1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas perfuraram o fundo do Mar Morto a quase 300 metros de lâmina d’água e recuperaram sedimentos capazes de registrar 450 mil anos de secas, terremotos e colapsos do lago, revelando que a região já passou por episódios de aridez extrema muito antes da crise hídrica atual
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 3 comentários

Cientistas perfuraram o fundo do Mar Morto a quase 300 metros de lâmina d’água e recuperaram sedimentos capazes de registrar 450 mil anos de secas, terremotos e colapsos do lago, revelando que a região já passou por episódios de aridez extrema muito antes da crise hídrica atual

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 26/04/2026 às 10:39
Atualizado em 27/04/2026 às 23:20
Assista o vídeoCientistas perfuraram o fundo do Mar Morto a quase 300 metros de lâmina d’água e recuperaram sedimentos capazes de registrar 450 mil anos de secas, terremotos e colapsos do lago, revelando que a região já passou por episódios de aridez extrema muito antes da crise hídrica atual
Cientistas perfuraram o fundo do Mar Morto a quase 300 metros de lâmina d’água
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
224 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Perfuração no Mar Morto revela 450 mil anos de secas e colapsos hídricos, mostrando que a região já enfrentou crises muito antes do cenário atual.

Em 2010–2011, o Dead Sea Deep Drilling Project, realizado no âmbito do International Continental Scientific Drilling Program e com participação do Geological Survey of Israel, executou uma operação rara no Mar Morto, em Israel: perfurar diretamente o fundo do lago hipersalino, em um ponto com cerca de 300 metros de lâmina d’água, próximo à área mais profunda da bacia. Segundo o relatório de 2012 do Geological Survey of Israel, listado pelo ICDP, a campanha ocorreu entre novembro de 2010 e março de 2011 e atingiu até 459 metros abaixo do assoalho do lago no sítio profundo.

O resultado foi a recuperação de um núcleo sedimentar de cerca de 455 a 456 metros, preservando um arquivo paleoclimático de alta resolução sobre a história ambiental do Levante. A base disponível do projeto PaleoAsia registra que esse núcleo preserva cerca de 220 mil anos de história paleoambiental e climática, enquanto um estudo publicado em junho de 2022 na Quaternary Science Reviews descreve o registro do Mar Morto como uma fonte detalhada sobre mudanças climáticas e grandes variações no balanço hídrico regional ao longo dos últimos 200 mil anos.

O objetivo da perfuração não era apenas reconstruir o passado remoto do Mar Morto, mas entender como uma das regiões mais áridas e tectonicamente ativas do planeta respondeu a ciclos extremos de seca, aumento do nível do lago, deposição de sal, mudanças de vegetação e instabilidade geológica. Ao atravessar camadas sucessivas de lama laminada, gesso e halita, os cientistas abriram uma janela direta para a história climática do Mediterrâneo Oriental e para a forma como o sistema hidrológico do Levante reagiu a mudanças bruscas muito antes da era moderna.

Sedimentos revelam ciclos repetidos de secas extremas e colapsos do lago

O material coletado no fundo do Mar Morto funciona como um registro cronológico altamente preciso. Cada camada sedimentar representa um período específico da história climática da região, permitindo identificar mudanças ao longo de centenas de milhares de anos.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Os dados mostram que o lago já passou por múltiplos episódios de:

  • Redução drástica do nível da água
  • Formação de camadas espessas de sal
  • Interrupções prolongadas no regime hídrico

Em alguns momentos, o sistema praticamente colapsou, com o lago encolhendo drasticamente. Esses eventos indicam que a aridez extrema não é um fenômeno recente, mas um processo recorrente na história da região.

Camadas de sal e lama funcionam como um “arquivo natural” do clima

Um dos aspectos mais importantes da perfuração é a alternância entre camadas de sedimento. Quando o clima era mais úmido, o lago recebia maior volume de água e sedimentos finos, formando camadas de lama.

Já em períodos de seca intensa, a evaporação superava a entrada de água, levando à deposição de sal. Essa alternância cria um registro visual e químico direto das oscilações entre períodos úmidos e áridos.

Registros mostram que secas prolongadas já ocorreram muito antes da crise moderna

Os dados indicam que a região do Oriente Médio já enfrentou secas extremamente prolongadas muito antes da atual crise hídrica.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Em alguns períodos, a escassez de água durou milhares de anos, alterando completamente a dinâmica do lago. Isso reforça a ideia de que o sistema climático local é altamente sensível a variações naturais.

