Com apenas 35 moradores e sem rede elétrica, a ilha de Foula celebra o natal em janeiro. Conheça as tradições desta remota comunidade no Reino Unido.
Imagine viver em um local sem acesso à rede elétrica nacional, sem sinal de Wi-Fi e onde os suprimentos dependem exclusivamente das condições do mar e do céu. Este é o cotidiano dos 35 habitantes de Foula, uma ilha situada no arquipélago de Shetland, considerada um dos pontos mais remotos do Reino Unido.
Devido a esse isolamento geográfico e a um forte apego às tradições, a comunidade mantém um ritmo de vida próprio, o que inclui celebrar o natal apenas no dia 6 de janeiro, ignorando o cronograma seguido pelo resto do mundo ocidental em 2026.
O desafio da autossuficiência no extremo norte
Chegar a Foula é uma tarefa que exige paciência. O acesso é feito por uma balsa que opera três vezes por semana — em uma viagem de aproximadamente duas horas — ou por voos de pequeno porte saindo de Shetland.
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Entretanto, o clima severo da região frequentemente interrompe esses serviços, deixando os moradores isolados.
Para os visitantes que desejam conhecer a ilha e presenciar o natal de janeiro, a preparação deve ser rigorosa:
- Alimentação: É obrigatório levar a própria comida, já que as acomodações não oferecem refeições.
- Hospedagem: Não existem hotéis; as estadias são independentes e simplificadas.
- Tempo de permanência: Recomenda-se reservar entre quatro ou cinco noites para garantir que o clima permita a partida.
- Infraestrutura: Não há bares, lojas ou qualquer tipo de comércio local.

A herança de Júlio César: O calendário juliano
A razão pela qual o natal e o Ano Novo em Foula ocorrem em janeiro remonta à Roma Antiga. A comunidade decidiu manter o calendário juliano, sistema introduzido por Júlio César em 46 a.C.
Enquanto o restante do Reino Unido migrou para o calendário gregoriano em 1752, os habitantes desta pequena ilha optaram por não atualizar sua contagem de tempo.
A situação tornou-se ainda mais distinta no ano de 1900. Com a adoção das regras modernas para anos bissextos no calendário gregoriano, a diferença entre os dois sistemas aumentou.
Isso fez com que as festividades em Foula passassem a ser celebradas exatamente 12 dias depois do que no resto da Grã-Bretanha, fixando a natividade no dia 6 de janeiro.
Tradição preservada contra a modernidade
Enquanto a maioria das decorações natalinas pelo mundo já foi desmontada em 2026, Foula preserva o espírito de celebração tardia como um símbolo de sua identidade única.
O isolamento, que para muitos parece uma dificuldade, serviu como uma barreira protetora para que o calendário de 1.600 anos de história não fosse esquecido.
Dessa forma, o Ano Novo só chega para esses 35 residentes na metade do primeiro mês do ano civil, mantendo Foula como um refúgio temporal onde o relógio da modernidade ainda não conseguiu ditar as regras.
Com informações da Casa Vogue

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