Fósseis encontrados na Formação Urumaco, na Venezuela, permitiram reconstruir as proporções do animal a partir do crânio. O estudo responsável pela descrição da espécie também identificou características anatômicas próprias na dentição, no palato e na região posterior da cabeça.
O Gryposuchus croizati está entre os maiores gaviais conhecidos pela paleontologia, mas suas dimensões não foram obtidas pela medição de um esqueleto completo. Comprimento e massa foram estimados a partir de proporções preservadas no crânio, com margens que expressam a incerteza desse tipo de reconstrução.
Douglas Riff e Orangel Aguilera apresentaram os cálculos no estudo que descreveu formalmente a espécie, elaborado com fósseis da Formação Urumaco, no estado de Falcón, no noroeste da Venezuela.
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O material analisado pertence a depósitos do Mioceno Superior e permitiu aos pesquisadores reunir duas partes centrais da descrição paleontológica: a estimativa do porte corporal e o diagnóstico anatômico necessário para diferenciar G. croizati de outros gavialoides conhecidos.
Como o tamanho foi estimado
Para calcular o comprimento total, Riff e Aguilera utilizaram o comprimento dorsal do crânio. O resultado central foi de 10,15 metros, dentro de uma faixa estimada entre 9,67 e 10,67 metros, e não uma medida única observada diretamente no fóssil.
A massa corporal foi reconstruída por outra relação osteométrica, baseada no comprimento da caixa craniana. O cálculo produziu 1.745 quilos como valor de referência, com intervalo entre 1.280 e 2.379 quilos.
As faixas deixam claro o limite da reconstrução. Os 10,15 metros e 1.745 quilos representam valores centrais derivados das proporções cranianas preservadas, enquanto os extremos indicam quanto os resultados podem variar dentro dos cálculos empregados pelos autores.
Mesmo considerando essa margem, as dimensões sustentaram a comparação apresentada no próprio trabalho. Os pesquisadores situaram G. croizati entre os maiores gaviais conhecidos e também entre os crocodiliformes de grande porte identificados no registro fóssil.
O tamanho, porém, não foi usado isoladamente para estabelecer uma nova espécie. Um indivíduo excepcionalmente grande poderia pertencer a uma espécie já conhecida, por isso a identificação taxonômica depende de características anatômicas capazes de diferenciar o material de formas próximas.
Crânio e dentição diferenciaram a espécie
Entre os elementos avaliados estavam estruturas do teto craniano, do palato e da região posterior do crânio. O estudo destacou a largura dos palatinos entre fenestras palatinas reduzidas, além de particularidades encontradas no quadrado e no pterigoide.
A dentição forneceu outro conjunto de elementos para o diagnóstico. Os autores registraram quatro dentes pré-maxilares, 19 maxilares e 22 mandibulares, dados considerados junto às demais características cranianas descritas no material fóssil.
Esses traços permitiram comparar G. croizati com espécies próximas, entre elas Gryposuchus colombianus e Gryposuchus neogaeus. A diferenciação resultou, portanto, da associação entre proporções, dentição e estruturas ósseas, e não somente das estimativas de comprimento e massa.
O focinho alongado enquadra o animal entre os gavialoides, grupo de crocodilianos com representantes conhecidos no registro fóssil sul-americano. A ocorrência de Gryposuchus em Urumaco integra uma fauna que reuniu crocodilianos com formas e dimensões bastante diferentes.
Uma pesquisa publicada na Nature Communications analisou a diversidade desses animais na região e registrou a ocorrência simultânea de pelo menos sete espécies em determinados intervalos da sequência fossilífera, incluindo representantes de Alligatoroidea e Gavialoidea.
Esse conjunto abrangia desde formas menores até crocodilianos de grande porte. O registro ajuda a situar Gryposuchus dentro de uma comunidade fóssil diversificada, preservada em uma unidade geológica importante para o estudo dos vertebrados do Neógeno no norte da América do Sul.
A diversidade registrada nos depósitos venezuelanos também envolvia diferenças de morfologia. Formatos distintos de crânio e focinho aparecem entre os crocodilianos encontrados na sequência, mostrando que animais com anatomias variadas ocuparam a região durante o período representado pelos fósseis.
A pesquisa sobre Urumaco indica ainda que essa comunidade não permaneceu com a mesma composição no Plioceno. Os autores relacionaram de forma provável o desaparecimento das espécies que formavam esse conjunto a mudanças hidrográficas associadas ao soerguimento dos Andes.
