Após a eleição brasileira, Citi revisa recomendações para bancos e seguradoras, aponta riscos de inadimplência no Banco do Brasil, mantém Itaú como favorito e prefere empresas com lucros previsíveis e dividendos aos acionistas
O Citi mudou suas recomendações para empresas do setor financeiro brasileiro após o resultado da eleição brasileira no último domingo (25). As ações do Banco do Brasil perderam espaço, enquanto seguradoras ganharam preferência diante das preocupações com juros, crédito e economia. As informações do UOL.
Citi vê mais riscos para as ações do Banco do Brasil
O relatório divulgado na terça-feira (27) trouxe mudanças importantes para quem acompanha a Bolsa brasileira.
O Citi passou a recomendar a venda das ações do Banco do Brasil, apontando riscos relacionados aos empréstimos e ao cenário político.
-
Número de brasileiros com endividamento de risco dispara 75% em cinco anos, atinge 20,3 milhões e leva Banco Central a anunciar novas regras para empréstimos
-
Correios recebem garantia do governo para empréstimo de R$ 7 bilhões com quatro bancos privados, operação integra plano de reestruturação da estatal, que acumula 15 trimestres no vermelho
-
Novas regras para voos atrasados ou cancelados já estão valendo, mantêm alimentação após duas horas e hospedagem após quatro, mas agora também garantem reembolso de despesas emergenciais em até sete dias
-
Bolsa e dólar podem reagir à decisão de juros do Fed nesta quarta-feira (28); agenda inclui confiança industrial, fluxo cambial e indicadores dos Estados Unidos
A principal preocupação está na qualidade da carteira de crédito, especialmente nos financiamentos ao agronegócio. Segundo os analistas Gustavo Schroden e Arnon Shirazi, existe o risco de aumento da inadimplência.
Na prática, isso significa que mais clientes podem atrasar ou deixar de pagar suas dívidas. Nesse caso, o banco precisa reservar mais dinheiro para cobrir possíveis prejuízos, reduzindo o lucro disponível.
Outro ponto destacado pelo Citi é a exposição do Banco do Brasil às decisões do governo federal. Para os analistas, mudanças na condução da política econômica representam um risco adicional para a instituição.
Caixa Seguridade e Porto Seguro passam a ter recomendação de compra
Enquanto o Banco do Brasil perdeu espaço, duas empresas ganharam destaque: Caixa Seguridade e Porto Seguro.
O Citi elevou ambas para recomendação de compra por considerar que seus negócios apresentam maior previsibilidade de resultados e capacidade de geração de caixa.
No caso da Caixa Seguridade, os analistas destacaram um modelo de negócios que exige menos capital para crescer. Essa característica é considerada favorável em períodos de juros elevados.
Já a Porto Seguro reúne operações diversificadas e pode aproveitar os juros altos para aumentar as receitas obtidas com aplicações financeiras.
A avaliação é que essas características tornam as duas companhias relativamente mais resistentes às dificuldades previstas para a economia brasileira.
Bradesco, XP, B3 e outras empresas recebem recomendação neutra
As mudanças não ficaram restritas ao Banco do Brasil e às seguradoras.
O Citi também passou a recomendar posição neutra para Bradesco, XP, B3, BR Partners e PagSeguro.
Para XP e B3, uma das preocupações envolve os efeitos dos juros elevados sobre o mercado de capitais.
Com a renda fixa oferecendo retornos mais atraentes, investidores podem reduzir a exposição a aplicações consideradas arriscadas, como ações.
Isso pode afetar o volume de negociações na Bolsa e as operações de captação de recursos realizadas pelas empresas.
BR Partners e PagSeguro também entraram na lista de recomendações neutras, em meio às preocupações com os custos de financiamento e as condições para expansão do crédito.
Itaú permanece como principal escolha do Citi entre os bancos
Apesar das mudanças, o Itaú continuou como a principal escolha do Citi entre os bancos brasileiros.
A instituição destacou a qualidade dos resultados, a disciplina na concessão de empréstimos e a solidez de capital do banco.
O cenário econômico, entretanto, continua exigindo cautela, segundo os analistas.
Mesmo após a queda expressiva das ações, o Citi considera que as incertezas fiscais e a perspectiva de juros elevados por mais tempo justificam exigir retornos maiores para compensar os riscos.
O relatório também reforça a preferência por empresas com lucros previsíveis, geração de caixa e capacidade de distribuir dividendos aos acionistas.
O material divulgado não apresentou novos preços-alvo para as ações analisadas.
Matéria elaborada com base neste artigo do UOL.
