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Cientistas conseguem plantar alimento na Lua em solo lunar simulado e descoberta levanta possibilidade de astronautas produzirem a própria comida fora da Terra

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 05/03/2026 às 22:49
Atualizado em 05/03/2026 às 22:51
Estudo mostra cultivo de alimento na Lua em solo lunar simulado e aponta possibilidade de produção de comida para futuras missões espaciais.
Estudo mostra cultivo de alimento na Lua em solo lunar simulado e aponta possibilidade de produção de comida para futuras missões espaciais.
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Experimento conduzido por cientistas da Universidade do Texas em Austin e da Universidade Texas A&M cultivou uma safra em regolito lunar simulado e mostrou que produzir alimento na Lua pode ser viável para missões Artemis, utilizando misturas de solo, vermicomposto e fungos para permitir o crescimento das plantas

Pesquisadores da Universidade do Texas em Austin e da Universidade Texas A&M cultivaram e colheram grão-de-bico em regolito simulado, marcando um avanço no estudo sobre alimento na Lua e apontando possibilidades para a sustentabilidade alimentar em futuras missões espaciais.

O experimento foi conduzido utilizando um simulante de solo lunar desenvolvido para reproduzir com precisão as propriedades químicas e físicas das amostras trazidas pelas missões Apollo. O objetivo central do estudo é compreender se será possível produzir alimento na Lua durante missões humanas de longa duração.

A pesquisa foi publicada em 5 de março na revista científica Scientific Reports e integra estudos que buscam soluções para manter astronautas alimentados em ambientes extraterrestres. Os resultados mostram que determinadas misturas de regolito podem sustentar o crescimento de plantas com suporte biológico adequado.

Experimento testa produção de alimento na Lua com grão-de-bico em regolito simulado

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade do Texas em Austin e da Universidade Texas A&M, que testaram o crescimento de grão-de-bico em solo lunar simulado dentro de câmaras de cultivo controladas. O objetivo foi avaliar a viabilidade da produção de alimento na Lua em ambientes hostis.

Segundo Sara Santos, pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, a investigação procura entender como o regolito poderia ser transformado em um meio capaz de sustentar plantas. A pesquisa também analisa quais mecanismos naturais poderiam promover essa conversão.

Os pesquisadores utilizaram um simulante lunar produzido pela empresa Exolith Labs. Esse material foi desenvolvido para imitar as características físicas e químicas do solo coletado durante as missões Apollo, permitindo testes laboratoriais que reproduzem condições próximas às encontradas na Lua.

Desafios do regolito lunar para cultivo e produção de alimento na Lua

A poeira lunar, conhecida como regolito, representa um ambiente extremamente hostil para plantas. Trata-se de um material áspero e totalmente desprovido de matéria orgânica, elemento essencial para tornar os solos da Terra férteis.

Embora o regolito contenha alguns minerais necessários para o crescimento vegetal, ele também apresenta metais pesados que podem prejudicar o desenvolvimento das plantas. Esses metais podem inclusive contaminar a colheita caso sejam absorvidos durante o cultivo.

Para superar esse desafio, os cientistas misturaram o regolito simulado com vermicomposto rico em nutrientes. Esse composto é produzido por minhocas vermelhas californianas que reciclam resíduos orgânicos, incluindo restos de comida e tecidos de algodão provenientes de missões espaciais.

Essa mistura criou um meio de cultivo mais adequado para as plantas, fornecendo nutrientes essenciais e melhorando a estrutura do solo. Com isso, os pesquisadores conseguiram testar diferentes proporções entre regolito lunar e material orgânico.

Fungos ajudam plantas a crescer em ambiente lunar simulado

Para proteger o cultivo, os grãos-de-bico foram inoculados com fungos micorrízicos arbusculares. Esses organismos estabelecem uma relação simbiótica com as raízes das plantas e auxiliam na absorção de nutrientes essenciais presentes no solo.

Além de melhorar a nutrição das plantas, os fungos também atuaram como filtro biológico contra metais pesados presentes no regolito. Esse processo reduziu os efeitos tóxicos do ambiente e permitiu que as plantas sobrevivessem em diversas misturas experimentais de solo.

Os resultados indicaram que os fungos também conseguiram colonizar o simulador de regolito. De acordo com os pesquisadores, essa capacidade sugere que apenas uma introdução inicial desses organismos poderia estabelecer um sistema de cultivo sustentável a longo prazo.

Mistura com até 75% de solo lunar produziu colheita viável

Os testes demonstraram que uma mistura contendo até 75% de terra lunar simulada foi capaz de produzir grão-de-bico colhível. Quando a proporção de regolito ultrapassava esse limite, as plantas começavam a sofrer estresse e parte da colheita era perdida.

Mesmo sob condições adversas, os fungos micorrízicos ajudaram a prolongar a vida das plantas cultivadas. Essa interação biológica foi fundamental para permitir o crescimento das plantas em um ambiente que originalmente seria hostil para qualquer cultivo.

Apesar do sucesso inicial, os pesquisadores afirmam que ainda existem questões importantes a serem respondidas. A principal delas é determinar se os grãos-de-bico cultivados nesse ambiente são seguros para consumo humano.

Próxima fase avaliará segurança e valor nutricional do alimento na Lua

A próxima etapa do projeto financiado pela NASA envolve a análise do perfil nutricional dos grãos-de-bico cultivados no regolito simulado. Os cientistas também pretendem verificar se metais pesados presentes no solo foram absorvidos pelas plantas.

Outra questão ainda em aberto é o sabor do alimento produzido nesse ambiente. Embora a colheita represente um marco científico, os pesquisadores afirmam que ainda não há confirmação de que o grão-de-bico seja seguro ou adequado para consumo.

Segundo Jessica Atkin, doutoranda no Departamento de Ciências do Solo e Culturas da Universidade Texas A&M e primeira autora do estudo, os cientistas querem entender se as plantas oferecem os nutrientes necessários para astronautas em futuras missões.

Ela também destaca que, caso o alimento não seja seguro inicialmente, será necessário investigar quantas gerações de cultivo seriam necessárias para torná-lo adequado ao consumo. Esses estudos podem determinar o papel do grão-de-bico na alimentação fora da Terra.

À medida que os projetos de exploração espacial avançam, pesquisas como essa buscam garantir a produção de alimento na Lua para missões humanas de longa duração. Com sua resistência, o grão-de-bico pode se tornar uma cultura importante para sustentar vida além do planeta.

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Delia Estrada
Delia Estrada
11/03/2026 18:14

Que bueno eso quiere decir, que algun dia asta enel planeta marte se va poder cultivar.

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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