A confiança da indústria caiu para 44,9 pontos em setembro, segundo a CNI, acumulando 21 meses abaixo da linha que separa confiança e falta de confiança, após uma pesquisa com 1.186 empresas apontar piora tanto na avaliação do presente quanto nas expectativas para os próximos meses.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial, o ICEI, recuou 1,4 ponto, saindo de 46,3 em agosto. Os resultados foram divulgados pela entidade em 14 de setembro.
A linha divisória é de 50 pontos. Abaixo desse nível, o indicador sinaliza falta de confiança dos empresários industriais; acima, aponta avaliação favorável no conjunto de respostas pesquisadas.
O levantamento mede percepção. Portanto, seus pontos não correspondem a porcentagem de fábricas fechadas, volume de produção perdido ou quantidade de trabalhadores dispensados durante o mês analisado.
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O ICEI ficou 5,1 pontos abaixo da linha de confiança
O resultado de 44,9 pontos deixa o índice 5,1 pontos abaixo de 50. Essa distância é uma comparação dentro da escala do indicador, não uma taxa econômica.
Segundo a divulgação da CNI, a sequência de 21 meses sem confiança é o período mais longo desde o observado em 2015 e 2016 na série apresentada.
A comparação histórica mostra persistência da percepção negativa. Entretanto, não significa que todos esses meses tenham registrado a mesma intensidade de pessimismo ou a mesma variação do índice.
A queda atingiu a avaliação do presente e as expectativas
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, atribuiu o recuo a uma piora generalizada dos componentes. A avaliação atual e as expectativas futuras perderam pontos.
Essa composição diferencia a queda de um movimento concentrado em apenas uma pergunta. Tanto a leitura do momento quanto a visão adiante contribuíram para o resultado de setembro.
A intensidade, porém, foi diferente entre os componentes. Os dados permitem separar onde a deterioração foi mais forte e onde ainda existe avaliação acima da linha divisória.
As condições atuais recuaram 2,5 pontos e chegaram a 40,2
O Índice de Condições Atuais caiu de 42,7 para 40,2 pontos. O recuo de 2,5 pontos foi maior que o observado no indicador geral de confiança industrial.
Esse componente reúne a percepção sobre o quadro presente. A queda indica que os entrevistados passaram a avaliar as condições atuais de maneira menos favorável que no mês anterior.
O número não mede faturamento nem produção física diretamente. Ele registra a resposta dos empresários sobre a situação, que deve ser interpretada como informação de confiança e avaliação.

A economia brasileira recebeu 33 pontos na avaliação do momento atual
A percepção das condições atuais da economia brasileira caiu de 36,6 para 33 pontos, uma redução de 3,6 pontos. Foi a deterioração mais destacada pela análise da entidade.
O componente já estava abaixo de 50 em agosto e se afastou ainda mais dessa referência. Assim, a queda ampliou uma avaliação negativa que já existia antes.
Segundo Azevedo, a leitura do cenário econômico chamou atenção na pesquisa. A manifestação da CNI ajuda a identificar o componente que mais pressionou a avaliação do presente.
A situação das próprias empresas foi melhor avaliada que a economia nacional
A avaliação das condições atuais das empresas caiu de 45,7 para 43,8 pontos. Embora também negativa, ficou acima dos 33 pontos atribuídos ao quadro atual da economia brasileira.
A diferença revela duas percepções distintas: uma sobre o ambiente econômico mais amplo e outra sobre a situação do próprio negócio. Elas não precisam ter a mesma intensidade.
O empresário pode avaliar sua empresa de maneira menos negativa que o país sem estar otimista. Nesse caso, ambos os resultados atuais continuam abaixo da linha de 50 pontos.
As expectativas gerais cederam menos, mas permaneceram abaixo de 50
O Índice de Expectativas passou de 48,1 para 47,2 pontos, queda de 0,9 ponto. O movimento foi menor que o recuo das condições atuais na mesma pesquisa.
Mesmo assim, a leitura agregada do futuro continuou negativa. O fato de cair menos não transforma automaticamente o componente em um sinal de confiança ou de recuperação confirmada.
Para comparar os dois blocos, é preciso olhar nível e variação juntos. Um indicador pode recuar pouco e ainda permanecer em patamar baixo, como ocorre nas expectativas gerais.
O futuro das empresas ficou em 51,3, ainda acima da linha divisória
As expectativas para as próprias empresas caíram de 52,3 para 51,3 pontos. Esse componente permaneceu acima de 50, apesar da perda de um ponto em setembro.
Já a expectativa para a economia brasileira passou de 39,7 para 39,1 pontos, recuo de 0,6 ponto. As duas perspectivas, portanto, mostram uma diferença importante dentro do levantamento.
O dado impede resumir a pesquisa como se todos os componentes estivessem abaixo da referência. Há confiança residual no futuro dos negócios, combinada a pessimismo mais forte sobre o país.

A coleta ouviu empresas de três portes entre 1º e 8 de setembro
A CNI consultou 1.186 empresas, sendo 475 pequenas, 441 médias e 270 grandes. A coleta ocorreu entre 1º e 8 de setembro, antes da divulgação de segunda-feira.
Os três grupos somam o total informado. A composição permite entender quem participou, mas não deve ser confundida com a distribuição de todas as empresas industriais existentes no Brasil.
Também não é correto tratar as respostas como uma votação em que 44,9% ficaram pessimistas. O resultado final é um índice calculado a partir das perguntas do levantamento.
A data da pesquisa limita o período observado. Acontecimentos posteriores ao dia 8 não podem ser atribuídos diretamente às respostas já coletadas nessa edição da sondagem industrial.
Já o monitoramento da produção por sensores em uma fábrica têxtil registra atividade operacional, ilustrando a diferença entre medir o que foi produzido e pesquisar confiança.
A persistência pode influenciar decisões, mas a pesquisa não conta cancelamentos
A CNI avalia que uma falta de confiança prolongada tende a consolidar posições sobre contratação, investimento e produção. Trata-se da interpretação econômica apresentada pela entidade sobre o indicador.
O levantamento não informa quantas decisões foram efetivamente canceladas por esse motivo. Para medir emprego, produção ou investimento realizado, seriam necessárias estatísticas específicas sobre essas variáveis econômicas.
O resultado de setembro aponta, portanto, cautela persistente e deterioração das avaliações. A evolução dos próximos meses mostrará se as expectativas das empresas conseguem sustentar uma melhora mais ampla.
Na indústria em que você trabalha, a cautela aparece primeiro nas contratações, na compra de equipamentos ou na programação da produção?
