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Com 21.300 toneladas e 199 metros, os porta-helicópteros da classe Mistral foram construídos pela França para a Rússia por €1,2 bilhão, mas após a anexação da Crimeia em 2014 a OTAN pressionou Paris a cancelar o negócio, reembolsar Moscou e vender os navios ao Egito, criando os maiores navios de assalto anfíbio já operados por um país africano

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 16/03/2026 às 15:16
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Com 21.300 toneladas e 199 metros, os porta-helicópteros da classe Mistral foram construídos pela França para a Rússia por €1,2 bilhão, mas após a anexação da Crimeia em 2014 a OTAN pressionou Paris a cancelar o negócio, reembolsar Moscou e vender os navios ao Egito, criando os maiores navios de assalto anfíbio já operados por um país africano
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Com 21.300 toneladas e 199 metros, os navios da classe Mistral foram construídos para a Rússia, mas após a crise da Crimeia em 2014 a França cancelou o acordo e vendeu os gigantes anfíbios ao Egito.

Entre os episódios mais incomuns da indústria naval militar moderna está a história dos navios da Mistral-class amphibious assault ship. Projetados pela França como modernos navios de assalto anfíbio capazes de operar helicópteros, tropas e veículos blindados, dois desses gigantes foram originalmente construídos para a Rússia em um contrato bilionário que parecia consolidar uma nova fase de cooperação militar entre Moscou e países da Europa Ocidental. O acordo previa a construção de dois navios por aproximadamente €1,2 bilhão, destinados à Russian Navy. Porém, o cenário internacional mudou radicalmente em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia após a crise política na Ucrânia. A decisão provocou sanções internacionais e forte pressão política de aliados da NATO.

Sob esse contexto, a França tomou uma decisão incomum: cancelar a entrega dos navios já concluídos, reembolsar a Rússia e buscar outro comprador. Meses depois, os gigantes anfíbios acabariam sendo vendidos ao Egito, transformando-se nos maiores navios de guerra já operados por um país africano.

O que é um navio de assalto anfíbio e por que a classe Mistral é estratégica

Os navios da classe Mistral pertencem à categoria conhecida como Landing Helicopter Dock (LHD), embarcações projetadas para realizar operações anfíbias complexas. Diferente de navios de guerra tradicionais, esses gigantes funcionam como verdadeiras bases militares flutuantes.

Eles são capazes de transportar tropas, helicópteros, veículos blindados e embarcações de desembarque, permitindo que forças militares sejam projetadas rapidamente sobre regiões costeiras sem necessidade de portos ou infraestrutura local.

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Cada navio da classe Mistral possui aproximadamente 21.300 toneladas de deslocamento199 metros de comprimento e capacidade para transportar centenas de militares e dezenas de veículos. O convés de voo ocupa grande parte da estrutura superior e pode operar simultaneamente vários helicópteros.

Além disso, esses navios também possuem instalações médicas completas, centros de comando avançados e áreas logísticas que permitem coordenar operações militares de grande escala.

As características técnicas que tornaram os Mistral tão cobiçados

O projeto da classe Mistral foi desenvolvido para combinar flexibilidade operacional com custos relativamente menores em comparação com grandes porta-aviões.

Entre os principais dados técnicos desses navios estão:

  • deslocamento de aproximadamente 21.300 toneladas
  • comprimento total de 199 metros
  • velocidade máxima de cerca de 18 nós
  • tripulação básica de cerca de 160 militares

A capacidade de transporte é um dos principais diferenciais. Em missões padrão, o navio pode embarcar cerca de 450 soldados, podendo acomodar até 900 militares por curtos períodos durante operações de desembarque. O hangar interno pode armazenar até 16 helicópteros, enquanto o convés de voo permite operar cerca de seis aeronaves simultaneamente.

Dependendo da configuração, o navio pode transportar também cerca de 60 veículos militares, incluindo tanques pesados e blindados.

O sistema de desembarque anfíbio que torna esses navios únicos

Uma das características mais importantes da classe Mistral é o chamado well deck, um compartimento inundável localizado na parte traseira do navio.

Esse espaço permite lançar embarcações de desembarque diretamente no mar. A estrutura pode acomodar:

  • quatro embarcações de desembarque do tipo LCU
  • ou dois hovercraft de alta velocidade

Esse sistema permite transportar tropas e veículos pesados diretamente para a costa durante operações militares. Graças a essa capacidade, navios anfíbios como os Mistral são considerados ferramentas estratégicas para projeção de poder militar em regiões distantes.

