Uma descoberta científica publicada em junho de 2026 está ajudando pesquisadores a compreender melhor a história geológica da Antártida. Um estudo divulgado na revista científica Nature Geoscience identificou uma gigantesca estrutura em formato de leque sob a camada de gelo da Antártida Oriental.
A pesquisa foi liderada pelo geofísico Egidio Armadillo, da Universidade de Gênova, na Itália, e contou com a participação de cientistas de instituições internacionais, incluindo a Universidade de Durham, no Reino Unido, e o Imperial College London.
A estrutura foi batizada pelos pesquisadores de East Antarctic Fan-Shaped Basin Province, ou Província de Bacias em Forma de Leque da Antártida Oriental. Segundo o estudo, o sistema reúne grandes bacias subglaciais já conhecidas, como Wilkes, Aurora e a região onde fica o Lago Vostok, o maior lago subglacial conhecido do planeta.
O que os cientistas encontraram?
Os pesquisadores identificaram uma vasta rede de bacias subterrâneas localizada sob a camada de gelo da Antártida Oriental. Juntas, essas formações criam um enorme padrão em formato de leque, batizado de East Antarctic Fan-shaped Basin Province. A estrutura conecta algumas das maiores bacias já conhecidas da região, incluindo as bacias de Wilkes, Aurora e a área onde está localizado o famoso Lago Vostok.
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De acordo com Egidio Armadillo e os demais autores do artigo publicado na Nature Geoscience, essa formação pode representar um dos maiores exemplos já identificados de extensão rotacional da crosta continental em todo o planeta.
Em termos simples, isso significa que a crosta terrestre na região teria se esticado e girado a partir de um ponto central durante processos tectônicos ocorridos antes da separação do antigo supercontinente Gondwana.
Estrutura ficou escondida por milhões de anos
A formação permaneceu oculta sob quilômetros de gelo e só pôde ser estudada com o uso de dados geofísicos e mapas do relevo subglacial.
No artigo, os cientistas explicam que combinaram informações de topografia sob o gelo com dados geofísicos para reconstruir a forma das bacias enterradas. Esses dados permitiram mostrar que as estruturas, antes analisadas separadamente, fazem parte de um sistema geológico maior e coerente.
Em algumas regiões, a camada de gelo que cobre essas formações ultrapassa três quilômetros de espessura, o que impede a observação direta do terreno.

Descoberta pode ajudar a entender o comportamento das geleiras
Embora a descoberta tenha forte importância geológica, suas implicações também ajudam a compreender o comportamento atual do gelo antártico.
O estudo publicado na Nature Geoscience aponta que as bacias subterrâneas influenciam a paisagem sob o gelo e podem afetar o fluxo das geleiras. Isso ocorre porque a forma do terreno escondido sob a camada congelada interfere na direção e na velocidade com que o gelo se desloca.
Compreender essas estruturas pode contribuir para modelos mais precisos sobre a evolução da camada de gelo da Antártida Oriental e seu possível impacto no nível dos oceanos.
Um continente cheio de segredos
Nos últimos anos, diversas pesquisas revelaram que a Antártida esconde paisagens impressionantes sob sua superfície congelada.
Estudos anteriores já identificaram rios subterrâneos, lagos escondidos, cânions gigantescos e até paisagens preservadas por mais de 30 milhões de anos. Em alguns casos, essas formações permanecem praticamente intactas desde antes do continente ficar coberto por gelo.
Além disso, pesquisadores continuam encontrando novas evidências de que a região possui uma história geológica muito mais dinâmica do que se acreditava anteriormente.

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Tecnologia permite enxergar o que está sob o gelo
A exploração da Antártida mudou radicalmente nas últimas décadas.
Hoje, cientistas utilizam radares de penetração no gelo, satélites, sensores gravitacionais e técnicas sísmicas capazes de revelar detalhes do relevo escondido sob a superfície congelada. Dessa forma, os pesquisadores conseguem criar mapas extremamente detalhados de áreas que jamais poderiam ser observadas diretamente.
Consequentemente, novas descobertas continuam surgindo e ampliando o conhecimento sobre uma das regiões mais misteriosas do planeta.
O que essa descoberta significa?
A identificação dessa enorme estrutura subterrânea reforça a ideia de que a Antártida ainda guarda importantes informações sobre a história da Terra.
Segundo o estudo liderado por Egidio Armadillo, a formação pode ajudar a explicar processos ligados à ruptura de Gondwana, à separação entre Antártida e Austrália e à configuração atual das grandes bacias subglaciais da região.
Enquanto novas expedições e tecnologias avançam, a expectativa é que outros segredos escondidos sob o gelo antártico continuem vindo à tona, revelando um mundo que permaneceu invisível por milhões de anos.

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