção.
Como funcionam os 5.400 painéis solares e o sistema de baterias
A usina conta com 5.400 painéis fotovoltaicos e uma tecnologia que permite aproveitar a eletricidade produzida mesmo depois do momento em que ela foi gerada. Trata-se do BESS, sigla em inglês utilizada para identificar os sistemas de armazenamento de energia em baterias.
Na prática, os painéis são responsáveis pela geração de eletricidade, enquanto as baterias permitem guardar parte dessa energia para utilização posterior, de acordo com as necessidades da irrigação. Dessa forma, o projeto não depende apenas do aproveitamento imediato da produção solar, passando a contar também com a possibilidade de usar a energia armazenada.
O sistema de baterias foi instalado na estação principal de bombeamento, aproximando a estrutura de armazenamento do local onde a eletricidade é necessária para manter a irrigação em funcionamento.

Banco do Nordeste financiou investimento de quase R$ 25 milhões
O projeto recebeu um financiamento de quase R$ 25 milhões do Banco do Nordeste, com pagamento previsto ao longo de dez anos. Para que a iniciativa saísse do planejamento e chegasse à fase de implantação, também foi necessário reunir diferentes instituições envolvidas na estruturação do empreendimento.
A Codevasf teve papel de interlocução nesse processo, aproximando o banco, representantes governamentais e a administração do Distrito de Irrigação de Maniçoba. Essa articulação ajudou a viabilizar a instalação de uma estrutura que reúne geração de energia renovável e armazenamento em baterias dentro de um projeto público de irrigação.
Experiência em Juazeiro poderá servir de referência para outros projetos
A inauguração reuniu agricultores, autoridades e representantes do setor, que acompanharam a apresentação da nova estrutura. As atividades ocorreram tanto na área ocupada pelos painéis solares quanto na estação principal de bombeamento, onde foi instalado o sistema de baterias.
Além da expectativa de reduzir as despesas com eletricidade em Maniçoba, a iniciativa poderá servir de referência para outros projetos públicos de irrigação que enfrentam o desafio de controlar os custos energéticos.
A proposta é que a combinação entre painéis solares e armazenamento de energia ajude a tornar o funcionamento da irrigação mais previsível. Para os produtores atendidos pelo projeto, o principal benefício esperado está justamente na possibilidade de manter o abastecimento de água necessário às lavouras com um peso menor da eletricidade nas despesas da atividade agrícola.