A diferença atual está na combinação entre variabilidade natural e pressões humanas sobre os recursos hídricos.

Perfuração também capturou sinais de terremotos antigos

Além do clima, o projeto também registrou atividade tectônica. O Mar Morto está localizado sobre uma falha geológica ativa, parte do sistema transformante do Mar Morto.

Nos sedimentos, os cientistas identificaram estruturas deformadas associadas a terremotos antigos. Esses registros permitem reconstruir a frequência e intensidade de eventos sísmicos ao longo do tempo.

O núcleo sedimentar funciona não apenas como um arquivo climático, mas também como um histórico geológico da atividade tectônica da região.

Operação exigiu plataforma especial para perfuração sobre água profunda

A perfuração no Mar Morto apresentou desafios técnicos significativos. Para acessar o fundo do lago, foi necessário construir uma plataforma flutuante adaptada às condições extremas da região.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Entre os desafios estavam:

  • Alta salinidade da água
  • Instabilidade da plataforma
  • Necessidade de perfuração contínua e precisa

Mesmo assim, a operação conseguiu recuperar um dos registros mais completos já obtidos em um ambiente lacustre profundo. A complexidade da operação reflete o valor científico das amostras obtidas.

Dados ajudam a entender o futuro hídrico de uma das regiões mais críticas do planeta

O Mar Morto hoje enfrenta uma queda acelerada no nível da água, causada principalmente pela redução do fluxo do rio Jordão e pelo uso intensivo de recursos hídricos.

Ao analisar o passado, os cientistas conseguem comparar os padrões naturais com o cenário atual. Isso permite identificar:

  • Diferenças entre secas naturais e antrópicas
  • Limites de resiliência do sistema
  • Possíveis trajetórias futuras

O passado registrado no fundo do lago se torna uma ferramenta para prever riscos futuros.

Região combina fatores climáticos e humanos que intensificam a escassez de água

A crise atual no Mar Morto não pode ser explicada apenas por fatores naturais. Entre os principais elementos estão:

  • Desvio de água para agricultura
  • Consumo urbano crescente
  • Redução do fluxo de rios
  • Aumento da evaporação devido ao aquecimento

Essa combinação torna a situação mais complexa do que eventos históricos registrados nos sedimentos. O sistema hídrico atual enfrenta pressões que não existiam em períodos passados.

Estudo reforça vulnerabilidade de regiões áridas a mudanças climáticas

Os resultados do projeto mostram que regiões áridas são particularmente sensíveis a mudanças climáticas. Pequenas variações na precipitação podem provocar grandes alterações no equilíbrio hídrico.

No caso do Mar Morto, isso se traduz em mudanças significativas no nível do lago. Esse comportamento torna regiões semelhantes altamente vulneráveis a mudanças futuras no clima.

ilustração de perfuração do mar morto – CPG

O sucesso do projeto demonstra que é possível acessar registros profundos mesmo em ambientes desafiadores. Isso abre caminho para novas iniciativas em outros lagos e bacias sedimentares ao redor do mundo.

Esses estudos podem ampliar o entendimento sobre clima, geologia e evolução ambiental. A perfuração científica continua sendo uma das principais ferramentas para investigar a história do planeta.

Diante desses registros, o que o passado do Mar Morto revela sobre o futuro da água na região?

Os sedimentos perfurados mostram que o Mar Morto já enfrentou ciclos extremos de seca e recuperação ao longo de centenas de milhares de anos.

No entanto, o cenário atual adiciona uma nova camada de complexidade, com forte influência humana sobre o sistema hídrico.

A questão que surge é direta: se o lago já colapsou naturalmente no passado, o que pode acontecer quando mudanças climáticas e uso intensivo de água atuam juntos no presente?

Inscreva-se
Notificar de
guest
3 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Zeca Milha
Zeca Milha
28/04/2026 09:31

Estão de Parabéns pela descoberta…..Aos poucos o Homem vai descobrindo os segredos da Hunanidade na Terra e no Espaço…..Isso não é Russo rsrs.

Marcelo
Marcelo
27/04/2026 06:34

O certo é lâmina d’água

Zeca Milha
Zeca Milha
Em resposta a  Marcelo
28/04/2026 09:35

O correto é fazer de Corcora……Mais se fz em Pé tbm.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
3
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x