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Cientistas querem transformar cabos de internet em sensores para ouvir tremores na Lua, e o plano pode mudar de vez como as missões Artemis vão explorar, mapear riscos e proteger astronautas na superfície lunar

Publicado em 26/03/2026 às 09:19
Terremotos, Lua, Cabos
Imagem: Ilustração
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Um novo estudo do Laboratório Nacional de Los Alamos indica que futuras missões Artemis poderão usar cabos de fibra óptica para detectar sismos lunares a grandes distâncias, ampliar o conhecimento sobre a estrutura interna da Lua e reforçar a segurança de astronautas e equipamentos na superfície

Um estudo do Laboratório Nacional de Los Alamos indica que missões Artemis poderão usar cabos de fibra óptica para monitorar sismos lunares, ampliar o conhecimento e reforçar a segurança na superfície.

Nova proposta para detectar tremores

A pesquisa apresenta uma alternativa aos instrumentos usados desde a era Apollo para acompanhar a atividade sísmica lunar.

A ideia é transformar cabos de fibra óptica em sensores distribuídos, capazes de registrar vibrações a distâncias.

Segundo o estudo, a Lua não é geologicamente silenciosa. Sob a superfície poeirenta, tremores sutis percorrem a crosta. Esses sismos lunares guardam pistas sobre o interior do satélite, mas seguem difíceis de rastrear.

Carly Donahue, cientista do Laboratório Nacional de Los Alamos e autora correspondente de dois artigos, afirmou que implantar sensores como sismógrafos na Lua é difícil e caro.

Como a fibra óptica funciona

Os pesquisadores defendem que os cabos, usados na Terra para telecomunicações, podem detectar vibrações em todo o comprimento.

Assim, quilômetros de cabo passariam a atuar como um sistema contínuo de sensoriamento sísmico.

Nos sismógrafos convencionais, os dados são coletados em um único ponto. Na Lua, instalar equipamentos exige custo elevado, criando gargalo na coleta de dados sobre sismos lunares.

A detecção pela fibra óptica usa o método de sensoriamento acústico distribuído, conhecido pela sigla DAS. Pulsos de laser enviados pelo cabo identificam perturbações mínimas, e cada trecho funciona como sensor individual.

Robôs podem instalar quilômetros de cabo

Donahue explicou que a equipe quis saber se seria possível usar um robô ou veículo explorador para lançar cabos de fibra óptica por vários quilômetros na superfície lunar, sem enterrá-los, e ainda assim obter dados úteis.

Esse conceito criaria uma alternativa escalável. Em vez de vários instrumentos estacionários, um único veículo explorador poderia instalar quilômetros de sensores em uma missão, reduzindo custos e complexidade.

O uso de robôs também eliminaria tarefas demoradas e arriscadas para astronautas. Donahue afirmou que, se funcionar, o método será mais barato e eficiente, sem exigir viagens longas para instalar sensores ou os sistmeas de suporte das missões Apollo.

Relação com o programa Artemis

A proposta se alinha à visão da NASA para o programa Artemis, que destaca sustentabilidade, automação e infraestrutura de longo prazo na Lua. Sistemas de fibra óptica poderiam integrar uma rede lunar permanente.

Além de acompanhar sismos lunares, essa rede poderia apoiar sistemas de comunicação. A coleta de dados ajudaria futuras missões a observar áreas da superfície sem múltiplos instrumentos pesados.

Impacto para a segurança e a ciência

Compreender os sismos lunares vai além do interesse científico. Esses sinais oferecem informações sobre as camadas internas da Lua, sua evolução térmica e atividade tectônica, além de implicações práticas para futuras estruturas lunares.

A atividade sísmica frequente ou inesperada pode representar riscos para equipamentos, habitats e astronautas.

Um sistema distribuído permitiria mapear zonas de maior risco e projetar pousos e habitação mais seguras na sperfície lunar.

Os dados poderão refinar modelos sobre como a Lua se formou e evoluiu, lançando luz sobre processos no sistema solar.

Com informações de Daily Galaxy.

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Romário Pereira de Carvalho

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