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Número de brasileiros com endividamento de risco dispara 75% em cinco anos, atinge 20,3 milhões e leva Banco Central a anunciar novas regras para empréstimos

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 28/10/2026 às 11:52 Atualizado em 28/10/2026 às 12:10
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Brasil chega a 20,3 milhões de pessoas com endividamento de risco após alta de 75% em cinco anos, e Banco Central prepara novas medidas para conter ofertas de crédito
Imagem: Agência Brasil
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Banco Central revela que 17% dos devedores brasileiros estão em situação de risco financeiro, enquanto famílias de baixa renda comprometem até 42% dos ganhos com dívidas e novas regras para empréstimos são preparadas

O endividamento de risco atingiu 20,3 milhões de brasileiros em junho de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (27). O crescimento foi de 75% em cinco anos, enquanto a instituição prepara novas medidas para limitar ofertas agressivas de empréstimos.

Endividamento de risco já atinge 17% dos brasileiros com dívidas no sistema financeiro

Os números fazem parte do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. Em junho de 2021, o país tinha aproximadamente 11,6 milhões de pessoas nessa situação. Cinco anos depois, o contingente chegou a 20,3 milhões.

Isso significa que 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional apresentam sinais de comprometimento financeiro elevado.

O problema aparece principalmente entre consumidores de menor renda. Entre brasileiros que recebem até dois salários mínimos, 42% dos rendimentos mensais já estão comprometidos com dívidas.

Desse percentual, 15 pontos correspondem ao cartão de crédito. A faixa reúne 61,2 milhões de pessoas, segundo o levantamento.

A diferença em relação aos consumidores de maior renda é expressiva. Entre aqueles que recebem mais de dez salários mínimos, o comprometimento total chega a 18,6%.

Brasil chega a 20,3 milhões de pessoas com endividamento de risco após alta de 75% em cinco anos, e Banco Central prepara novas medidas para conter ofertas de crédito
Imagem: Ilustração

Banco Central prepara medidas contra ofertas agressivas de empréstimos

Diante desse cenário, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou que a instituição pretende apresentar novas medidas ainda em 2026.

O foco está nos consumidores que já enfrentam dificuldades para pagar empréstimos, principalmente aqueles que utilizam o crédito rotativo do cartão ou acumulam atrasos significativos.

“Pretendemos adicionar medidas ainda este ano”, afirmou Galípolo.

O presidente também demonstrou preocupação com o crescimento de empréstimos sem garantia, mesmo com os juros elevados.

Entre as modalidades citadas estão o cheque especial, o cartão de crédito e o empréstimo pessoal não consignado.

“A preocupação que existe é nessas modalidades, em que estamos assistindo crescimento de maneira pouco sensível a preço”, declarou.

Quatro critérios mostram quando uma pessoa está em situação de risco

O Banco Central utiliza quatro indicadores para identificar consumidores em situação de endividamento de risco. Para entrar nessa classificação, a pessoa precisa apresentar pelo menos dois deles.

Os critérios são:

  • Atrasar parcelas de crédito por mais de 90 dias;
  • Comprometer mais de 50% da renda mensal com dívidas;
  • Utilizar simultaneamente cheque especial, crédito pessoal não consignado e crédito rotativo;
  • Ficar com renda abaixo da linha de pobreza depois de pagar as dívidas.

Isso não significa que todos os 20,3 milhões de brasileiros estejam inadimplentes.

A classificação também inclui pessoas que continuam pagando suas contas, mas apresentam sinais de vulnerabilidade financeira.

Brasil chega a 20,3 milhões de pessoas com endividamento de risco após alta de 75% em cinco anos, e Banco Central prepara novas medidas para conter ofertas de crédito
Imagem: Agência Brasil

Novas regras para empréstimos começam a valer em março de 2027

Na sexta-feira (23), o Banco Central anunciou mudanças para restringir ofertas inadequadas de crédito.

Uma das principais determinações exige que instituições financeiras disponibilizem mecanismos para bloquear publicidade e propostas ativas de empréstimos.

Para consumidores considerados vulneráveis, novas ofertas dependerão de autorização prévia, específica e inequívoca.

Nesses casos, as propostas deverão ficar limitadas a alternativas que melhorem as condições financeiras, como renegociação de dívidas e portabilidade, sem liberação de novos recursos.

As regras de bloqueio começam a valer em 31 de março de 2027.

Outra etapa está prevista para julho de 2027. Ela inclui painéis digitais com informações sobre dívidas e limites para ofertas de empréstimos durante transações iniciadas pelo Pix.

As medidas anunciadas buscam reduzir a contratação de crédito inadequado e impedir que consumidores já endividados assumam compromissos financeiros ainda maiores.

Matéria elaborada com base em dados de Agência Brasil.

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Romário Pereira de Carvalho

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