O contrato histórico entre França e Rússia

No início da década de 2010, a Rússia buscava modernizar sua marinha e adquirir novas capacidades de projeção naval. Em 2011, Moscou assinou um acordo com a França para comprar dois navios da classe Mistral. O contrato incluía também transferência parcial de tecnologia e cooperação industrial.

Com 21.300 toneladas e 199 metros, os porta-helicópteros da classe Mistral foram construídos pela França para a Rússia por €1,2 bilhão, mas após a anexação da Crimeia em 2014 a OTAN pressionou Paris a cancelar o negócio, reembolsar Moscou e vender os navios ao Egito, criando os maiores navios de assalto anfíbio já operados por um país africano
Com 21.300 toneladas e 199 metros, os porta-helicópteros da classe Mistral foram construídos pela França para a Rússia por €1,2 bilhão, mas após a anexação da Crimeia em 2014 a OTAN pressionou Paris a cancelar o negócio, reembolsar Moscou e vender os navios ao Egito, criando os maiores navios de assalto anfíbio já operados por um país africano

Os navios seriam chamados Vladivostok e Sevastopol, nomes importantes para a marinha russa. Eles foram construídos nos estaleiros franceses STX France, atualmente conhecidos como Chantiers de l’Atlantique, um dos maiores centros de construção naval da Europa.

O acordo foi considerado um marco diplomático, pois representava uma rara cooperação militar direta entre um país da OTAN e a Rússia.

A crise da Crimeia que mudou o destino dos navios

Em 2014, a situação mudou drasticamente. Após protestos políticos na Ucrânia e a queda do governo pró-russo em Kiev, a Rússia anexou a península da Crimea.

A decisão provocou forte reação internacional. Diversos países impuseram sanções econômicas contra Moscou, e aliados ocidentais pressionaram a França a cancelar a venda dos navios.

O governo francês inicialmente suspendeu a entrega, mas em 2015 decidiu cancelar definitivamente o contrato. Para encerrar o acordo, Paris precisou devolver à Rússia os valores pagos e compensar custos adicionais, totalizando cerca de €950 milhões.

Meses parados no porto de Brest

Após o cancelamento, os dois navios ficaram praticamente prontos, mas sem comprador. Durante meses, os gigantes anfíbios permaneceram ancorados no porto francês de Brest, tornando-se símbolo de um impasse diplomático internacional.

Manter navios militares desse porte sem destino era financeiramente problemático e politicamente constrangedor. A França precisava encontrar rapidamente um novo comprador que aceitasse os navios praticamente completos.

A solução inesperada: a venda ao Egito

A solução veio em 2015, quando o Egyptian Navy demonstrou interesse em adquirir os navios. O acordo foi fechado por aproximadamente €950 milhões, valor semelhante ao reembolso pago à Rússia.

Após a venda, os navios receberam novos nomes:

  • ENS Gamal Abdel Nasser
  • ENS Anwar El Sadat

Eles entraram em serviço na marinha egípcia entre 2016 e 2017.

Os maiores navios militares já operados por um país africano

Com mais de 21.000 toneladas de deslocamento, os dois Mistral se tornaram os maiores navios de guerra já operados por um país africano.

Essa aquisição transformou significativamente a capacidade naval do Egito. Os navios ampliaram a habilidade do país de realizar:

  • operações anfíbias
  • missões de projeção de poder
  • ações de resposta rápida no Mediterrâneo e no Mar Vermelho

Isso posicionou a marinha egípcia como uma das mais poderosas da região.

O curioso retorno da tecnologia russa

Apesar de os navios terem sido originalmente projetados para a Rússia, sua história teve um desfecho curioso. Os Mistral foram adaptados inicialmente para operar helicópteros russos Ka-52K Katran, versões navais de ataque do helicóptero Ka-52.

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Depois da compra dos navios, o Egito decidiu adquirir exatamente esse modelo de helicóptero da Rússia. Assim, aeronaves russas acabaram operando nos mesmos navios que originalmente deveriam ter sido entregues à própria marinha russa.

Um episódio clássico de geopolítica naval

O caso dos navios Mistral vendidos ao Egito é frequentemente citado como um dos exemplos mais claros de como decisões militares e industriais podem ser influenciadas pela geopolítica internacional.

O episódio envolveu:

  • um contrato bilionário cancelado
  • sanções internacionais
  • pressões diplomáticas da OTAN
  • reposicionamento estratégico no Oriente Médio

No final, navios projetados para reforçar a marinha russa acabaram fortalecendo outra potência regional. Essa reviravolta demonstra como mudanças rápidas no cenário internacional podem alterar profundamente o destino de tecnologias militares complexas.

E mostra também que, no mundo da construção naval militar, gigantes de aço podem se tornar peças centrais de disputas diplomáticas que vão muito além dos oceanos.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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